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Estado de Minas ENTREVISTA

Com time azarão, técnico mineiro aposta no acesso do Sampaio Corrêa

A sete rodadas do fim da Série B, equipe Leo Condé, com folha salarial de R$ 60 mil, ainda briga pelas últimas vagas na elite


25/12/2020 04:00 - atualizado 25/12/2020 09:14

Em 2015, treinador foi vice-campeão mineiro pela Caldense, superada na final pelo Atlético(foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS %u2013 9/4/15)
Em 2015, treinador foi vice-campeão mineiro pela Caldense, superada na final pelo Atlético (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS %u2013 9/4/15)


Em uma edição da Série B do Campeonato Brasileiro que conta com dois campeões da Série A, Cruzeiro e Guarani, além de outras equipes que já frequentaram bastante a elite, uma das grandes surpresas em 2020 vem sendo o Sampaio Corrêa, com folha salarial de R$ 60 mil (R$ 300 mil, se incluídos todos os direitos). Por trás do sucesso da Bolívia Querida, como o time é carinhosamente chamado pelos torcedores, está um velho conhecido do torcedor mineiro, o técnico Leo Condé.

Nascido em 21 de abril de 1978, em Piau, na Zona da Mata, ele soma mais um bom trabalho ao currículo, que, apesar da pouca idade, já é extenso. “Vamos lutar pelo acesso e, depois, pode ser que surjam novas oportunidades”, afirma o treinador, que começou a carreira nas categorias de base do América e levou a Caldense ao vice do Mineiro de 2015.

Como foi o trabalho de recuperação do Sampaio Corrêa, que saiu da lanterna e se tornou forte candidato ao acesso à Primeira Divisão. É uma surpresa?
Fizemos uma reformulação grande no elenco no início do ano. Tinha uma base e mudamos, achamos necessário. E tivemos dificuldades para encaixar a equipe e definir o modelo de jogo. Ainda veio um surto de COVID-19. Depois, o time foi se estabilizando, achamos uma maneira de jogar, as coisas se encaixaram. E o título do Maranhense ajudou bastante. O Sampaio não ganhava havia dois anos. Já na Série B, começamos mal por uma série de fatores, mas ganhamos do Avaí, na Ressacada, e do Cruzeiro, no Mineirão, o que nos deu muita confiança. Nossa ideia inicial, sinceramente, era permanecer na Série B, evitar aquele ioiô, mas a equipe foi se encontrando, os jogadores foram se conhecendo, o grupo se fechou de tal forma que a gente tem esperança de subir, sim.

Você é mineiro e tem como um dos adversários na briga pelo acesso justamente o América, onde começou a carreira de treinador nas categorias de base. Como você encara a situação?
Comecei nas escolinhas do Tupi e depois, convidado pelo Jair Bala, trabalhei nas categorias de base do América por cinco anos. Tenho muito carinho. Mas acredito que América e a Chapecoense são candidatos não só ao acesso como ao título. E nós estamos brigando com Cuiabá, Juventude e CSA, além de quem está chegando, pelas outras duas vagas.

Caio Dantas, que tem feito muitos gols, também teve passagens por Minas, defendendo América e Coimbra. O que mudou para ele se tornar um artilheiro tão eficaz?
Trabalhei com ele no Botafogo-SP (em 2018), no qual foi artilheiro da Série C, nos ajudou a subir para a Série B. Depois de passar pelo Cuiabá, foi para o Boavista-RJ e, como sempre o monitorei, sugeri o nome dele para o Sampaio. Apesar de não ser muito alto (1,77m), ele tem boa presença na área e também faz bem o pivô, sai da área. Ás vezes, é um meia a mais. E tem uma característica boa como centroavante.

Você foi vice-campeão mineiro em 2015 com a Caldense e depois assumiu justamente o Sampaio. Qual a principal diferença daquele Condé para o de hoje?
A gente sempre tenta melhorar em alguns aspectos. No dia a dia, o modelo de jogo, tudo que surge a gente vai procurando acompanhar, colocar no trabalho. Depois da Caldense tive a oportunidade de trabalhar no mercado paulista (além do Botafogo-SP, treinou o Bragantino), Goiás, CRB, Paysandu. Tudo isso vai dando rodagem. E os títulos (Alagoano’2017 e Maranhense’2020) respaldam. Claro que há lugares em que o trabalho não encaixou, até porque há muito imediatismo. No Sampaio Corrêa mesmo, se não houvesse paciência, poderia não estar aqui hoje. Mas conversamos e o presidente Sérgio Frota sempre apoiou nosso trabalho.

Se sente pronto para assumir algum dos grandes do Brasil?
A ideia é essa, são 20 anos de carreira, 11 no profissional.. Claro que não quero passar o carro na frente dos bois, mas a gente quer estar pronto para assumir desafios maiores. Acredito que sempre mantive o comando, mesmo trabalhando com jogadores renomados, como Walter, Leo Lima. Tudo depende da oportunidade, da oportunidade que surgir.
 
Alguns técnicos revelados em Minas acabaram não vingando nos times principais, como Enderson Moreira, Ney Franco e Rodrigo Santana. Há uma cobrança maior?
Acredito que em Minas não há a cultura que tem em Porto Alegre, por exemplo. Talvez o trabalho que fiz na Caldense, se fosse no Rio Grande do Sul, me daria chance em Grêmio ou Internacional. Foi assim que surgiram Tite e o próprio Luiz Felipe Scolari. Se tiver de voltar a Minas, ficarei muito feliz, mas se não, vou seguir a carreira em outro lugar que ofereça condições de fazer um bom trabalho.

O Sampaio Corrêa oferece boa estrutura? O investimento não é tão grande e o presidente já disse que ninguém está no clube para “ficar rico”…
A estrutura é funcional, precisa melhorar e o presidente sabe disso. O clube oferece o mínimo de condições, está construindo o segundo campo de treinamentos, o que é importante, o departamento médico funciona bem. Mas tem de melhorar, principalmente se subir para a Série A. A vantagem é ter os pés no chão. O Atlético-GO é exemplo, pois usa o dinheiro para melhorar a estrutura, não gasta só com a contratação de jogadores, como outros que sobem para a Primeira Divisão, mas voltam para a Série B todo endividados.

Até que ponto a equipe garantir o acesso significará um salto na sua carreira?
A gente cria a expectativa. Mas ainda temos muitas rodadas, quase uma primeira fase de Campeonato Mineiro, e temos um grupo enxuto. Vamos lutar para conseguir e, quem sabe, surjam novas oportunidades profissionais.
 
PERFIL
LEO CONDÉ
  • Nome completo: Leonardo Rodrigues Condé
  • Nascimento: 21/4/1978, em Piau (MG)
  • Clubes: Tupi (2009/2010 e 2011), Ipatinga (2010), Villa Nova (2011), Nova Iguaçu (2012/2013); Caldense 2014 e 2015), Tupi (2014), Sampaio Corrêa (2015 e desde 2020), Bragantino (2016); Goiás (2016), CRB (2017), Botafogo-SP (2018–2019), Paysandu (2019) e São Bento (2020)
  • Títulos: Copa Rio’2012, Mineiro do Interior’2015, Alagoano’2017 e Maranhense’2020
 

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