ESTUDO MOSTRA

Câmaras de bronzeamento artificial aumentam risco de melanoma e mutações

Pesquisa detalha dano celular e médica alerta para prática ainda oferecida ilegalmente no Brasil

Publicidade
Carregando...

Estudo publicado na revista Science Advances, produzido por um grupo multidisciplinar da Universidade Northwestern (EUA), aponta associação direta entre o uso de câmaras de bronzeamento artificial e o risco de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Segundo os dados, pessoas que utilizaram câmaras de bronzeamento têm 2,85 vezes mais chance de desenvolver a doença, em comparação com não usuárias, mesmo após ajustes por idade e histórico familiar. A pesquisa também identificou quase o dobro da carga de mutações nas células da pele desses usuários, devido aos efeitos moleculares provocados por essa tecnologia.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Os achados ajudam a explicar por que a prática é considerada altamente nociva, apesar de ainda ser vista como procedimento estético por parte da população. “O estudo traduz em números o que já se observa na rotina clínica. O bronzeamento artificial eleva a carga de mutações nos melanócitos, o que favorece o surgimento de alterações genéticas ligadas ao câncer, que leva muitas pessoas ao óbito”, afirma a médica Anne Correia Lamana, especializada em dermatologia clínica, estética e tricologia.

A pesquisa também aponta a presença de mutações em áreas normalmente protegidas do sol, como lombar e nádegas. Isso indica que a intensidade da radiação ultravioleta artificial é elevada e atinge regiões pouco expostas no dia a dia. “A intensidade de UVA artificial é muito maior do que a do sol. Mesmo sabendo que o UVB é mais cancerígeno, essa alta carga de UVA é suficiente para aumentar o risco de melanoma em áreas que não são normalmente fotoexpostas”, explica Anne.

No Brasil, as câmaras de bronzeamento artificial são proibidas pela Anvisa desde 2010, mas continuam a ser encontradas em clínicas de estética. A médica aponta que a baixa fiscalização e a desinformação contribuem para a permanência da prática. “Muitas pessoas veem o bronzeamento artificial como algo inofensivo, apenas estético. Quando o serviço é clandestino, ainda há risco adicional de queimaduras, manchas escuras, cicatrizes e até queloide”, diz.

A secretária Fannia Ferreira, de 41 anos, usou câmaras de bronzeamento entre 2022 e o início de 2025. Ela relata que buscava resultado rápido e a chamada “marquinha de biquíni” mais intensa. “Com o passar do tempo, percebi um rápido envelhecimento da pele. Em uma sessão, fiquei muito vermelha e com a derme ardente”, conta. Hoje, ela diz que ainda gosta de se bronzear, mas adota proteção rigorosa, com protetor solar, chapéu e óculos.

Para quem já utilizou câmaras de bronzeamento, a recomendação é redobrar a vigilância sobre a própria pele. “Essas pessoas devem procurar um médico especialista em pele e manter acompanhamento pelo menos anual, observando manchas escuras, lesões que não cicatrizam, sangram ou mudam de cor e tamanho”, orienta Anne. Ela lembra que alternativas como cremes e sprays autobronzeadores são seguras e oferecem aparência bronzeada sem exposição à radiação.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A médica, que atende na nova clínica Alvorar, em Belo Horizonte, reforça que não existe bronzeamento – artificial ou solar – sem dano celular. “O mais importante não é ter uma pele bronzeada, é ter uma pele saudável. A cabine intensifica o dano e espalha mutações por áreas que o sol natural raramente atinge. Nenhum resultado estético compensa esse risco."

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay