Publicidade

Estado de Minas FUTEBOL MINEIRO

Cruzeiro: Dor no adeus de Fábio

Jogador que mais atuou pelo Cruzeiro sai e culpa diretoria. Ele aceitaria salário menor, mas diz que o clube ofereceu contrato só até o fim do Mineiro


06/01/2022 04:00 - atualizado 06/01/2022 08:26

Goleiro Fábio
(foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS - 9/2/20)

Depois de 17 anos, chegou ao fim a passagem vitoriosa do goleiro Fábio pelo Cruzeiro. Na noite de ontem,  o jogador que mais vestiu a camisa do clube (976 vezes) se despediu do clube, afirmando que a nova diretoria não ofereceu a opção de continuidade até dezembro nem mesmo com possível redução salarial.

Segundo ele, os responsáveis por conduzir a Sociedade Anônima do Futebol, comandada pelo ex-jogador Ronaldo, propuseram um vínculo somente até o fim do Campeonato Mineiro, de modo que o ídolo da torcida encerrasse a carreira. Mas Fábio, de 41 anos, sentia-se bem fisicamente e mentalmente para continuar atuando até dezembro. Por isso, entendeu que a direção não queria mais contar com seus serviços.

Fábio tinha renovado o contrato com a Raposa até o fim desta temporada, em acordo antes da compra de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol. Em seu texto, ele assume tom emotivo: “Informo a vocês, com o coração apertado, com lágrimas e dor que eu preciso aceitar que não contam comigo no clube, mesmo sabendo que fiz tudo que poderia, aceitando me enquadrar no novo patamar salarial e generosamente equacionando toda a dívida que o Clube tem comigo, relativo a pagamentos atrasados”.

De forma fria e amadora, minutos depois de o goleiro publicar um longo desabafo e informar sua saída, o clube se manifestou por meio das redes sociais. Sem dar detalhes do que motivou a decisão de não renovar o vínculo contratual, a Raposa disse que "chegou a hora de dizer adeus", exaltou o papel do jogador na história celeste e prometeu "uma série de homenagens".

Um exímio pegador de pênaltis, Fábio defendeu 34 cobranças em 17 anos de Raposa
Um exímio pegador de pênaltis, Fábio defendeu 34 cobranças em 17 anos de Raposa (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press %u2013 15/8/18)


Fábio lamentou particularmente a postura de Paulo André, com quem jogou na Raposa em 2015. O ex-zagueiro de Athletico e Corinthians se tornou executivo de futebol e passou a ser o homem de confiança de Ronaldo Fenômeno. “Não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-companheiro de clube”. Indignados, torcedores 'invadiram' o perfil de Paulo André no Twitter com críticas pesadas à nova administração.

O jogador iniciou sua trajetória na Toca da Raposa II há mais de 20 anos, no primeiro semestre de 2000, quando jogou como titular na vitória sobre o Universal-RJ por 2 a 0, em 4 de março, no Mineirão.

Três meses depois, em 9 de julho, era reserva de André no time que bateu o São Paulo de virada, por 2 a 1, também no Gigante da Pampulha, e faturou o tri da Copa do Brasil. No segundo semestre de 2000, Fábio acertou com o Vasco e integrou o grupo campeão brasileiro como suplente de Helton.

Quatro anos e meio depois, em janeiro de 2005, retornou ao Cruzeiro para não sair mais. Desde então, ganhou mais duas Copas do Brasil (2017 e 2018), dois Brasileiros (2013 e 2014), sete Mineiros (2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019) e inúmeros prêmios individuais, como o de melhor goleiro da Série A em 2010 e 2013. Exímio pegador de pênaltis, ele defendeu 34 cobranças como goleiro celeste.

SUBSTITUTO Oficialmente sem Fábio, o Cruzeiro tem apenas Lucas França como goleiro do time principal na pré-temporada 2022. Terceira opção da posição, Vinícius não está nos planos por ter um salário considerado alto. A ideia é tentar rescindir o contrato. A diretoria ainda não decidiu se manterá a negociação com Jaílson, ex-Palmeiras, ou procurará alternativa. Um nome especulado na Toca foi o de Ronaldo, de 25 anos, ex-Vitória.


O desabafo do ídolo


Querida Nação Azul,

Perdão por esses dias de silêncio. Tentei, com todo o meu coração, permanecer no Cruzeiro. Sempre fui transparente e vocês saberão a verdade agora. Meu desejo é permanecer até dezembro de 2022. A renovação do meu contrato foi acertado com o Clube, através do presidente Sérgio Rodrigues em novembro, faltando apenas as assinaturas dos documentos.

Mas essa nova administração não me deu mais essa opção. Quero deixar claro que aceitaria a readequação no novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção. Sempre estive pronto para ajudar o Cruzeiro, inclusive me readequando à nova realidade. Só Deus sabe o que estou sentindo. O Cruzeiro sempre foi para mim muito mais que meu trabalho, foi minha casa, minha família, minha vida.

Ainda nas minhas férias, no dia 28/12, recebi o comunicado da diretoria pedindo uma reunião assim que eu voltasse. Compareci no dia 4 de janeiro: de todo meu coração, segui para o Clube feliz e tranquilo aberto a escutar e ajudar no que fosse preciso, mas para minha surpresa, a atual diretoria foi clara que não desejava contar comigo desportivamente para 2022.

Na reunião estavam o diretor-executivo, Pedro Martins, e Gabriel Lima. Paulo André, na sala ao lado, não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-companheiro de clube. Em nenhum momento da conversa me deram a opção de continuar.

Lutei, insisti e tentei, infelizmente em vão! Deixei claro que sempre estive disposto a receber dentro do teto salarial, inclusive aceitando reduções do novo contrato acertado para 2022 e ficar dentro do novo teto estipulado, mesmo assim, em vão.

Meu único pedido foi que meu contrato se encerrasse em dezembro de 2022 dentro do teto que está sendo praticado. Não me deram outra opção que não fosse finalizar minha vida no Cruzeiro ao final do Campeonato Mineiro. Me disseram que qualquer outro cenário estava inviabilizado e que eu não faço parte do planejamento esportivo para 2022.

Os 3 meses que me ofereceram de contrato só aumentariam a minha dor da despedida, dói escrever isso, me perdoem de coração, sei a dor que eu e 9 milhões de torcedores passamos, dando nossas lágrimas nosso suor e nossa torcida e dedicação para voltarmos no lugar de merecimento da grandeza do Cruzeiro.

A SAF do Cruzeiro quer encerrar minha carreira imediatamente, mesmo estando em plenas condições físicas e técnicas para continuar jogando em alto nível e ajudando o Cruzeiro.

A história que construí no Cruzeiro foi repleta de títulos, mas sobretudo de respeito à instituição, de muito trabalho e suor. São 976 jogos pelo clube.

Informo a vocês, com o coração apertado, com lágrimas e dor que eu preciso aceitar que não contam comigo, mesmo sabendo que fiz tudo que poderia, aceitando me enquadrar no novo patamar salarial e generosamente equacionando toda a dívida que o Clube tem comigo, relativo a pagamentos atrasados.

Mostrei total disponibilidade em negociar o débito de anos anteriores, mas, infelizmente, não fui ouvido. Deixo aqui meu agradecimento à Nação, a cada um dos funcionários do clube.
Amo vocês!

976 vezes, Obrigado!

Eu e minha família choramos neste momento, mas gratos e confiantes que Deus nunca nos desampara. Conto com o carinho e respeito de vocês nesse momento tão difícil.

Fábio


Em sua primeira entrevista na Toca da Raposa, Pezzolano defendeu modelo de jogo com intensidade e sempre buscando o ataque
Em sua primeira entrevista na Toca da Raposa, Pezzolano defendeu modelo de jogo com intensidade e sempre buscando o ataque (foto: RODRIGO SANCHES/CRUZEIRO)


Técnico prega protagonismo


Apresentado como novo treinador do Cruzeiro, Paulo Pezzolano defendeu o protagonismo celeste. O uruguaio avaliou que o time mineiro 'é o maior da Segunda Divisão' e que precisa assumir isso. O comandante apontou que o torcedor poderá esperar uma equipe intensa e sempre buscando o ataque.

"Gosto do 4-3-3, 4-1-3-2, às vezes, com linha de três atrás para dar mais amplitude. Isso depende do time que vou enfrentar. Mas não troco o estilo de jogo. Meu modelo é a intensidade que a equipe tem de ter, ser uma equipe competitiva, ganhadora, para frente", disse.

"Temos de ir para frente contra qualquer equipe. Somos o maior time da Segunda Divisão, temos de assumir isso. Vamos para frente, sempre pensando na área do rival e fazer tudo para ganhar o jogo. Com muita intensidade, com muito coração, muito sangue, que é o mais importante no futebol, e depois bom jogo de bola, que gosto muito", avaliou.

Com o rebaixamento de Grêmio, Bahia, Sport e Chapecoense à Série B, a próxima edição do torneio ganhará um novo nível de dificuldade. Os quatro clubes se juntam a Cruzeiro e Vasco, com participantes donos de 14 títulos da Série A, 14 títulos da Copa do Brasil e seis títulos da Libertadores. Outros campeões nacionais, como Guarani e Criciúma, também disputarão o torneio.

E se depender de Pezzolano, o Cruzeiro não entrará no Campeonato Mineiro só para fazer testes e cumprir tabela. "Obviamente, (o Estadual) vai servir para conhecer mais os jogadores, para que eles se adaptem ao nosso jogo, mas todo jogo vai ser para ganhar. Tentaremos ganhar cada jogo e, pela história do clube, ganhar o campeonato. Algum clube pode estar melhor hoje, está bem, mas vamos fazer o melhor para ganhar o campeonato", prometeu.

AJUSTE Ele terá poucos dias para ajustar o time cheio de caras novas. Chegaram os zagueiros Sidnei, Maicon, de 33 anos, cria celeste e com passagens por Portugal, Turquia e Arábia Saudita, e Mateus Silva, de 26 anos, ex-Ituano. Além deles, os volantes Filipe Machado e Pedro Castro, o meia João Paulo, e também os atacantes Edu (que veio do Brusque) e Waguininho (ex-Coritiba). (TM e RA)

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade