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Saudoso cinquentão

Há 50 anos, a General Motors lançava no Brasil o Chevrolet Opala, modelo que chegou ao mercado como um sedã de quatro portas, mas depois ganhou variações e uma legião de fãs


postado em 24/11/2018 05:09

Versão esportiva SS chegou ao mercado em 1970(foto: cláudio larangeira/ editora alaúde/divulgação)
Versão esportiva SS chegou ao mercado em 1970 (foto: cláudio larangeira/ editora alaúde/divulgação)



Foi no Salão do Automóvel de 1968, há 50 anos, que a Chevrolet apresentou seu primeiro carro de passeio a ser vendido no Brasil. Até então, a marca americana só comercializava por aqui veículos utilitários. No decorrer do projeto, identificado internamente como 676, ficou decidido que o modelo seria baseado no Opel Rekord, que na Europa tinha carrocerias sedã, cupê e perua. Assim nasceu o Chevrolet Opala.


O modelo chegou ao mercado no mesmo ano, inicialmente apenas com carroceria sedã de quatro portas, encontrada nas versões Luxo e Standard. O resultado não poderia ter ficado melhor. A frente trazia uma grade de linhas horizontais cromadas com os faróis circulares embutidos. Nas laterais, o cromado das calotas também se destacava, assim como a sensual linha de cintura. As pequenas lanternas e o para-choque delgado, que na versão Luxo ainda trazia luzes de ré e uma faixa em outra cor, formavam a traseira elegante. O toque de mestre estava no sobressalto presente nas quatro quinas do sedã.


Por dentro, o Opala trazia bancos inteiriços e a alavanca de câmbio na coluna de direção. O comprador podia escolher entre duas motorizações: um quatro-cilindros com 2.509cm³ de cilindrada e 80cv de potência; ou o seis-cilindros em linha com 3.764cm³ e 125cv. O câmbio era de três marchas e a tração traseira. Os freios eram a tambor.

SS A lendária versão esportiva SS chegou ao mercado em 1970 ostentando faixas pretas no capô, laterais e painel traseiro, além de rodas esportivas. O motor 3.8 foi retrabalhado e passou a ter capacidade de 4.097cm³ de cilindrada. O SS tinha 140cv e câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho. Naturalmente, os bancos dianteiros eram individuais, daí a sigla SS (separate seats). Como o charme é companheiro inseparável da dúvida, a sigla também é popularmente entendida como “Super Sport”. Detalhe bizarro para a época eram as quatro portas em um modelo esportivo. Nesse mesmo ano, a linha Opala ganhou novo desenho da grade. Outra novidade era a versão Gran Luxo, que tinha teto em vinil (opcional nas outras) e acabamento interno caprichado. O motor era de 4.1 litros, com câmbio de três marchas, mas também havia opção do propulsor de quatro cilindros. As versões de entrada e intermediária ainda usavam os motores 2.5 ou 3.8.

CUPÊ Com a chegada da carroceria cupê, em 1971, a família cresceu. Com duas portas, o novo modelo estava mais para um fastback. Mas isso não importava, o carro era bonito e tinha esportividade. Chamava a atenção a ausência da coluna B, que deixava o Opala com jeitão de conversível. Aos poucos, todas as versões de acabamento do sedã eram oferecidas também no cupê. Porém, o SS era oferecido apenas na carroceria cupê. A essa altura, o motor 3.8 havia sido definitivamente substituído pelo 4.1.


Com os passar dos anos, o Opala recebeu alterações estéticas e avanços tecnológicos. Em 1973, a frente ganhou nova grade e as setas foram deslocadas para as quinas. Atrás, as luzes de ré foram para o lado das lanternas. Os modelos com motor de seis cilindros receberam freios a disco na dianteira. Os opcionais eram bancos individuais e ar-condicionado. No ano seguinte, o propulsor de quatro cilindros foi retrabalhado e passou a oferecer 94cv. O SS também podia vir com esse motor, mas com carburador de corpo duplo, que rendia 98cv. Em 1974, o câmbio automático de três marchas estava disponível como opcional.

CARAVAN Em 1975, o Opala passou pela primeira reestilização mais profunda. A frente recebeu nova grade, para-choque e ligeiras alterações nos faróis. Já a traseira ganhou dois pares de lanternas circulares. A família Opala passou a contar com uma perua, a Caravan, que tinha a opção de motores de quatro e seis cilindros. Outra bizarrice é a Caravan nunca ter tipo opção de quatro portas, o que traria praticidade para a perua. A versão de luxo era chamada de Comodoro, e estava disponível somente com o motor de seis cilindros. Para atender aos compradores que queriam desempenho esportivo, a GM passou a oferecer em 1976 o motor 250-S, com 153cv, que chegava perto dos 200km/h.


DIPLOMATA A partir de 1977, o Comodoro passou a ter opção do motor quatro-cilindros. No ano seguinte, a perua Caravan ganhou as versões SS e Comodoro. Em 1980, o modelo ganhou nova reestilização, ficando com linhas retilíneas, grade mais baixa, conjunto óptico retangular e também mais largo. O novo topo de linha passou a ser chamado Diplomata, que trazia de série ar-condicionado, direção hidráulica, toca fitas e motor seis-cilindros. Os opcionais eram teto de vinil, pneus radiais, câmbio automático e o motor 250-S.


O mesmo ano também foi marcado como o último do SS e a chegada do propulsor de quatro cilindros a álcool. Três anos depois, esse motor passou a usar um câmbio de cinco marchas. Em 1984, finalmente o seis-cilindros passou a ter opção movida a etanol. No ano seguinte, o Opala recebe outras mudanças estéticas, novamente na grade e conjunto óptico. A Caravan ganhou a versão requintada Diplomata.

FIM Em 1988, em seu aniversário de 20 anos, o Opala ganhou nova grade e faróis trapezoidais, e opção de câmbio automático de quatro marchas. Um ano depois, o mercado se despediu da carroceria cupê. Em 1991, o modelo passou pela última reestilização, ganhando nova grade, para-choques, rodas aro 15 polegadas e a retirada dos quebra-ventos. Em 1992, o sedã e a perua finalmente saíram de linha. Ao todo, foram produzidas 998.444 unidades do Opala. Seu lugar foi ocupado pelo Chevrolet Omega.


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