Mutirão realiza 200 cirurgias bariátricas pelo SUS em 10 estados
Serão realizadas cirurgias para pessoas que aguardam na fila e já realizaram todo o processo de pré-operatório
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Com participação de 22 hospitais públicos de todo o país, vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o Mutirão Nacional de Cirurgias, que será realizado até o final deste mês, apoia-se no Dia Mundial de Combate à Obesidade, que acontece nesta quarta-feira (4/3). A iniciativa envolve a realização de 200 cirurgias bariátricas, em 10 estados. O objetivo é ampliar o acesso ao tratamento cirúrgico para pacientes com obesidade grave, reforçando a conscientização sobre a doença.
O mutirão de cirurgias bariátricas tem procedimentos confirmados e distribuídos em:
São Paulo (68), Minas Gerais (41), Espírito Santo (20), Pará (14), Rio de Janeiro (10), Bahia (10), Maranhão (5), Recife (14), Distrito Federal (3), Santa Catarina (3), Mato Grosso do Sul (8), Pernambuco (12) e Tocantins (3).
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Com mais de 40 cirurgias, em Minas Gerais os procedimentos acontecem nos dias 6 e 7 de março, no Hospital de Clínicas de Belo Horizonte, coordenados pela cirurgiã Soraya Sanches; entre os dias 13 e 14, no Hospital Filadélfia, coordenados pelo cirurgião Marcos Villela (RT); e de 13 a 28 de março, na Santa Casa de Patos de Minas, sob a coordenação do cirurgião Edson Antonacci.
Fila de espera
Serão realizadas cirurgias para pessoas que aguardam na fila e já realizaram todo o processo pré-operatório, bem como atendimentos para que os pacientes que têm encaminhamento para a cirurgia possam iniciar seu processo de tratamento com equipe multidisciplinar, cirurgião e endocrinologista.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apoia a iniciativa. Segundo o presidente da entidade, Juliano Canavarros, em 2025 menos de 1% dos pacientes com indicação de cirurgia conseguiram realizar o procedimento.
“Em 2025, cerca de 14.115 pacientes conseguiram realizar a cirurgia pelo SUS. Em contrapartida, os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam um crescimento de 118% na obesidade no país. A oferta é muito menor do que a demanda, existem estados em que a fila de espera ultrapassa mil dias e, enquanto isso, os pacientes que aguardam sofrem com o aumento de doenças associadas e a dificuldade de ter uma vida saudável”, afirma.
Segundo levantamento da SBCBM, entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291.731 mil cirurgias bariátricas, sendo 260.380 cirurgias pelos planos de saúde, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), e 31.351 procedimentos pelo SUS. Somente nos últimos dois anos, foram realizadas 25.363 cirurgias pelo SUS, sendo 11.250 cirurgias em 2024 e 14.113 em 2025.
“Nos últimos cinco anos, menos de 1% da população com indicação para a cirurgia conseguiu ter acesso ao tratamento. Também chamamos a atenção para a importância da acreditação dos hospitais e cirurgiões bariátricos que realizam o procedimento em todo o Brasil, visando sempre à segurança do paciente”, afirma Juliano.
Obesidade 2026
A Pesquisa Vigitel 2025 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada pelo Ministério da Saúde no início do mês de fevereiro, mostrou um crescimento de 118% na obesidade no país entre adultos, no período de 2006 a 2024.
No mesmo período, também houve aumento expressivo nos casos de:
- Diabetes (135%)
- Excesso de peso (47%)
- Hipertensão arterial (31%)
Ou seja, trata-se de doenças crônicas que avançam de forma associada, elevando significativamente o risco de complicações graves e de mortalidade precoce.
A pesquisa traça um panorama atualizado do perfil da população brasileira em relação aos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), incluindo hábitos alimentares, prática de atividades físicas e, pela primeira vez, aspectos relacionados ao sono.
Estilo de vida
O estudo também evidencia mudanças preocupantes no estilo de vida da população. A prática de atividade física como meio de deslocamento caiu de 17% para 11,3%, enquanto 42,3% dos adultos relataram realizar atividades físicas no tempo livre.
O consumo regular de frutas e hortaliças permanece em torno de 31%. Em relação ao sono, tema incluído pela primeira vez no levantamento, os dados apontam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% apresentam sintomas de insônia.
Os resultados referentes à obesidade se conectam aos dados apresentados pela SBCBM e reforçam a gravidade do cenário no país. Para a entidade, os números reforçam a urgência de ampliar políticas públicas efetivas e garantir acesso ao cuidado integral da pessoa com obesidade, desde a atenção básica até o tratamento clínico e cirúrgico, nos casos indicados.
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“Enfrentar a obesidade é enfrentar uma das maiores emergências de saúde pública do nosso tempo. Precisamos dar mais acesso à cirurgia pelo SUS”, afirma Juliano Canavarros.