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Estado de Minas

Lucy Ramos deixa a zona de conforto na novela 'A dona do pedaço'

Atriz estuda inglês para interpretar a professora Sílvia, ficou loura para compor sua personagem e diz que negros não podem ser confinados a papéis de escravo ou bandido


postado em 14/07/2019 04:09

Lucy Ramos e Monica Iozzi interpretam as rivais Sílvia e Kim em A dona do pedaço(foto: Paulo Belote/divulgação)
Lucy Ramos e Monica Iozzi interpretam as rivais Sílvia e Kim em A dona do pedaço (foto: Paulo Belote/divulgação)

 
Lucy Ramos empresta toda sua força para a Sílvia de A dona do pedaço, folhetim da Globo. Na trama de Walcyr Carrasco, a professora de inglês não tem medo de ir à luta por seus sonhos. Um deles é se casar com Márcio (Anderson Di Rizzi). No entanto, Kim (Monica Iozzi) se envolveu com o gerente da fábrica de bolos e consegue separá-los. Lucy afirma que esse trabalho a tira da zona de conforto.

"Venho acompanhando o Walcyr há muito tempo, amo sua obra. Meu marido (Thiago Luciano, ator, diretor e roteirista) fez novelas dele e sempre falava que eu precisava atuar em uma história do Walcyr. Quando recebi o convite, fiquei muito feliz. A Sílvia é uma delícia, muito solar, aquela pessoa de quem você quer ser amiga. É do bem, feminista, corre atrás das suas coisas", define.
Apesar de interpretar uma professora de inglês, Lucy não sabia falar o idioma. Foi em busca de aulas para agir com naturalidade em cena. Além disso, investiu em uma preparadora particular e em uma fonoaudióloga, que a ajudaram no processo de composição da personagem.

"O legal em papéis assim é que eles colocam você em um desafio. Estou estudando inglês por uma hora, diariamente. Faço todas as minhas preparações com uma profissional”, conta Lucy. “Assim que fico sabendo de uma novela, já trabalho para encontrar sentimentos e sensações ali, além do texto. Busco tudo o que posso para que o resultado seja OK. Faço para depois não me culpar pelo que não fiz", revela.

Além de investir nas emoções da professora, Lucy propôs a mudança significativa no visual de Sílvia: queria ficar loura pela primeira vez. De acordo com a atriz, a imagem contribui muito para o resultado final.

Lucy foi convidada para interpretar uma personagem solar depois de viver a sisuda advogada Vanda em O tempo não para, novela exibida pela Globo em 2018. “Fiquei me perguntando qual seria a linha para não tornar a Sílvia chata ou boba. Estava saindo de um papel completamente oposto. A Vanda era mais séria, tinha muita responsabilidade, roupas diferentes... Tudo isso constrói uma linha de interpretação", explica.

NEGROS O primeiro trabalho de destaque de Lucy Ramos na televisão foi a escrava Adelaide de Sinhá Moça, novela da Globo exibida em 2006. De lá pra cá, a atriz está feliz com o fato de negros, cada vez mais, ocuparem espaço na telinha. Porém, ela pondera que ainda há um longo caminho pela frente. Autores precisam escrever mais papéis para negros que não sejam só de escravos, empregados ou bandidos.

"Há um movimento, mas deve ser algo diário. Se a gente analisar pela quantidade, A dona do pedaço está muito bacana, porque há uma família negra. Na trama, minha irmã era fisioterapeuta, depois foi trabalhar em uma imobiliária... Eles estão na classe média, então, é outro lugar. A gente não está ali para falar sobre racismo ou preconceito, mas como pessoas normais. Isso é uma vitória. Antes, o negro estava em posição inferior sempre para falar da raça", compara.

Lucy sabe da importância da representatividade. O jovem negro quer se ver na televisão em posições de destaque. Consciente do lugar que ocupa, a atriz deseja que surjam papéis os mais diversos para afrodescendentes. "Fico feliz com autores que têm essa consciência, que estão escrevendo para a gente. Já fiz jornalista, psicóloga, advogada e, agora, uma professora de inglês. Somos referência para muita gente que está em casa”, conclui. (Estadão Conteúdo)
 
NA TV
2006
Com Debora Falabella em Sinhá Moça

2011
Com Carmo Dalla Vecchia em Cordel encantado

2012
Como a descolada Sheyla em Salve Jorge

2018
Como a advogada Vanda, em O tempo não para
 


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