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Estado de Minas RENAULT LOGAN ICONIC 1.6 CVT

Aventuras familiares

Versão de topo do sedã combina suspensão elevada e câmbio automático tipo CVT. Modelo ganhou reestilização discretíssima, mas será que ainda é páreo para os últimos lançamentos?


postado em 19/10/2019 04:00

(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


A linha 2020 do Renault Logan foi lançada em julho com uma reestilização muito discreta, que deve alongar a vida desta segunda geração até o fim de 2021 ou início de 2022. Se não há muita novidade por fora, o conjunto mecânico trocou o deficiente câmbio automatizado de uma embreagem (Easy'R) por um automático do tipo CVT. Curiosamente, e talvez alguém encontre alguma relação para isso, as versões do sedã equipadas com câmbio CVT trazem também suspensão elevada. Para ver tudo o que o modelo pode render, testamos a versão topo de linha Iconic 1.6 CVT.
As novas luzes de rodagem diurna, o para-choque dianteiro e as rodas de liga leve de 16 polegadas pouco efeito fizeram no visual do Logan. Se em 2014 as linhas da segunda geração do sedã aliviaram sua fama de Patinho Feio, permanecer quase inalterado nesta reestilização deixa o modelo muito exposto justamente no momento em que a concorrência se renovou substancialmente (vide Chevrolet Onix Plus e Hyundai HB20S). Visualmente, a suspensão elevada deixou o sedã com aparência muito estranha, efeito que as molduras plásticas das caixas de roda não conseguem amenizar.

A BORDO O interior permanece igual. Nesta versão topo de linha, o painel em plástico de diferentes texturas contrasta com bancos revestidos em couro, presente também em apliques nos painéis de porta e no volante. Para tentar ficar descolada, a versão aventureira também traz revestimento do teto e das colunas em preto, mas não alcança o mesmo efeito de quando é aplicado em hatches, talvez porque a ideia de um sedã aventureiro realmente não “cole”. Para ficar mais rico e se aproximar dos compactos premium, falta ali um console central mais imponente, com descanso de braço e tudo.
 
O Logan ainda se destaca quanto ao espaço interno. São 2,63 metros de distância entre-eixos que proporcionam bom espaço também para os passageiros de trás e a bagagem. Como o túnel do assoalho é baixo e largo, garante apoio razoável para os pés do passageiro central, resultando em relativo conforto. O porta-malas tem volume de 510 litros e ainda guarda o estepe (de uso temporário), mas falta carpete em uma parte para melhorar o acabamento. Ainda que haja espaço e elementos que tentam deixar o acabamento melhor, ao manusear o veículo fica nítida a falta de isolamentos acústicos, capricho que costuma ficar invisível em outros modelos.

RODANDO Em geral, o desempenho do Logan é satisfatório. No trânsito lento da cidade, o veículo logo entra no ritmo e segue com as rotações mais baixas. Na estrada, as retomadas de velocidade são graduais, mas o sedã consegue manter uma boa performance. Mérito da gestão do câmbio CVT – capaz de simular seis marchas, com trocas manuais pela alavanca –, que responde rapidamente às necessidades, mantendo as rotações do motor mais altas para vencer subidas ou realizar ultrapassagens. Em compensação, o consumo de combustível é elevado em relação ao que se espera de um veículo com motor 1.6 e transmissão CVT.
 
Apesar de deixar o Logan esquisito, a suspensão elevada em 4 centímetros traz toda a conveniência de transpor os obstáculos urbanos (quebra-molas, rampas, calçadas altas, buracos) sem maiores consequências. Sobre piso irregular, as suspensões proporcionam conforto aos ocupantes, e sem deixar de oferecer confiança nas curvas (sem excessos!). Já a direção com assistência eletro-hidráulica é muito pesada durante as manobras, tornando a experiência ao volante um desprazer.

VALE? A versão Iconic é a mais completa, destacando-se por trazer ainda airbags frontais e laterais, controle de estabilidade, ar-condicionado digital, faróis de neblina, faróis automáticos, assistente de partida em rampa, sensor de chuva e sistema multimídia. Porém, seu preço não está muito distante das versões de topo dos demais sedãs compactos, que evoluíram em um ritmo bem maior. O próprio espaço interno, seu principal argumento, já conseguiu ser alcançado por alguns concorrentes. Ainda que com alguns enfeites, o projeto simples e o design defasado do Logan só foram interessantes enquanto seu preço era bem mais baixo. Um Logan de R$ 70 mil não faz o menor sentido.

CONCORRENTES Os adversários mais novos são Chevrolet Onix Plus Premier 1.0 turbo (R$ 73.190) – que traz seis airbags, controles de tração e estabilidade, rodas de 16 polegadas, chave presencial – e Hyundai HB20S Evolution 1.0 turbo (R$ 71.790) – com rodas de 15 polegadas, airbag duplo, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, ar-condicionado digital e central multimídia com tela de oito polegadas. Com preços nivelados e mais conteúdo, esses modelos ainda trazem motor 1.0 turbo, que oferece desempenho superior e consumo mais baixo de combustível.
Porém, os concorrentes com conjunto mecânico semelhante ao Logan são outros. O que se destaca pelo preço baixo é o VW Voyage 1.6 AT (R$ 63.870), mas com um pacote de conteúdo bem inferior aos demais. Já o Nissan Versa SL 1.6 é o único concorrente com câmbio CVT, porém, é menos equipado que o Logan e ainda é um pouco mais caro. O Ford Ka Sedan 1.5 Titanium (R$ 73.290) leva a mais chave presencial e controle de tração, enquanto o Fiat Cronos Precision 1.8 AT (R$ 75.490) fica devendo bancos revestidos em couro e airbags laterais.


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