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Estado de Minas FIAT TORO RANCH 2.0 AT9 4X4

Fórmula de sucesso

Mesmo sem a robustez das picapes médias, utilitário da Fiat agrada pelo conforto,estilo e dirigibilidade. Agilidade em manobras e preços do modelo são pontos negativos


postado em 04/01/2020 04:00 / atualizado em 03/01/2020 16:52

(foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
(foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)


Lançada em 2016, a Fiat Toro é um verdadeiro case de sucesso. O modelo chegou ao mercado depois da Renault Duster Oroch, e mesmo assim reivindicou a autoria do segmento das picapes intermediárias (entre as compactas e as médias). Com design original e várias combinações de conjunto mecânico, além de sua proposta de ser uma picape com o conforto de um SUV, o mercado logo demonstrou preferência pelo utilitário da Fiat, o que se traduz pela liderança folgada, tendo em 2019 vendido cinco vezes mais que a picape da Renault. Mas os italianos devem ficar atentos, já que novos concorrentes – como a VW Tarek (prevista para 2021) e modelos da Hyundai e Ford – estão prestes a chegar.
 
A Toro lidera com folga o segmento de picapes de tamanho intermediário(foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
A Toro lidera com folga o segmento de picapes de tamanho intermediário (foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
Desta vez testamos a Fiat Toro Ranch, que divide o topo da linha com a nova versão Ultra, que se diferencia por trazer a capota rígida. A versão traz de série um pacote de itens muito desejado por quem usa picapes, com santantônio, estribos laterais, protetor do vidro traseiro e capota marítima. Porém, apesar de contribuírem com o visual do modelo, o santantônio não permite que a capota marítima fique perfeitamente alojada quando recolhida, e os estribos não se fazem necessários para ajudar a adentrar o veículo, que não é tão alto quanto as picapes médias. No manuseio, a caçamba ainda conta com ganchos de amarração e iluminação. A tampa bipartida do compartimento de carga tem abertura leve.
 
Versão Ranch traz de série santantônio e estribos laterais, que ajudam a compor o visual(foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
Versão Ranch traz de série santantônio e estribos laterais, que ajudam a compor o visual (foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
A versão Ranch também conta com rodas de 18 polegadas, rack de teto, para-barro, protetor do tanque de combustível e um gancho de reboque removível. Na cabine, destaque para os bancos e painéis de porta revestidos em couro marrom, que contrastam com o interior todo em preto (incluindo o teto, colunas e para-sóis). Tapetes acarpetados completam o ambiente. O banco do motorista tem ajustes elétricos, incluindo lombar. Já o console central poderia ser revisto, já que conta apenas com um porta-copos, faltando um lugar mais acessível que o porta-trecos sob o descanso de braço para colocar objetos. O banco traseiro acomoda com conforto apenas dois passageiros, que têm tomadas de 12V e USB à disposição.

RODANDO Apesar dos bons números de potência e torque, o motor 2.0 turbodiesel só desperta sua fúria a partir dos 2.000rpm, causando um hiato de tempo em arrancadas e retomadas, onde se deseja uma resposta imediata. Porém, depois dessa marca, sobra motor. O câmbio automático de nove marchas oferece trocas manuais por aletas, favorecendo uma tocada mais dinâmica. A tração é integral sob demanda, com opção de 4x4. Diferente da maioria das picapes médias, a suspensão oferece conforto aos ocupantes e confiança para o motorista explorar bem as curvas. Já na hora de manobrar, a picape deixa a desejar. Devido a sua pouca agilidade, não é uma boa opção para quem tem garagem apertada.
 
No interior predomina a cor preta, mas os bancos são revestidos em couro marrom(foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)
No interior predomina a cor preta, mas os bancos são revestidos em couro marrom (foto: Adriano Sant'Ana/EM/D. A Press)

MERCADO Nos itens de série da Toro Ranch, destaque para ar-condicionado de dupla zona, chave presencial, faróis de neblina com função cornering, airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho, controle eletrônico de tração e estabilidade, sistema multimídia com navegação nativa e partida remota do motor. Devido ao seu porte intermediário e a motorização diesel, a Toro não tem concorrentes diretos. As versões com motorização 1.8 flex podem ser comparadas ao Duster Oroch. Porém, o preço desta versão de topo (R$ 162.990) não foge muito das versões de entrada das picapes médias, que igualmente trazem cabine dupla, motor a diesel, câmbio automático e tração 4x4: Ford Ranger 2.2 XLS, R$ 156.790; Chevrolet S10 2.8 LT, R$ 168.690; VW Amarok 2.0 Comfortline, R$ 177.980; e Toyota Hilux 2.8 SR, R$ 171.940.
 
Os preços da Toro podem parecer absurdos, e são mesmo. Acontece que, principalmente entre os comerciais leves, a porcentagem de veículos vendidos na modalidade “vendas diretas”, feitas para pessoa jurídica com um generoso desconto, é enorme. No caso da Toro, 77,4% das vendas de 2019 foram feitas desta forma. Para além do preço, as picapes médias levam vantagem quanto à robustez, seja pelo chassi (enquanto a Toro tem estrutura em monobloco), pela suspensão traseira do tipo eixo rígido (desconfortáveis, mas resistentes), pela capacidade fora de estrada (com caixa de redução) e pelo próprio volume da caçamba (as capacidades de carga são semelhantes). Mesmo sem tudo isso, o mérito da Fiat foi perceber que quase nenhum usuário de picape procura ou precisa dessas características. Resultado: em 2019 foram emplacadas mais de 65 mil unidades da Fiat Toro.
 
 

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