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Estado de Minas

Inglaterra entra em campo com futebol renovado, boa gastronomia e turismo em alta

Fizemos uma inesquecível viagem através do mundo do futebol em Liverpool e Londres, cidades dos quatro finalistas da Champions League e Liga Europa


28/05/2019 19:09 - atualizado 25/06/2019 14:31

(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
 

Há fatos que são indiscutíveis. A Terra é redonda. O campo de futebol é plano. E o melhor lugar para os turistas apaixonados pelo mundo da bola – mesmo aqueles nascidos no país do Rei do Futebol – é a Terra da Rainha.


É verdade que o futebol inglês não conquista nada realmente importante com a seleção principal desde a única Copa do Mundo realizada em casa, no distante ano de 1966. Mas seu campeonato nacional, a Premier League, é o melhor do mundo. A cada ano, há vários candidatos ao título – diferente do que acontece em países como Itália, Alemanha, Portugal, Espanha, França e Holanda, em que a disputa invariavelmente se resume a duas ou três equipes. É também a competição que reúne maior número de grandes jogadores. Na Copa da Rússia, nada menos que 108 atuavam na Liga Inglesa.


Na atual Champions League, dos oito classificados para as quartas-de-final, quatro foram ingleses: Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham. Dois passaram às semifinais: Liverpool e Tottenham. E também chegaram às finais! Em partidas espetaculares, com viradas históricas, o time da terra dos Beatles, jogando em casa, eliminou o poderoso Barcelona, de Messi, com um categórico 4 a 0; e a equipe londrina derrubou o holandês Ajax, com um gol de Lucas aos 52 min do 2º. tempo, em Amsterdã: 3 a 2, com os três gols do brasileiro.


Estive no Reino Unido, com a repórter fotográfica Maria Pereira Gontow, a convite do VisitBritain, para uma espécie de Avant Premier League, lançamento de pacotes para atrair o público brasileiro ávido por conhecer clubes e estádios ingleses.


O futebol busca se consolidar como uma das joias da coroa do turismo do Reino Unido. Dos turistas que prestigiam algum evento esportivo, cerca de três quartos compareceram a uma partida de futebol. O Turismo gera R$564,46 bilhões por ano para a economia do Reino Unido. Segundo a Pesquisa Internacional de Passageiros do Departamento de Estatísticas Nacionais, feita em 2014, o gasto médio por visita de turistas que assistem a pelo menos um jogo de futebol é de R$ 4.602, enquanto para os que não vão a jogo algum o gasto médio é de R$ 3.265.


De acordo com o VisitBritain, há um forte crescimento na chegada e gastos dos turistas brasileiros. Nos primeiros três meses do ano passado, foram 74 mil viagens do Brasil para o Reino Unido, aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2017. Em relação aos gastos, mesmo com a crise econômica, de janeiro a março os brasileiros deixaram em território britânico R$ 291 milhões, o que representa 28% de aumento em relação ao ano anterior.

 

A final da Champions League será no próximo sábado, 1º de junho, no recém-construído Estádio Metropolitano, a casa do Atlético de Madrid,  na capital espanhola. Mesmo assim, podemos cravar, sem medo de erro: o campeão será inglês! – Liverpool  ou Tottenham. O mesmo acontece na Liga Europa, segundo campeonato mais importante do Velho Continente. A finalíssima  amanhã, dia 29, no Estádio Olímpico de Baku, capital do Azerbaijão.  entre os londrinos Chelsea e Arsenal. É a primeira vez na história que as decisões das duas principais ligas europeias serão disputadas por quatro equipes de um mesmo país – a Inglaterra.  


O sucesso dos clubes ingleses nas principais competições, a segurança nos estádios, e a transmissão do Campeonato Inglês para o “mundo inteiro” devem impulsionar ainda mais o turismo do futebol.

 

 

Liverpool – Busca pelos quatro fabulosos

 

Tecnologia com realidade aumentada permite ver o Anfield Stadium lotado (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Tecnologia com realidade aumentada permite ver o Anfield Stadium lotado (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

 

Os inventores do esporte mais popular do planeta encontram no templo sagrado da bola – o antigo Anfield Stadium, em Liverpool –,  o sentido extremo da palavra fanatismo

 

 

Como estamos na terra do Beatles, tento imaginar quem seriam os quatro fabulosos da equipe dos Reds, os equivalentes futebolísticos a John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Penso em Salah, Mane e no brasileiro Firmino. Difícil encontrar um quarto nome: seria o goleiro brasileiro Alisson? O polivalente inglês Milner? O zagueiro holandês Virgil Van Djik? As dúvidas se dissipam no momento mais marcante do passeio: quando se chega dentro do estádio Anfield (templo sagrado do Liverpool), com vista para o gramado verde e impecável e um aparelho de realidade aumentada mostra o estádio lotado.


 Para onde direcionamos o aparelho, ouvimos e vemos o som e as imagens da torcida, com seu canto mais famoso, entoado com ainda mais afinco nas situações difíceis, quando tudo parece perdido, como voltou acontecer dias atrás quando, jogando sem Salah e Firmino, o time precisava – e conseguiu! – reverter os 3 a 0 do Barcelona na Espanha. Arrepia. Emociona! Percebo o óbvio: hoje, os fabulosos da equipe do Liverpool não são quatro, nem 11, nem 40 mil pessoas, mas um time, um clube, uma torcida inteira! O estádio está vazio, mas não resisto e começo a cantarolar baixinho: “You will never walk alone”, “You will never walk alone”

Histórico O antigo Anfield Stadium, inaugurado em 1884, foi reformado e ampliado para 54.074 lugares em 2016, mas ainda tem aquela atmosfera de lugar histórico onde ocorreram batalhas, derrotas e conquistas épicas. Na entrada, há uma estátua do ex-treinador Bill Shankly, o que reafirma sua posição de um dos grandes ídolos do clube. Chama ainda mais a atenção a frase com o lema da torcida estampado junto o portão de acesso: “You’ll never walk alone” (Você nunca caminhará sozinho), quase um segundo hino, cantado pela torcida na entrada em campo e muitas vezes após as partidas, seja nas vitórias, seja nas derrotas.


Por cerca de duas horas, ao preço de R$ 104 (www.liverpoolfc.com), o turista tem a oportunidade de conhecer o estádio, em um passeio bem programado. Observo o nome no crachá da guia que recebe o grupo: “Chelsey”. Rápida, ela se antecipa: “vejam, sou a Chelsey e não a Chelsea. É bom não confundir...”


Na subida das escadas no início do passeio há faixas históricas com dizeres como “Liverpool, The cream of Europe” (Liverpool, a nata da Europa) de sua fanática torcida que não festeja um título de campeão inglês desde a temporada 1989/90.Guias também experientes e engraçados levam o turista para conhecer as diversas dependências do Anfield. No vestiário dos times adversários, há os uniformes de notáveis que enfrentaram o clube, como Buffon, Xavi, Iniesta, Cristiano Ronaldo, Henry, Messi e Cafu. O vestiário é amplo e confortável, mas ao contrário da equipe da casa, não é a prova de som, para que a força da torcida do Liverpool intimide os oponentes. É também instigante estar no vestiário do clube inglês e sentar junto aos “armários” de Mané, Salah e dos brasileiros Alisson, Fabinho e Firmino.

 

Uniformes dos jogadores notáveis que já enfrentaram o Liverpool(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Uniformes dos jogadores notáveis que já enfrentaram o Liverpool (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
 


Paixão Ainda no vestiário, um vídeo, apresentado pelo técnico alemão Jürgen Klopp, conta a história do clube. Na sequência, um imenso salão traz painéis com fotos e frases dos treinadores que marcaram época, como Bob Paisley, o que mais venceu títulos pelo Liverpool; Rafael Benitez que uma vez disse: “Before, I said that they were maybe the best supporters in England. Now, maybe they are the best supporters in Europe” (Antes, eu dizia que eles eram talvez os melhores torcedores da Inglaterra. Agora, talvez sejam os melhores torcedores da Europa) e, claro, Bill Shankly.


Em toda a parte do estádio e também no museu há referências aos cinco títulos de campeão europeu conquistados nas temporadas de 1976/77, 1977/78, 1980/81, 1983/84 e 2004/2005. É um orgulho ser o time inglês com mais conquistas na principal competição europeia, feito que pode se repetir no dia 1º de junho, em Madrid, na final da Champions contra o Tottenham. Na entrada do museu, surpreende em primeiro plano um uniforme antigo do maior adversário da cidade, o Everton, ao lado da primeira maquete do Anfield. Uma plaqueta informa que foi um presente dado pela equipe rival: “Anfield foi a casa do Everton de 1884 a 1892. O primeiro jogo do Everton foi disputado aqui em 27 de setembro de 1884...” Exemplo de que civilidade e precisão histórica podem andar juntos com a paixão.

 

 

All You Need is Football

 

Liverpool e Everton são ícones de uma cidade que alimenta de forma saudável a rivalidade dentro e fora do campo

 

Estrategicamente coladas no vidro do Anfield Stadium, bolinhas vermelhas 'atrapalham' a visão do estádio do time rival Everton(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Estrategicamente coladas no vidro do Anfield Stadium, bolinhas vermelhas 'atrapalham' a visão do estádio do time rival Everton (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

 

Bolinhas vermelhas adesivadas em vidros do Anfield dificultam a vista para o Goodison Park, o estádio do Everton, que fica a cerca de 1,1 quilômetro. A brincadeira tem origem em mais uma frase antológica de Bill Shankly: “‘If Everton were playing at the bottom of the garden, I’d pull the curtains.”  (Se o Everton estivesse jogando no fundo do meu jardim eu fecharia as cortinas) Apesar das provocações, a rivalidade vermelha e azul, iniciada em 1894 (Everton venceu por 3 a 0) não chega próxima das grandes no mundo. Quem torce para o Blues enxerga no gigante vermelho da cidade o adversário a ser batido, mas não vê o rival como um inimigo. O beatle Paul McCartney é um notório exemplo desse espírito amigável. Ele é torcedor do Everton e já foi visto algumas vezes no Goodison. Mas também simpatiza pelo Liverpool, para quem torce em todos os jogos, menos, claro, quando o adversário é o próprio Everton.


Já para os torcedores do Liverpool, o verdadeiro rival está em outra cidade: é o também vermelho Manchester United, maior vencedor do campeonato inglês, time de maior torcida do país, com o maior número de simpatizantes no mundo e, segundo a lista da Forbes de 2018, a equipe com a marca mais valiosa no planeta do futebol (R$ 20.200 bilhões) e a segunda entre todos os clubes esportivos do mundo, atrás apenas do Dallas Cowboys (R$ 23,52 bilhões), de futebol americano.


As bolinhas impedem a visão de longe, mas se sobrar um tempinho vale a pena uma visita ao Goodison Park, com capacidade para 39.572 pessoas, que pode ser feita por R$ 78. O passeio segue o modus operandi dos outros em estádios ingleses, mas há atrações especiais. Uma delas é o fato de jogarem no Everton os brasileiros Bernard e Richarlison. Mas acima de tudo é porque foi onde ocorreram as três partidas da Seleção Brasileira na Copa de 66, quando a então bicampeã mundial foi eliminada na primeira fase. O estádio foi o palco da última vez em que Pelé e Garrincha atuaram juntos pelo Brasil em um jogo oficial. Foi em 12 de julho de 1966, na vitória por 2 a 0 sobre a Bulgária, pela Copa do Mundo, com gols, ambos de falta, dos dois maiores craques da história do País. Pelé e Mané nunca foram derrotados atuando juntos pela seleção canarinho. Em 40 partidas, foram 36 vitórias e quatro empates. Pelé fez 44 gols e Garrincha, 11.


Assistir a Pelé e Garrincha em campo seria tão antológico quanto ver um show com Lennon e McCartney em Liverpool. A Grande Arte sempre vale a pena. Aqui não há aparelho de realidade aumentada. Mas há o cérebro e o coração: feche os olhos e imagine.
Legado O The Shankly Hotel é a continuação do passeio pelo mundo do futebol inglês, que não por acaso apelidamos no Brasil de “Esporte Bretão”. O hotel é uma ode ao ex-treinador Bill Shankly, que comandou o Liverpool por 15 temporadas, entre as décadas de 1950 e 1970. Em todas as salas há referências às conquistas e trajetória de Shankly. No teto do salão de entrada, uma linha do tempo conta sua história. Nos corredores e paredes, taças, faixas, painéis fotográficos e bolas antigas revelam momentos marcantes da carreira do lendário treinador escocês. Por toda a parte, há frases impactantes ditas por Shankly, como “Liverpool was made for me and I was made for Liverpool”  (O Liverpool foi feito para mim e eu fui feito para o Liverpool)  e “Although I’am a Scot, I’d be proud to be called a Scouser” (Apesar de eu ser escocês eu ficaria orgulhoso de ser chamado de liverpoolzense).

No The Bastion – Bar e Restaurante do hotel, há objetos e utensílios que dividem com as TVs a atenção de hóspedes e torcedores. O nome do local é uma referência a outra famosa frase de Shankly: “My idea was to build Liverpool into a bastion of invincibility” (minha ideia era construir o Liverpool em um bastião de invencibilidade).

 

 
Para alegria dos Beatlemaníacos

(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
 

Situada no Noroeste da Inglaterra, com cerca de 500 mil habitantes, Liverpool tem inúmeros museus, pubs e restaurantes, catedrais e uma impactante região portuária. Escalamos aqui uma seleção com 4 atrações:

 

1) Estátua dos Beatles – Inaugurada em 2015, também no Pier Head, a obra do escultor Andy Edwars, com mais de dois metros de altura e 1,2 toneladas, é ao mesmo tempo leve e imponente, divertida e emocionante. Na cena, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e John Lennon caminham, observam a cidade e conversam, trajando com despojada elegância gravata e capa de chuva. Poucos resistem à tentação de tirar uma selfie com os 4Fab! E por que resistir? A gente se sente como se fosse o quinto Beatle.

 

 

2)The Beatles Story

(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

 É o maior museu dedicado aos Beatles no mundo. Inaugurado em 1990, tem objetos e cenários que contam a vida e a trajetória da banda. No local, vemos as primeiras guitarras de George Harrison e Paul McCartney, a reprodução do Casbah Coffe Club (onde nasceram os Beatles, ainda com o nome ‘The Quarrymen”); uma réplica do Cavern Club e também a réplica de parte do avião que levou a banda para os EUA; o cenário da última apresentação da banda, em janeiro de 1969, no telhado da Apple, em Londres, e os óculos redondos de Lennon. O preço é de R$ 88, com um áudio-guia incluso. O ticket da The Beatles Story dá direito a entrada em uma outra parte do museu, situada no Pier Head, que traz as influências da banda. Muitos turistas deixam de fazer essa parte da visita, por falta de tempo, mas também de informação.

 

 

3) Museu de Liverpool – Fica quase em frente à estátua dos Beatles. Com oito mil m² e arquitetura moderna e imponente, foi inaugurado em 2011. Conta a história da cidade e celebra seus feitos, com muito destaque à arte, música, esportes e indústria. Metade de um andar é dedicado aos Beatles. A entrada é gratuita. (Waterfront, Woodside, Pier Head, Liverpool L3 1DG) 

 

 

4) Cavern Club

Réplica do Cavern Club no The Beatles Store(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Réplica do Cavern Club no The Beatles Store (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

Antes de mais nada, cabe um aviso. Aqui não é o lugar original. Mas não importa! Está quase ao lado, a 15 metros de onde ficava o primeiro, fundado em 1957, inicialmente como um clube de jazz, e demolido em 1973. A nova construção recebeu os mesmos tijolos da antiga e a casa foi reaberta em 84. O local recebe apresentações musicais e milhares de turistas, interessados principalmente na sua atmosfera. Na entrada, há uma estátua de Lennon e um Hall da Fama, com os nomes de músicos que estiveram na casa, como o brasileiro Ivan Lins. Entrar na Caverna é como ingressar em um túnel, do tempo. Foi no icônico pub que os Beatles realizaram seu primeiro show, em 1961. Fizeram no local 292 apresentações. A última delas em 3 de agosto de 63. (10 Mathew St, Liverpool L2 6RE) 

 

 

Londres – Paixão entra em campo

 

London Eye, vista durante o passeio Thames Rocket. Ela é a quarta maior roda-gigante do mundo e uma das atrações mais disputadas de Londres(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
London Eye, vista durante o passeio Thames Rocket. Ela é a quarta maior roda-gigante do mundo e uma das atrações mais disputadas de Londres (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

 cartela de cores por conta das camisas dos times se espalha pela capital inglesa. Para os amantes do futebol, Londres é o centro do mundo da bola

 

 

Mesmo que Londres tenha apenas um título de campeã (Chelsea, em 2012) da principal competição europeia – somente o Real Madrid tem 13 – a cidade tem o direito de reivindicar o título de capital mundial do futebol. São de Londres seis dos 20 times da última Premier League: Arsenal, Chelsea, Crystal Palace, Fulham, Tottenham e West Ham. Amanhã em Baku, os londrinos Chelsea e Arsenal disputam, como já contamos, a final da Liga Europa. Já o Tottenham entra em campo em 1º. de junho para tentar conquistar sua primeira Champions. É também a primeira vez na história que uma mesma cidade coloca três times entre os quatro que disputam as finais das duas principais competições de clubes da Europa.


É incrível ver a identificação dos londrinos com os times dos bairros e regiões em que estão inseridos. Há pelo menos 60 equipes na cidade. Uma delas é o Corinthian-Casuals F.C ( ex-Corinthian Football Club), fundado em 1882, que deu origem, em São Paulo, ao mais importante Corinthians do planeta.  As equipes menores têm torcidas fiéis, orgulhosas de suas raízes, o que ocorre também entre os times médios e grandes. São raros os londrinos que torcem por clubes de outras cidades, como Manchester United e Liverpool. Existe até um nome para identificá-los, pejorativamente:  são os Glory Hunters, espécie de caçadores de títulos.


Nenhuma cidade do mundo tem tantos estádios monumentais: Emirates Stadium (Arsenal), com 60.432 lugares; o Stamford Bridge (Chelsea), 41.631 lugares; Estádio Olímpico de Londres (utilizado pelo West Ham), para 60 mil pessoas; o Wembley (que pertence à prefeitura de Londres), com 90 mil assentos; e o recém-inaugurado Tottenham Hospur Stadium, para 62.062 pessoas, o  segundo maior estádio particular do país.  Há tours para todos esses estádios.


Mas em Londres não visitamos os grandes templos. Fomos conhecer dois estádios raízes: o Craven Cottage e o Selhurst Park. Antes do futebol, um momento de adrenalina: o Thames Rocket – já que navegar é preciso, fizemos um passeio em um pequeno bote em alta velocidade (cerca de 56 km/h), através do Tâmisa, ao som de rock de bandas famosas como Queen, Rolling Stones e Beatles. O passeio radical próximo a um dos maiores ícones da capital inglesa: a London Eye com preços que variam de acordo com a opção de passeio, como Ultimate London Adventure, de 50min, por R$ 207 para adultos e R$ 155 para crianças, e o Thames Barrier Explore’s Voyage, de 80min, de  R$ 285 para adultos e  R$ 213 para crianças.   (https://www.thamesrockets.com/) (AG)

 

 

Pequenos notáveis

 

O pequeno e charmoso estádio Craven Cottage, do Fulham, já recebeu um jogo do Brasil em 2011(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
O pequeno e charmoso estádio Craven Cottage, do Fulham, já recebeu um jogo do Brasil em 2011 (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

Na cidade campeã em número de estádios, uma visita aos gramados dos times menores não perde em nada quando o assuntoé o espetáculo futebolístico

 

 

A adrenalina some quando rumamos em direção ao Craven Cottage, do Fulham, inaugurado em 1896. Claro, há a emoção de chegar em um estádio para assistir ao principal campeonato de futebol do mundo, mas a sensação é de calmaria e segurança, sem qualquer resquício dos famosos hooligans, violentos torcedores das décadas de 1980 e 1990. No caminho, mesmo na era das mídias digitais, são muito procurados os programmé R$ 18, bem produzidas revistas que trazem as mais diversas informações sobre a partida. Há também muitos pontos para apostas – outra paixão dos ingleses. Já dentro do estádio, o público surpreendeu. O Fulham vinha de três derrotas seguidas e o adversário, o Bournemounth, era uma das boas surpresas da competição, mas sem jogadores famosos. Mesmo assim 25.071 torcedores lotaram o pequeno estádio, que tem 25.700 lugares. Em um dia com temperatura que beirava os cinco graus.
O Craven Cottage é aconchegante e charmoso. Mesmo depois de passar por transformações para se adaptar aos tempos modernos e à necessidade de ter assentos para todo o público, manteve a aura de um estádio inaugurado há mais de um século. Atrás de uma das linhas de escanteio há um belo pavilhão. O local é utilizado como vestiário e sua sacada funciona como um camarote para convidados do clube e familiares dos atletas.


Até há poucos anos, havia uma curiosa atração turística, que levava ao local apaixonados não por futebol, mas por música: uma estátua de gesso e resina de Michael Jackson, de 2,3 metros de altura. Foi colocada em 2011 junto à entrada, por iniciativa do então presidente do clube, Mohamed Al-Fayed, de quem o cantor era amigo. Logo virou alvo de gozações dos adversários, já que não havia o menor indício de que Jackson fosse fã do Fulham ou mesmo de futebol. Também foi alvo do escárnio dos especialistas. A estátua dançou em setembro de 2013, quando foi removida pelo presidente seguinte, Shahid Khan. Foi instalada no Museu Nacional do Futebol, em Manchester. onde ficou até ser retirada em março deste ano.

Presença brasileira O Craven Cottage já recebeu um jogo do Brasil, em 2011, quando o time de Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Ganso derrotou Gana por 1 a 0. Outro confronto que marcou época:  o Fulham venceu o famoso Santos de Pelé por 2 a 1. O gol santista foi marcado em um pênalti sofrido e convertido por Pelé. A equipe inglesa estava na Segunda Divisão e enfrentou um Santos já desgastado por uma viagem com 13 partidas em quatro continentes, em cerca de 40 dias. O embate, o penúltimo da excursão, aconteceu em 12 de março de 1963, diante de 21.462 torcedores, que festejaram muito o resultado.


Agora, a realidade é outra. Mesmo com o estádio lotado, o Fulham foi amassado pelo Bournemounth, que venceu por 3 a 0. Apesar da nova derrota, a torcida da casa não vaiou a equipe ou fustigou a torcida adversária. Pelo contrário. Foi lindo e – este repórter confessa – de dar inveja voltar caminhando pelo Bishops’s Park, em meio às folhas secas caídas das árvores no outono inglês, em direção à estação de metrô Putney Bridge. As torcidas caminharam lado a lado. Alguns grupos de torcedores vitoriosos entoavam, sem ser hostilizados, músicas de exaltação à sua equipe.

Premier League No dia seguinte, visitamos mais um estádio pequeno em tamanho (26.309 lugares) e grande em história: o Selhurst Park, do Crystal Palace, inaugurado em 1924, no sudoeste da cidade. Dessa vez, o percurso foi por overground até a estação de Norwood Junction, seguido por uma caminhada de 15 minutos, novamente com as torcidas misturadas, pelas ruelas do bairro de Norwook até o estádio.


Agora, a partida envolvia dois times da cidade: um médio e o outro gigante, o Arsenal, 13 vezes campeão inglês, mas a atmosfera para o “clássico” era a mesma do dia anterior: total segurança e tranquilidade. O belo estádio revelou que nem tudo é perfeito na Premier League. Da última fileira, o espectador consegue ver as quatro linhas do impecável gramado, mas não enxerga o movimento das torcidas já que o teto baixo atrapalha a visibilidade. Além disso, se há um lance de perigo e alguém levanta, não dá para ver mais nada.

Selhurst Park - estádio de pequeno porte em Londres(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Selhurst Park - estádio de pequeno porte em Londres (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

Ao contrário do dia anterior, houve uma disputa acirrada e o jogo foi emocionante. O Crystal saiu na frente, com gol de pênalti, marcado pelo sérvio Luka Milivojevicaos 46min do 1º tempo.  No intervalo, uma cena incrível. Havia uma multidão, que formava várias filas para quase tudo em um espaço acanhado, como para ir ao banheiro. Muitos bebiam cerveja e comiam lanches enquanto aguardavam na fila. Mal dava para se mexer. Na hora em que todos voltaram para seus lugares para o reinício do jogo, não havia no chão um único pedaço de papel. Na 2ª etapa, o Crystal tomou a virada do Arsenal, mas voltou a empatar, aos 83min, mais uma vez de pênalti, novamente batido por Milivojevic


Animado com o resultado, inventei uma canção para ajudar o time da casa e incendiar a torcida nos últimos minutos. Seria um novo hit! “Crystal, Crystal, Crystal! We will win the game, I have a crystall ball, we will win the game”. Ninguém cantou comigo. Mas mesmo assim saí feliz do estádio: foi um grande jogo e um dia inesquecível. (AG)

 

 
Gastronomia campeã

 

(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

Se no passado o Reino Unido vivia ganhando cartão  vermelho quando o assunto era a culinária do país, hoje, o país virou destino daqueles que amam degustar um petisco ou prato diferenciado 

 

 Quando este repórter morou em Londres, em meados da década de 1980, a gastronomia e o futebol estavam em baixa. Ambos eram difíceis de engolir. Passados tantos anos, visitar agora os templos do futebol e da gastronomia da capital da Inglaterra é um festival para os sentidos. Difícil dizer qual melhorou mais. Mas pouco importa! O ideal para quem faz o tour do futebol é fazer tabelinhas com os pubs, feiras de rua e restaurantes de baixa e alta gastronomia, que trazem variadas e excelentes atrações.

 

Drinque Lavander Me(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Drinque Lavander Me (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Estrelados – No Brown’s Hotel da Rocco Forte (Albemarle Street, Londres W1S 4BP), um cinco estrelas, inaugurado em 1837, na região de Mayfair, está o Donovan Bar, que já recebeu reis, presidentes e muitos artistas. No ano passado foi eleito o Melhor Bar do Mundo na premiação Best of the Best, concedido pela “Virtuoso”, rede que reúne as melhores agências de viagem de luxo do mundo. Entre os drinques criados pelo lendário mixologista italiano e bartender residente Salvatore Calabre, conhecido como “O Maestro”, provamos o Lavander Me (Essência de lavanda, suco de limão, xarope de violetas e água de coco, R$ 57) e o Acqua Brillante (inusitada interpretação do clássico Gin Tônica, com Gin, banana e cacau secos, licor de bergamota e água tônica, R$ 98). No mesmo endereço, o  restaurante Beck’s at Browns foi recentemente redesenhado por Olga Polizzi. O chef Heros de Agostinis segue com arte o menu casual de pratos clássicos italianos, reinventados com ingredientes britânicos sazonais do chef Michelin três estrelas, Heinz Beck. O Fagotelli cremoso (R$ 107), servido em forma de trouxinha, com recheio de molho carbonara, explode marcante e ao mesmo tempo suavemente na boca. Desses pratos que faz a gente se levantar e aplaudir. No The London Edition Hotel, outra experiência incrível. Comandado pelo chef Jason Atherton com estrela Michelin, o Berners Tavern (bernerstaver.com) se tornou um dos locais mais procurados para reservas em Londres. O salão impressiona com seus muitos quadros com pinturas contemporâneas, clássicas, de natureza morta e fotografias, emoldurados como se fossem antigos; seu imponente bar dourado e um pé direito de oito metros, que termina em estuques que se estendem até o teto. Dá a impressão que se está dentro de um palácio. Pedimos um ombro de cordeiro, assado lentamente, com ervilhas e vagem sobre uma cama de cogumelos grelhados e mentolados (R$ 416 para duas pessoas) 

 

Mercados – Há opções para todos os gostos. Complicado e talvez até injusto indicar só alguns. Mas como no Prêmio Fifa de melhor jogador do mundo aqui vão três escolhidos:


Borought Market (8 Southwark Street, SE1 1TL), próximo à London Bridge (Linha Northern). É um dos mercados de alimentos mais antigos e famosos da cidade, com muitos lugares para comer na hora ou para comprar frutas, carnes, bebidas, doces, pães, temperos e muito mais para levar para casa. O Greenwich Market é um dos mercados mais completos, descolados e com muita variedade: há comida vietnamita, portuguesa, indiana, italiana, etíope, churros à moda brasileira e diversas opções veganas. No Old Spitafields Market (6 Commercial St, Spitalfields, London E1 6EW), inaugurado em 1876, na região do East End, há bares, quiosques, food trucks, restaurantes e barraquinhas com artesanato e comidas variadas. Como é coberto, é ainda mais indicado para dias de chuva. Fica pertinho da estação de metrô Liverpool e também da Brick Lane.

 

Fish and Chips

(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
 

Há tantas opções em cada canto da cidade, que é bom não chutar! Um dos lugares que sempre mantém o ótimo padrão é o Poppie’s, que tem três endereços, nos efervescentes Spitalfields, Soho e Camden. A iguaria vem com peixe (Cod – que é um bacalhau leve – ou haddock – a partir R$  37) empanado, frito, sequinho e crocante. Acompanha batatas fritas e o mushy peas, que nada mais é que um simples e saboroso purê de ervilhas. Quem quer economizar ou seguir andando deve pedir o “Takeway”. Para os românticos ou nostálgicos, um aviso: no futebol ainda existem cones, como vimos na Copa de 2014, mas não mais no prato inglês! Acabou, por questões de higiene, aquela história de se colocar a porção em um papel envolvo com uma folha de jornal. Agora, a comida é colocada em papeis limpos ou caixinhas apropriadas para o transporte. Em algumas casas, papeis trazem textos impressos como se fossem jornais, mas apenas para resgatar a tradição. www.poppiesfishandchips.co.uk

 

Brick Lane – uma rua com muita gastronomia no descolado bairro de Schoreditch. O Cereal Killer Café (nº.139) tem um nome de gosto duvidoso, com duplo sentido: Jack, o Estripador, famoso Serial Killer teria vivido na região, entre 1888 e 1919. A casa tem mais de 120 tipos de cereais, vindos de diversos países, que podem ser servidos com leites, iogurtes, chocolates e frutas.


Caixinhas do produto ocupam as paredes e existem até quadros de Serial Killers famosos feitos com sucrilhos. Também na Brick Lane, duas lojas (Beigel Bake, 159, e Beigel Shop, 155), ambas 24 horas, concorrem para ter o melhor beigel – lanche típico judaico – da região: há dos puros aos recheados com carne salgada e mostarda; pastrami, salmão, arenque picado com cream cheese e muito mais. Os apaixonados por chocolates não podem deixar de entrar na Dark Sugars, no número 141. É de enlouquecer.

 

 

Tour gastronômico – Do Old Spitafields Market sai um instigante tour gastronômico da Earting Europe (eatingeurope.com) pela região do East End. Por R$ 391, há um passeio de quatro horas por sete casas (entre bares, cafés e restaurantes). Os pontos altos foram um antológico sanduíche de Bacon no St. John Bar & Restaurant  e a grande aula sobre a história da região, durante todo o passeio. Vale muito a pena. O único senão é que a sequência de casas visitadas segue a ordem do mapa, mas não necessariamente o que seria melhor para a degustação. Para a maioria dos paladares, ficaria mais agradável terminar com o doce. www.stjohnrestaurant.com

 

 

PUBs –Nossa reportagem teve um final de tarde deslumbrante no The Founder Arms (52 Hopton Street, na margem sul do Tâmisa, a poucos metros da Tate Modern), com suas ótimas cervejas e comidinhas, muita gente bonita e vista para o próprio Tâmisa e a catedral de St Paul. Para quem quer ter uma visão geral dos pubs, a dica é fazer um passeio com o guia e youtuber gaúcho Rafael Maciel , que vive há seis anos na cidade. No passeio “Pub Crawl Histórico”, de quatro horas (R$ 146 por pessoa) o grupo passa a pé por 15 pubs e entra em quatro deles para beber e conversar, com muitas histórias interessantes, seja sobre os próprios pubs seja sobre outros temas que o “guri” também domina, como a história do rock. www.guriinlondon.com/pub

 

 

Tour do futebol

 

Construída em 1894, a Tower Bridge sempre foi um dos principais símbolos de Londres(foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)
Construída em 1894, a Tower Bridge sempre foi um dos principais símbolos de Londres (foto: Maria Pereira Gontow/ESp. para o EM)

 

As agências de viagens oferecem diversos pacotes exclusivos para o Reino Unido, voltados aos apaixonados por futebol e turismo. Há opções de quatro a seis dias, que incluem Manchester, Liverpool e Londres (seis dias, a partir de R$ 4.582 por pessoa), Liverpool e Londres (cinco dias, a partir de R$ 4.266 por pessoa) e “só” Londres (quatro dias, a partir de R$ 2.629). Não estão inclusos os voos internacionais entre Brasil e a Grã-Bretanha, nem ingressos para os jogos. Para reservas desses pacotes, visite www.abreutur.com.br e vá até a seção Europa – Football is Great. Mais informações também estão disponíveis no site www.visitbritain.com

Viajar no Reino Unido 
Os ingleses inventaram as primeiras locomotivas no início do século 19, o que acelerou a Revolução Industrial. Séculos depois, o invento impulsiona também na Revolução da Indústria do Turismo. Como é fácil viajar de trem através do Reino Unido! O Tour do futebol não é diferente. O melhor jeito para chegar às cidades, com conforto e rapidez, é de trem. Há vários tipos de “pacotes” do BritRail Pass , como 10 dias de viagens ou viagens ilimitadas, durante um mês,  para embarcar nos trens da National Rail Network para cidades da Inglaterra, Escócia e País de Gales. Para quem planeja bem a viagem, geralmente essas opções são vantajosas em relação à compra de cada trecho. www.britrail.com

Para assistir aos jogos 
 A Premier League informa que o turista que viaja por conta própria pode encontrar ingressos nos sites dos próprios clubes. Também é possível adquirir ingressos através da Abreu. www.premierleague.com
VisitBritain é a organização oficial do governo britânico encarregada da promoção do turismo da Grã-Bretanha aos consumidores, ao setor de viagens e à mídia em 21 mercados no mundo, incluindo o Brasil. Informações sobre a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte estão disponíveis em www.visitbritain.comwww.visitbritain.org  www.facebook.com/lovegreatbritain.br.

 

Serviço

 

 

 Onde ficar:

 

 Liverpool 

» The Shankly Hotel - Millennium House, 60 Victoria Street, Liverpool, L1 6JD, UK)
www.shankyhotel.com


 Londres

» The May Fair- Lendário hotel de luxo com um passado glamouroso, o The May Fair foi inaugurado pelo King George V em 1927 e oferece mais de 400 quartos de hotel de luxo, incluindo 12 das mais memoráveis suítes de hotéis da capital, um  discreto spa, restaurante de inspiração mediterrânea e a essência Cassino de 
Londres. – Stratton St, 
Mayfair, London W1J 8LT, UK www.themayfairhotel.co.uk

» Lancaster Garden Hotel - Situado próximo ao Hyde Park
www.lancastergatehotelhydepark.co.uk


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