Análises de vida real apresentadas durante o Simpósio de Cânceres Geniturinários da ASCO mostram a efetividade de tratar pacientes com câncer de próstata resistente à castração (CPRCm) com a terapia radioligante antes da quimioterapia.
Os dados da plataforma Precision, da Novartis, apontam mediana de ausência de avanço da doença de 13,5 meses em pacientes previamente tratados com pelo menos um inibidor da via do receptor de androgênio ARPI e sem uso de quimioterapia.
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Além disso, os resultados reforçam que pacientes sem tratamento quimioterápico prévio tratados com o radioligante após apenas um ARPI apresentaram maior mediana, com 15,8 meses, em comparação com aqueles que receberam após múltiplos ARPIs, com 12,7 meses.
Os resultados corroboram os dados do estudo PSMAfore, que sustentou a aprovação da terapia pela agência regulatória Food and Drug Administration (FDA). A indicação contempla pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração, PSMA-positivo, previamente tratados com ARPI e considerados apropriados para o adiamento da quimioterapia. No Brasil, o estudo também foi submetido para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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“Esta análise valida o que muitos de nós temos observado na prática clínica – que o lutécio Lu 177 vipivotida tetraxetano pode alcançar respostas clinicamente relevantes em um conjunto diverso de pacientes e em diferentes cenários de prática”, afirmou Daniel George, professor de medicina e cirurgia na Duke University School of Medicine. “Esses resultados mostram consistência tranquilizadora com o estudo pivotal PSMAfore e devem fortalecer a confiança dos médicos no uso da terapia com radioligante para pacientes após um ARPI.”
“A terapia está redefinindo o padrão de cuidado no câncer de próstata metastático”, afirmou Lenio Alvarenga, diretor médico da Novartis Brasil. “Esses resultados de vida real ampliam as evidências do nosso robusto programa de estudos clínicos e contribuem para uma compreensão mais ampla dos desfechos observados na prática clínica rotineira.”
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Estudo avalia resposta a terapias sistêmicas
Um segundo estudo mostrou que pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração (CPRCm) alcançaram respostas clínicas relevantes com terapias sistêmicas após a conclusão do tratamento à base de lutécio Lu 177 vipivotida tetraxetano (incluindo taxano, ARPI, inibidor de PARP ou outros), a maioria com exposição prévia a ARPI e quimioterapia.
Após o início do tratamento seguinte, os pacientes apresentaram um período mediano de 8,6 meses sem progressão da doença. Esse tempo foi mais longo entre aqueles que receberam inibidor da via do receptor de androgênio (ARPI), chegando a 10,7 meses, enquanto os pacientes tratados posteriormente com quimioterapia ou com terapia-alvo apresentaram cerca de sete meses sem avanço da doença.
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“Com o surgimento de novas terapias avançadas para o câncer de próstata metastático, incluindo terapias com radioligantes, otimizar o sequenciamento das terapias sistêmicas tornou-se cada vez mais importante para os médicos”, afirmou Xiao Wei, do Dana-Farber Cancer Institute. “Esses resultados são tranquilizadores, pois sugerem que o tratamento com lutécio Lu 177 vipivotida tetraxetano não impede a efetividade de terapias subsequentes para pacientes elegíveis.”
