Publicidade

Estado de Minas TÓQUIO 2020

Bem mais que uma derrota

Favorita ao ouro na categoria até 70kg, gaúcha perde em decisão polêmica da arbitragem e revolta ícones do judô brasileiro


29/07/2021 04:00 - atualizado 29/07/2021 00:05

Maria Portela lutou com a russa Madina Taimazova, teve ignorado possível wazari e perdeu por falta de combatividade(foto: Jack GUEZ/AFP)
Maria Portela lutou com a russa Madina Taimazova, teve ignorado possível wazari e perdeu por falta de combatividade (foto: Jack GUEZ/AFP)


Tóquio – O templo sagrado do judô japonês se propõe a ser uma perfeita simbiose das tradições seculares da modalidade e do avanço tecnológico pela justiça desportiva. No Nippon Budokan, o soar do gongo – substituído por um botão na mesa do DJ – desencadeou duas reações dos perdedores que se repetiram ao longo das finais de ontem. Primeiro, o apelo ao VAR como forma de postergar ou evitar uma derrota. Em seguida, o choro instantâneo de quem deixou escorrer pelas mãos o sonho do ouro olímpico. Foi o que ocorreu com Maria Portela.

A gaúcha de 33 anos chegou ao Japão como forte candidata ao pódio na categoria até 70kg, mas, aos prantos, se despediu do lendário tatame nipônico na segunda luta. Na estreia, passou sem dificuldades por Nigara Shaheen, afegã radicada na Rússia que competiu pelo time de refugiados. As oitavas de final reservavam uma adversária de alto nível: a russa Madina Taimazova.

A luta foi tensa desde o início e subiu de temperatura com o início do golden score após o empate no tempo regulamentar. Durante a morte súbita, Portela conseguiu derrubar Madina, mas o árbitro Everardo Garcia não assinalou o wazari, decisão polêmica muito questionada por nomes históricos do judô brasileiro. Quando o confronto se aproximava do 15º minuto – duração recorde até então nos Jogos de Tóquio –, a brasileira foi considerada perdedora por falta de combatividade.

Foi o sinal para que as lágrimas começassem a escorrer. “Eu estou muito triste por não ter conseguido seguir na competição, mas agradeço a Deus por ter chegado até aqui e a todos aqueles que estiveram comigo nessa preparação para que eu chegasse aqui da melhor forma possível”, lamentou a judoca após o combate.

A emoção de Maria Portela comoveu torcedores e ex-judocas. “Uma vida dedicada ao sonho olímpico, e o árbitro após 10 minutos de Golden score definir a luta dessa forma. Deixa os atletas decidirem. Sem contar o wazari que foi nítido antes. Força, Maria Portela, você é nossa vencedora”, declarou Luciano Correa, campeão mundial em 2007.

“Nunca gostei de falar da arbitragem, mas meu Deus, o que foi essa luta? Wazari não marcado e uma punição muito injusta!”, lamentou João Derly, duas vezes campeão do mundo. “Esse árbitro já acabou com o meu sonho nos jogos Pan-Americanos de Toronto trocando o shido faltando segundos para acabar a luta. Agora, fazer uma coisa dessa, acabar com o sonho de um atleta”, desabafou Alex Pombo.

SEM RECURSO

Por mais polêmica que seja a decisão da arbitragem, não é possível contestá-la. À reportagem, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) confirmaram a impossibilidade de pedido de revisão. "Foi uma decisão bem polêmica, mas, pessoalmente, penso que poderia ter marcado (o wazari que daria a vitória a Portela)", comentou o chefe nacional da modalidade em Tóquio, Ney Wilson, em contato com o Estado de Minas e o Superesportes.

A gaúcha de 33 anos preferiu não culpar a arbitragem. “O árbitro, se a gente não define, ele tem que definir. E quem tiver um pouco mais de iniciativa vai levar. Não foi culpa dele. Eu tinha de ter sido mais agressiva, imposto mais o ritmo, por mais que não fosse efetiva, que foi o que ela fez e acabou levando”, disse.

Portela começou a chorar assim que a oponente foi declarada vencedora. Depois de deixar o tatame, enxugou as lágrimas e já mirou a disputa por equipes. “Agora, quero ajudar a equipe para chegar no pódio. Sei que meu ponto é muito importante e o foco é esse, contribuir para que possamos evoluir na competição porque somos um time muito forte”.

Fique ligado

Despertador olímpico #10: dia tem Brasil x EUA, futebol feminino e finais
O Brasil terá grandes desafios entre a noite de hoje e a manhã desta sexta. Nossas equipes enfrentam Argentina (handebol masculino), EUA (vôlei masculino), Canadá (quartas de final do futebol feminino)... E ainda há brasileiros com chances de medalha no judô e nomes importantes da natação indo às piscinas.

Melhor do dia
Atletismo, hoje, 21h
Natação (finais), hoje, 22h30
Boxe (preliminares e quartas de final), hoje, 23h
Judô, hoje, 23h
Vôlei masculino: Brasil x EUA, hoje, 23h05
Futebol feminino: Canadá x Brasil (quartas de final), amanhã, 5h – Holanda x EUA, amanhã, 8h

Brasil em Disputa
Handebol masculino: Brasil x Argentina, hoje, 21h
Rugby de sete: Brasil x Fiji, hoje, 21h
Judô: Rafael Silva e Maria Suelen Altheman, hoje, a partir das 23h
Vôlei masculino: Brasil x EUA, hoje, 23h05
Vela: Marco Grael/Gabriel Borges, amanhã, 0h05
Henrique Haddad/Bruno Bethlen
Fernanda Oliveira/Ana Barbachan, amanhã, 0h15
Robert Scheidt, amanhã, 2h35
Martine Grael/Kahena Kunze, amanhã, 2h50
Saltos ornamentais: Luana Lira, amanhã, 3h
Futebol feminino: Brasil x Canadá (quartas de final), amanhã, 5h
Boxe: Beatriz Ferreira x Shih-Yi Wu, amanhã, 5h
Abner Teixeira x Hussein Eishaish, amanhã, 7h39
Natação: Bruno Fratus, amanhã, 7h16
Etiene Medeiros, amanhã, 7h43
Guilherme Costa, amanhã, 8h40
Revezamento 4x100m medley masculino, amanhã, 9h15
Vôlei de praia: Evandro/Bruno x Bryl/Fijalek, amanhã, 9h

Minas em Ação
Thiagus Petrus
Mineiro de Juiz de Fora entra em ação pela Seleção Brasileira de handebol contra a Argentina, hoje, às 21h

Maurício Souza e Lucarelli
Nascidos em Iturama e Contagem, respectivamente, eles vão fazer um jogaço contra os EUA no vôlei masculino, às 23h05

Debinha, Tamires e Poliana
É mata-mata! Debinha (de Brazópolis), Tamires (Caeté), Poliana (Ituiutaba) e a Seleção Brasileira enfrentam o Canadá nas quartas de final do futebol feminino. A bola rola às 5h de amanhã

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade