Cada vez mais mulheres têm recorrido ao congelamento de óvulos para adiar a maternidade. A proposta parece simples: preservar a fertilidade hoje para usar no futuro. Mas até que ponto essa decisão garante uma gravidez mais adiante?

O principal fator que influencia a fertilidade feminina é a idade. A partir dos 35 anos, há uma queda importante na quantidade e na qualidade dos óvulos. O congelamento preserva a qualidade dos óvulos no momento em que são coletados — mas não rejuvenesce o ovário nem assegura sucesso futuro.

Uma questão fundamental para definir qual melhor estratégia e planejamento para o congelamento de óvulos é a avaliação da reserva ovariana. Ela permite estimar o número de óvulos ainda presentes nos ovários e, assim, personalizar as formas de estimulação hormonal e congelamento para cada paciente.

 

Exames

Os espermatozoides podem fertilizar os óvulos espontaneamente, ou um deles pode ser injetado diretamente dentro do óvulo

Pixabay

Os dois principais exames utilizados na avaliação da reserva ovariana são a contagem de folículos antrais, feito por ultrassonografia pélvica transvaginal, e a dosagem do Hormônio Anti-Mülleriano (AMH), produzido pelos folículos em desenvolvimento. Esses exames são complementares e, juntos, oferecem uma visão confiável da situação atual da reserva ovariana. No entanto, o resultado da avaliação tende a sofrer alterações ao longo dos anos, quando pode ocorrer a queda da reserva ovariana e a qualidade dos óvulos.

Outro ponto pouco divulgado é que não basta congelar poucos óvulos. Para aumentar as chances de um nascimento, geralmente é necessário armazenar um número adequado de óvulos, o que pode exigir mais de um ciclo de estimulação hormonal. Além disso, se a mulher decidir utilizá-los no futuro, por se deparar com a infertilidade ou desejar a produção independente, precisará passar por fertilização in vitro — e cada etapa do processo envolve probabilidades, não garantias. É também importante levar em consideração o número de filhos desejados pelo casal para que se possa propor um número de óvulos a ser congelados.

Planejamento

Nos últimos anos, o procedimento passou a ser associado à ideia de autonomia e planejamento. De fato, ele amplia possibilidades, especialmente para quem deseja postergar a maternidade ou enfrentará tratamentos que podem comprometer a fertilidade. No entanto, é importante evitar a falsa impressão de que a tecnologia elimina o impacto do tempo e que procurar engravidar mais cedo deixa de ser importante.

O congelamento de óvulos não é uma promessa de gravidez futura — é uma estratégia de preservação de chances. A verdadeira autonomia reprodutiva começa com informação clara e expectativas realistas.

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