GENÉTICA

Testes genéticos podem revelar detalhes da sua pele; saiba como

Pela saliva ou pelo exame de sangue, é possível conhecer aspectos como predisposição à acne, sensibilidade ao sol e risco de hiperpigmentação

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Você sabia que a partir de um exame de saliva é possível descobrir detalhes sobre sua pele, como níveis de pigmentação, de antioxidação, envelhecimento e o mais importante: como manter uma rotina de cuidados de forma que a pele fique hidratada e saudável? 

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Segundo Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador de Genera, marca Dasa, o DNA, ou seja, o genoma humano, é como se fosse um manual de instruções do organismo. Ele tem todas as informações necessárias para a criação de um ser humano e também para o funcionamento desse ser humano.

“Pequenas variações nessas ‘letras’ do DNA funcionam como diferenças na forma como esse organismo vai funcionar. Algumas diferenças são claras, como a cor da pele ou o tipo de cabelo de uma pessoa — isso a gente consegue ver. Mas várias outras variações entre pessoas, que têm um componente genético muito alto, não são visíveis.”

A partir disso, ele explica que o teste genético, que pode ser feito por sangue ou por saliva — o DNA é o mesmo em qualquer célula que se utiliza para análise —, consegue fazer uma leitura sobre, por exemplo, a predisposição para níveis reduzidos de vitaminas importantes para a pele, como vitamina C ou vitamina E, além de condições associadas à beleza, como colágeno, predisposição para rugas faciais ou flacidez corporal.

“E, claro, também analisa condições mais ligadas à saúde, como acne, por exemplo. A partir disso, junto com o Grupo Boticário, a Genera desenvolveu esse painel, que não só traz as informações, como também oferece produtos personalizados para cada tipo de pele.”

A pele é o maior órgão do corpo humano e tem um papel muito importante como barreira entre o meio externo e o interno do nosso organismo. “O teste genético traz muitas informações sobre predisposição a diferentes doenças. São dezenas de condições em que você pode conhecer o seu risco, além de variações genéticas associadas ao uso de medicamentos — ou seja, medicamentos que podem ter maior risco de efeitos adversos ou menor eficácia em função do seu DNA”, explica.

Também analisa diversas características importantes relacionadas ao bem-estar das pessoas, e o cuidado com a pele entra nesse contexto. “A gente sabe da importância de um cuidado personalizado na saúde, dentro do conceito de medicina de precisão, e cada vez mais esse cuidado individualizado está se expandindo para outras áreas, inclusive o skincare”, comenta Ricardo.

Estudo

Um levantamento genético conduzido pela Genera com 246.764 brasileiros analisou variantes associadas a diferentes características biológicas da pele e revelou que algumas dessas predisposições aparecem com frequências distintas entre regiões do país. Os dados ajudam a mostrar que, além da diversidade cultural e climática, a própria biologia da pele das pessoas varia geneticamente entre regiões, o que demonstra, entre outros aspectos, a miscigenação brasileira. 

A análise avaliou marcadores ligados a mecanismos importantes da pele, como hidratação, integridade da barreira cutânea, pigmentação e resposta antioxidante, fatores que influenciam como a pele reage ao ambiente, ao envelhecimento e a rotinas de cuidado. 

Um dos exemplos aparece em um marcador associado à resposta antioxidante da pele, processo ligado à forma como o organismo lida com o estresse oxidativo e com fatores ambientais, como radiação solar e poluição. Nesse marcador genético, a variante aparece em 27,6% da população da Região Norte, enquanto no Sul a frequência é de cerca de 23,3%, uma diferença de quase 20% entre as regiões do país. 

Diferenças semelhantes aparecem em variantes relacionadas à função de barreira da pele, mecanismo responsável por proteger o organismo e reduzir a perda de água pela epiderme. Em um dos marcadores analisados, a frequência da variante associada à maior perda de água pela pele aparece em cerca de 45% da população do Nordeste e 44% do Norte, enquanto no Sul a frequência é próxima de 40%. 

Outro marcador ligado à estrutura e biologia da pele mostra um padrão inverso. Nesse caso, a variante genética aparece em 57,6% da população do Sul, enquanto nas regiões Norte e Nordeste a frequência fica próxima de 51%, indicando diferenças regionais na distribuição dessas características biológicas. 

Genética

Genes associados à pigmentação da pele também apresentam variações regionais. Em um dos marcadores analisados, a variante genética aparece em cerca de 7,8% da população do Norte, enquanto no Sul está presente em aproximadamente 6,2% das pessoas. Segundo os pesquisadores envolvidos na análise, essas diferenças refletem a própria formação genética da população brasileira. 

O Brasil tem uma das populações mais geneticamente diversas do mundo, resultado da combinação histórica de ancestralidades europeias, africanas e indígenas. Essa diversidade aparece também nos genes ligados à biologia da pele. No conjunto dos marcadores analisados, os dados indicam que a frequência de algumas variantes genéticas relacionadas à pele pode variar entre cerca de 15% e 25% entre regiões do país. 

Essas diferenças ajudam a explicar por que características como hidratação, sensibilidade, pigmentação ou resposta ao envelhecimento podem se manifestar de maneiras diferentes entre indivíduos. 

De acordo com os pesquisadores, compreender essas variações genéticas é um passo importante para aprofundar o entendimento da biologia da pele na população brasileira e explorar abordagens mais personalizadas de cuidado.

Popularização

Na visão de Ricardo, os testes genéticos estão caminhando para uma popularização cada vez maior. “O custo desses testes caiu muito nos últimos 10 anos. Claro que ainda não é acessível a toda a população brasileira, mas, por exemplo, na Genera, mais de 600 mil pessoas já realizaram o teste”, comenta. 

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“A expectativa é que, nos próximos anos, milhões de brasileiros tenham acesso a esse tipo de informação tão rica. A partir disso, teremos um cuidado cada vez mais personalizado. As pessoas vão se conhecer melhor, praticar o autocuidado e, junto com profissionais de saúde, ter intervenções mais precoces e individualizadas.”

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