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Dose Hollywood do Roacutan: microdose para rejuvenescer a pele vale a pena?

Apesar da popularização midiática da microdosagem de isotretinoína por celebridades, sua prescrição fora de indicações aprovadas levanta dúvidas sobre segurança

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 A isotretinoína (Roacutan) é conhecida como um medicamento de efeito poderoso no combate à acne, apesar de esse não ser um tratamento fácil. Como consequência, durante o tratamento, a pele e mucosas podem ficar mais secas e leves dores no corpo podem surgir. Mas, agora, uma forma off-label de usar o medicamento promete rejuvenescer a pele: é a dose Hollywood – em referência às celebridades que usam o Roacutan em microdosagens.

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Mas será que vale o risco? “A expressão 'dose Hollywood' refere-se à prática de microdosagem de isotretinoína (ou low dose), com uso prolongado, com objetivo não apenas de tratar acne, mas de manter a pele com mais glow, com poros reduzidos e menos oleosidade. É uma estratégia que tem sido especialmente adotada por celebridades ou pessoas que já estão com a pele relativamente boa. Nesse modelo, usa-se uma fração da dose tradicional por um período estendido (em alguns protocolos, por 18 a 24 meses). A ideia é reduzir os efeitos colaterais comuns das doses mais altas, como ressecamento acentuado, elevação de enzimas hepáticas e sensibilidade cutânea”, explica a dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Flávia Brasileiro.

“Porém, é importante enfatizar que a microdosagem de isotretinoína configura uso off-label, ou seja, não é uma indicação aprovada nos guias terapêuticos padrão”, diz a médica, que acrescenta que hoje há formas muito mais seguras de rejuvenescer a pele com tratamentos médicos.

A médica explica que alguns pacientes se beneficiam desse tratamento, com um ou dois comprimidos por semana, principalmente em casos de pele mais acneica e poros dilatados. “A questão é que as pessoas estão ingerindo a medicação de uma maneira descontrolada e sem monitoramento e estão achando que isso substitui outros tratamentos”, destaca Flávia.

Embora a microdosagem possa reduzir a frequência e a intensidade de efeitos adversos, ela não elimina os riscos inerentes à isotretinoína. “A medicação continua a ser teratogênica, portanto, qualquer uso durante gravidez pode causar malformações graves. Além disso, alterações no perfil lipídico (elevação de triglicerídeos), alteração de enzimas hepáticas, e comprometimento da função hepática ainda são preocupações possíveis. Efeitos sobre humor, depressão ou alterações psiquiátricas são relatados com isotretinoína, embora a correlação causal ainda seja objeto de debate”, explica a médica. “Mesmo em doses menores, sintomas como lábios e pele ressecados, olhos secos, irritações nas mucosas e sangramentos nasais podem ocorrer.”

Além disso, a médica afirma que o uso prolongado pode demandar monitoramento constante e não há garantia de que a microdosagem garantirá, sozinha, o rejuvenescimento da pele. Flávia esclarece que mesmo que a microdosagem pareça menos agressiva, ainda representa uso de um fármaco sistêmico com potencial impacto profundo no organismo. “Em muitos casos, os ganhos estéticos desejados podem ser obtidos (ou superados) por meio de tecnologias não farmacológicas, com perfil de risco mais controlado”, reforça a especialista.

Hoje há recursos que permitem correção da qualidade da pele com segurança e eficácia, especialmente para quem busca melhorias estéticas sem recorrer diretamente a medicações sistêmicas.  Flávia explica que a vantagem é que essas abordagens agem localmente, sem os efeitos sistêmicos associados ao uso de um retinoide oral. 

Flávia reforça que a isotretinoína não substitui os tratamentos com tecnologias médicas, como lasers, ultrassom microfocado, radiofrequência ou bioestimuladores, que atuam localmente e têm evidência robusta de rejuvenescimento cutâneo. Portanto, a indicação do tratamento ideal deve ser feita sempre pelo dermatologista após análise cuidadosa da pele do paciente.

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“A ideia de microdosagem de Roacutan como solução milagrosa para manter a pele bonita esconde riscos, inclusive para pacientes saudáveis que buscam apenas estética. Por isso, seu uso deve ser sempre prescrito e acompanhado por um médico dermatologista, com monitoramento laboratorial periódico."

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