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Estado de Minas

Globo perde espaço

Espectadores trocaram o Vídeo show por programas de fofocas, o que pode ter decretado seu fim


postado em 13/01/2019 05:07

Luigi Baricelli, Ana Furtado, André Marques e Fiorella Mattheis fizeram história no programa(foto: Renato Rocha Miranda/Globo)
Luigi Baricelli, Ana Furtado, André Marques e Fiorella Mattheis fizeram história no programa (foto: Renato Rocha Miranda/Globo)

A partir de amanhã, o início das tardes na TV aberta vai deixar de ser embalado por Don’t stop’til you get enough, um dos clássicos de Michael Jackson, que se tornou tema de abertura do Vídeo show. Isso porque o programa – no ar há 35 anos – saiu da grade da Globo na última sexta (11). A informação foi dada em comunicado divulgado pela emissora. Com as mudanças, a Sessão da tarde entrará no ar mais cedo, às 14h.
De acordo com notícia publicada no portal UOL e até o fechamento desta edição não confirmada pela Globo, Fernanda Gentil e Fábio Porchat comandarão uma revista eletrônica que vai substituir o Vídeo show a partir de abril. O projeto é mantido a sete chaves, mas começa a ganhar forma e vai misturar jornalismo e entretenimento. Ainda de acordo com a reportagem, parte da equipe do Vídeo show será aproveitada na nova produção.

Apesar de a emissora carioca não ter dado maiores esclarecimentos sobre o fim da produção, não é difícil imaginar o motivo: a baixa audiência – a atração vinha perdendo espaço para programas de fofocas, como o Fofocalizando, no SBT/Alterosa, e o quadro A hora da venenosa, do Balanço geral, da Record. Sem contar que perdeu a identidade. Para Fernando Oliveira, jornalista especializado em televisão e apresentador da TV Gazeta e TV Brasil, o que acarretou o fim do programa foi que o seu principal foco, os bastidores e a vida dos artistas, acabou pulverizado. “Os famosos se tornaram divulgadores de si mesmos. Sem contar que o jornalismo está cada vez mais apoiado em redes sociais. Outro fator é a relutância da própria Globo em permitir que o jornalismo de celebridades se infiltrasse no Vídeo show. Os concorrentes ganharam nesse sentido. A Globo quer mostrar o lado A dos famosos e não o lado B. É isso que alimenta a concorrência”, analisa.

A derrocada começou com a entrada de Zeca Camargo, no fim de 2013. Após 18 anos no Fantástico, coube ao jornalista dar nova cara ao programa, que ganhou palco, plateia e até uma banda. Era visível o constrangimento de Zeca, que chegou até se vestir de palhaço para atrair a audiência. Não deu certo e, em 2015, Mônica Iozzi assumiu a bancada ao lado do Otaviano Costa, que já fazia parte da equipe. Foi uma sobrevida. A saída de Mônica, um ano depois, e a entrada de Maíra Charken refletiram mais uma vez na audiência.

Para muitos telespectadores, a pá de cal veio em junho de 2018, quando Otaviano também deixou o Vídeo show para se dedicar ao Tá brincando, que estreou em 5 de janeiro. Na tentativa de melhorar o desempenho, foram contratados, só no último semestre, as ex-BBBs Ana Clara, Fernanda Keulla e Vivian Amorim, o youtuber mineiro Matheus Mazzafera e os humoristas Márvio Lúcio (Carioca) e Maurício Meirelles. Na fase derradeira,  era apresentado por Sophia Abrahão e Joaquim Lopes.

INTERNET “Creio que nos últimos anos o programa se reduziu à proposta de ser uma ferramenta de marketing da Globo, uma função desnecessária, na prática. De que adianta recapitular o capítulo da novela exibido na véspera? Você vai esperar até o dia seguinte, na hora do almoço, para saber o que aconteceu? Lógico que não. Está tudo no site da própria emissora”, opina o jornalista e crítico de televisão Maurício Stycer. Para ele, mostrar os bastidores das produções era um filão atraente, mas o Video show estava concorrendo com o Stories (Instagram) dos próprios atores e apresentadores que costumam ser mais autênticos do que o próprio programa.

“Falar de fofocas de artistas da emissora é um problema. Acho que o Vídeo show ainda tem futuro, mas na internet. O programa pode investir no campo digital com mais notícias sobre bastidores de suas produções, “recaps” caprichados (os resumos de episódios de novelas e séries já exibidos) e, talvez, um pouco deste noticiário de celebridades feito de forma original. Na internet, não há horário e o espectador vê na hora em que bem entender”, analisa Stycer.


Marca mantida

Apesar da extinção do Vídeo show, a Globo vai manter a marca do programa, que é vista como “muito querida pelo público”. A ideia é produzir material sobre os bastidores das produções para exibir em suas plataformas digitais e na TV. Pode ser dentro do Mais você ou de outra atração do entretenimento.


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