Câncer de pênis: vergonha é um dos principais desafios para o diagnóstico
Campanha de fevereiro alerta para tabus culturais e impacto do preconceito; diagnóstico precoce permite tratamentos preservadores e maior chance de cura
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Fevereiro é o mês de conscientização e combate ao câncer de pênis, campanha liderada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), e o principal alerta vai além da medicina: a vergonha e os tabus culturais seguem como barreiras relevantes para o diagnóstico precoce da doença.
O câncer de pênis ainda é cercado por silêncio, constrangimento e desinformação, fatores que fazem muitos homens adiarem a procura por atendimento médico mesmo diante de sinais evidentes de alteração.
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Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pênis responde por cerca de 2% dos tumores que acometem homens no Brasil, com maior incidência em regiões de menor acesso à informação e aos serviços de saúde.
Embora seja considerado um tumor raro, o impacto da doença é significativo justamente porque muitos casos chegam aos serviços especializados em estágio avançado, quando as opções terapêuticas são mais agressivas e com maior comprometimento funcional.
Para o urologista Guilherme Canabrava, especialista em uro-oncologia, a vergonha ainda é um dos principais inimigos do diagnóstico precoce. “Muitos pacientes demoram meses ou até anos para procurar ajuda por constrangimento. O problema é que o tempo perdido reduz drasticamente as possibilidades de tratamento preservador”, afirma.
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Segundo o médico, qualquer ferida que não cicatriza, nódulo, alteração de cor, secreção ou dor persistente no pênis deve motivar avaliação imediata com um urologista.
O especialista reforça que, quando identificado precocemente, o câncer de pênis pode ser tratado com procedimentos conservadores, preservando a anatomia e a função do órgão. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de tratamentos menos invasivos e de preservação da qualidade de vida. O silêncio e o preconceito não protegem ninguém — informação e prevenção, sim”, destaca Guilherme.
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A campanha de fevereiro reforça a necessidade de romper tabus e estimular homens e suas redes de apoio a tratarem a saúde urológica com naturalidade e responsabilidade.