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Estado de Minas

Não vale tanto quanto pesa

Versão intermediária do SUV compacto tem eficiente conjunto mecânico e ampla lista de equipamentos de série e opcionais, mas, pelo preço que cobra, merecia acabamento melhor


postado em 01/06/2019 04:12

Na traseira, elemento refletivo forma conjunto único com as lanternas(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Na traseira, elemento refletivo forma conjunto único com as lanternas (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)



Há quem acredite que a versão 200 TSI Comfortline do Volkswagen T-Cross será a mais vendida entre as outras opções do SUV compacto. Realmente, ela traz um pacote de equipamentos interessante, mas cobra caro por isso, principalmente quando se observa alguns detalhes no carro, como o acabamento interno em plástico duro. Entre os pontos positivos, vale destacar o conjunto mecânico, que traz o eficiente motor 1.0 TSI, com turbo, e o câmbio automático de seis velocidades, que por incrível que possa parecer proporciona bom desempenho e baixo consumo de combustível. O porta-malas não está entre os maiores do segmento, mas o espaço interno impressiona.


O Volkswagen T-Cross é mais um produto derivado da versátil plataforma MQB, que deu origem também ao novo Polo e sedã Virtus. O SUV compacto chegou ao mercado com fortes atributos, como nota máxima no teste de impacto do Latin NCAP e duas opções de conjunto mecânico com motores compactos: 1.0 e 1.4, ambos turbo. A versão de entrada é a 200 TSI (1.0 turbo), que parte de R$ 84.990, e a intermediária é a 200 TSI Comfortline, que tem preço de R$ 99.990. Quem está disposto a gastar um pouco mais, pode levar a versão 250 TSI Highline, com motor 1.4 turbo, de R$ 109.990.

VISUAL Dissecando a versão intermediária Comfortline, nota-se que ela traz algumas diferenças no visual. O estilo do T-Cross, definitivamente, não é um de seus pontos fortes. O modelo mantém o padrão Volkswagen, com linhas retas horizontalizadas, sem ousadia no desenho. Comparado com os concorrentes, é o mais comportado, ideal para quem gosta de carros discretos. A versão traz a grade preta com detalhes cromados, faróis halógenos e auxiliares de neblina direcionais, com luzes diurnas em LED integradas. As laterais são marcadas por vincos e uma moldura preta na parte inferior, que contorna todo o carro, passando pelas caixas de rodas.


O modelo tem rodas de liga leve de 17 polegadas, mesclando partes brilhantes e foscas. No teto, rack pintado de preto. O teto solar é opcional e não está presente na unidade testada. As linhas retas são mantidas na traseira, onde o destaque fica por conta do grande conjunto formado pelas pequenas lanternas com LED e o elemento refletivo que atravessa a tampa do porta-malas. O toque de esportividade é reforçado pelo defletor de ar e as falsas saídas do escape nas extremidades do para-choque.

ACABAMENTO Por dentro, o T-Cross 200 TSI Comfortline deixa a desejar pelo material usado no acabamento, especificamente no painel principal e painéis das portas. Muito plástico duro que, considerando o preço do carro, deveria ter sido substituído por material emborrachado, mais agradável ao toque. Não que o acabamento seja ruim, mas deveria ser melhor. A unidade testada tem os bancos revestidos em couro de duas cores, mas é item opcional. O painel tem partes pintadas e detalhe imitando fibra de carbono, combinação que pode ser alterada na escolha do carro.


O volante é revestido em couro e traz comandos para o som, acesso ao celular e computador de bordo. O painel tem instrumentos analógicos e uma pequena tela digital central pela qual é possível conferir informações sobre o carro, dados da viagem e seguir a rota do GPS. Tudo de fácil visualização e operação por parte do motorista. A tecla mode na parte central do painel permite alterar os modos de condução – Eco, Normal, Sport, Individual –, de acordo com a necessidade de quem dirige.

ESPAÇO No que diz respeito ao espaço interno, o VW T-Cross não deixa a desejar. Comparado com seus principais concorrentes, é ele que tem a maior distância entre-eixos (2,65m), que em termos práticos contribui para o melhor aproveitamento do espaço interno. Os bancos dianteiros são anatômicos e apoiam bem as pernas e as costas, sendo que o do motorista tem ainda ajuste lombar.


No banco traseiro impressiona o amplo espaço em relação aos da frente, o que garante fácil acomodação para as pernas de quem senta ali. O único porém é que o banco traseiro proporciona conforto para duas pessoas, e não três. Apesar do túnel no assoalho ser mais baixo, que senta no meio acaba indo apertado. Mas existem cintos retráteis de três pontos e apoios de cabeça para três ocupantes, além de sistemas de fixação de cadeiras infantis Isofix e Top Tether. Vale ressaltar ainda que os passageiros de trás contam com saídas de ar-condicionado e duas entradas USB no console.


O porta-malas do T-Cross não está entre os maiores se comparado com os concorrentes (veja quadro na página 2). Com 373 litros de capacidade, todo forrado em carpete e com iluminação, o compartimento de bagagem é ideal para famílias pequenas. O modelo até conta com sistema que permite empurrar o banco traseiro para frente, aumentando o volume do porta-malas para 420 litros, mas a unidade testada não tinha.

DIRIGINDO O grande barato do T-Cross 200 TSI é a dirigibilidade. Os mais incrédulos torcem o nariz quando ouvem que o SUV compacto tem motor 1.0. É, mas é turbo, e bem eficiente. É impressionante o poder desse pequeno propulsor de três-cilindros, que garante bom desempenho e agilidade no trânsito urbano e na estrada. Com bom torque em baixas rotações, o motor proporciona arrancadas rápidas e retomadas de velocidade seguras. Mesmo quando a rotação cai, basta pisar no acelerador que a resposta vem rápido. E o turbo entra em ação sem trancos ou sustos, quase imperceptível. É um motor que convida a acelerar, principalmente pelo fato de ter casado muito bem com o câmbio automático de seis velocidades, que faz as trocas no tempo certo e de maneira suave. Mas se o motorista preferir, pode fazer as mudanças de marchas no próprio câmbio ou nas aletas atrás do volante, o que deixa o carro mais à mão e mais esperto.


Se o motorista optar por uma condução mais comportada, vai se impressionar com os números de consumo mostrados no computador de bordo. Com etanol, a média de consumo em nosso teste foi de 8,0km/l na cidade e 11,5km/l na estrada. Com gasolina, a média foi de 9,5km/l na cidade e 13km/l na estrada. Mas é claro que se o motorista pisar fundo no acelerador os números não ficam tão positivos. O motor é eficiente, mas não há tecnologia que resolva o problema de um “pé pesado”.


O T-Cross tem boa altura em relação ao solo, mas não é um carro recomendado para investidas radicais no fora de estrada. Ele vai bem em estradas de terra, mas mostra que nasceu para o asfalto, pois trafega de maneira equilibrada, sem inclinação da carroceria. Os controles de tração e estabilidade ajudam a manter o SUV agarrado ao chão, e as suspensões garantem a boa performance em curvas e o conforto ao rodar. A direção também foi bem calibrada e a assistência elétrica proporciona leveza nas manobras e firmeza em velocidades mais altas. Os freios, com discos nas quatro rodas e o auxílio da eletrônica, atuam com eficiência.


Em resumo, o VW T-Cross é uma boa opção no segmento, apesar de ser tão caro quanto seus concorrentes. O motor 1.0 é eficiente e dá conta do recado, e chega a ser bem melhor do que alguns 1.6 e 1.8 que equipam os rivais. Se tivesse acabamento interno melhor, o T-Cross seria uma opção mais interessante.


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