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Estado de Minas ESTADUAL

Bem mais que o título

Se conquistar o Campeonato Mineiro sobre o Tombense, Atlético quebrará jejum de duas temporadas sem taça, turbinará o modelo Sampaoli e ainda ganhará gás para o Brasileiro


29/08/2020 04:00

O Galo, do zagueiro Réver, entra com a vantagem do empate no duelo de amanhã, no Mineirão: ainda assim, promessa de ofensividade(foto: BRUNO CANTINI/AGÊNCIA GALO/ATLÉTICO - 7/7/20)
O Galo, do zagueiro Réver, entra com a vantagem do empate no duelo de amanhã, no Mineirão: ainda assim, promessa de ofensividade (foto: BRUNO CANTINI/AGÊNCIA GALO/ATLÉTICO - 7/7/20)

 

Competição de menor peso no ano, o Campeonato Mineiro, por diferentes razões, foi ressignificado na temporada do Atlético. Eliminações precoces na Copa do Brasil e na Sul-Americana, turbulências políticas às vésperas da eleição presidencial e mudanças drásticas no planejamento para 2020 fizeram com que o Estadual, que chega ao fim amanhã, ganhasse importância tanto dentro quanto fora de campo.

 

Por isso, conquistar ou perder o título diante do Tombense, no Mineirão, tende a ter reflexos de maiores proporções que as usuais no ambiente alvinegro. Aos comandados do técnico Jorge Sampaoli basta um empate no jogo de volta da final, marcado para 16h. Afinal, o Atlético venceu a partida de ida por 2 a 1, na quarta-feira, no Gigante da Pampulha. O adversário de Tombos fez a melhor campanha na fase classificatória e entrou nas finais com vantagem, perdida no meio de semana.

 

Para além do objetivo natural de conquistar uma taça, os jogadores alvinegros veem no Mineiro a chance de conseguir o embalo necessário para o Campeonato Brasileiro, principal foco da temporada após as quedas nos torneios mata-mata ainda sob o comando de Rafael Dudamel. Na Série A, o time perdeu duas partidas consecutivas (para Botafogo e Internacional), deixou a liderança e ocupa a quarta colocação.

 

“Ganhando (o Mineiro), com certeza vai dar uma confiança muito maior para a gente no decorrer do Campeonato Brasileiro. Estamos vindo de duas derrotas, mas esse título pode mudar tudo, principalmente a confiança dos jogadores para seguir buscando o nosso objetivo também no Brasileiro, que é ser campeão”, pontuou o lateral-direito Mariano no início da semana, antes mesmo do triunfo no duelo de ida.

 

A responsabilidade de ser campeão aumenta por dois fatores: o favoritismo natural de uma equipe com investimento muito superior e o incômodo jejum de títulos nas últimas temporadas. A taça mais recente conquistada pelo Atlético foi a do Estadual de 2017. Em 7 de maio daquele ano, o time de Elias, Robinho, Fred e companhia derrotou o Cruzeiro no Independência.

 

Depois daquela conquista – então sob o comando de Roger Machado –, o Atlético ficou longe dos troféus. Pior: foi vice-campeão estadual duas vezes consecutivas justamente contra o arquirrival, Cruzeiro. Nas outras competições de lá para cá, não conseguiu ser protagonista.


EFEITO POLÍTICO Fora de campo, a final tem importância grande para o presidente Sérgio Sette Câmara. Eleito no fim de 2017 para um mandato de três anos, o dirigente ainda não conseguiu conduzir o Atlético a nenhum título. Embora o Campeonato Mineiro não tenha a mesma relevância de outras competições, a perda da taça para o Tombense poderia aumentar significativamente a pressão sobre o mandatário.

 

Sette Câmara pretende tentar a reeleição no fim de 2020. Esse foi um dos motivos que o fizeram mudar radicalmente o planejamento para o Atlético nesta temporada. No início do ano, apostou num elenco jovem comandado por Dudamel. O fracasso esportivo motivou o presidente a aumentar os investimentos em reforços e a contratar dois profissionais de peso: o diretor de futebol Alexandre Mattos e o técnico Jorge Sampaoli.

 

O título pode servir como argumento de Sette Câmara para convencer os conselheiros de que a mudança deu certo e que o projeto precisa prosseguir no próximo triênio, já que o Campeonato Mineiro é a primeira competição do Atlético sob a batuta dos novos contratados. Seria, ainda, a tranquilidade necessária para Sampaoli implementar, com mais tempo, a filosofia de jogo desejada.


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