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Estado de Minas FUTEBOL MINEIRO

Dispensa dupla na Toca

Cruzeiro rescinde contratos do lateral Edilson e do meia Robinho alegando questões financeiras. Presidente celeste promete reforços para jogar a Série B do Brasileiro


postado em 06/06/2020 04:00 / atualizado em 06/06/2020 00:06


Em campo, o lateral-direito e o meia em partida do Brasileiro: os dois tinham remuneração acima do teto de R$ 150 mil estipulado pelo conselho gestor(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Em campo, o lateral-direito e o meia em partida do Brasileiro: os dois tinham remuneração acima do teto de R$ 150 mil estipulado pelo conselho gestor (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)


O Cruzeiro comunicou na manhã de ontem que o meia Robinho, de 32 anos, e o lateral-direito Edilson, de 33, foram avisados do processo de rescisão contratual. De acordo com a diretoria, a saída dos jogadores se dá exclusivamente por aspectos financeiros. Em entrevista ao site oficial do clube, o presidente Sérgio Santos Rodrigues explicou a decisão de dispensar os atletas, pediu compreensão aos torcedores e prometeu recorrer ao mercado para reforçar o grupo visando à disputa da Série B do Campeonato Brasileiro.

“Infelizmente, devido ao cenário que envolve o clube nos últimos anos, precisamos chegar a essa decisão extrema. Robinho e Edilson são atletas vitoriosos, que contribuíram para o time com grandes conquistas, e nós os agradecemos muito. Mas a realidade e a necessidade de austeridade do Cruzeiro daqui pra frente nos impõem essa mudança. Um dos principais compromissos da nossa gestão é preservar a saúde financeira do clube, e foi isso o que pesou na decisão. Continuamos, porém, atentos ao mercado para reforçar o elenco dentro da nossa realidade e contamos com a compreensão dos nossos torcedores para o nosso momento”.

Robinho e Edilson faziam parte do grupo de jogadores que tinham remunerações acima do “teto” de R$ 150 mil estipulado pelo conselho gestor no início da temporada. Assim como o goleiro Fábio e o zagueiro Leo, eles aceitaram receber dentro dos limites orçamentários do Cruzeiro, com a diferença sendo parcelada em 20 vezes a partir de abril de 2021. Com salário de R$ 500 mil, o lateral-direito tinha contrato com a Raposa até dezembro de 2020, enquanto o meio-campista, cujo ordenado girava em torno de R$ 450 mil, estava vinculado até o fim de 2021.

No Cruzeiro desde abril de 2016, Robinho disputou 180 partidas, marcou 25 gols e deu 32 assistências. Um de seus momentos mais marcantes foi na final da Copa do Brasil de 2018, quando abriu o placar para a vitória sobre o Corinthians, por 2 a 1, na Arena Corinthians, em São Paulo. Ao mesmo tempo em que se mostrou um jogador de qualidade técnica e boa visão de jogo, enfrentou problemas de lesão em sua passagem pela Toca. O camisa 19 ganhou duas edições da Copa do Brasil, em 2017 e 2018, e duas do Campeonato Mineiro, em 2018 e 2019.

Já Edilson, contratado ao Grêmio em negociação que envolveu os meias Alisson e Thonny Anderson, não conseguiu cair nas graças dos torcedores. Apesar de ter se sagrado campeão da Copa do Brasil, em 2018, e do Campeonato Mineiro, em 2018 e 2019, o lateral-direito alternou bons e maus momentos, sendo por várias vezes substituído em sua posição pelo volante Lucas Romero. Com a camisa celeste, anotou três gols em 75 jogos.

No Campeonato Brasileiro de 2019, Robinho e Edilson ficaram marcados pela péssima campanha que decretou o inédito rebaixamento celeste à segunda divisão. O Cruzeiro terminou o Campeonato Brasileiro em 17º lugar, com 36 pontos (sete vitórias, 15 empates e 16 derrotas), e encerrou um ano manchado por suspeitas de corrupção na administração do ex-presidente Wagner Pires de Sá. De acordo com o balanço financeiro divulgado pelo clube, foi contabilizado um déficit de R$ 394 milhões na temporada passada.

Despedida 

Depois de ter o contrato rescindido pelo Cruzeiro, o lateral-direito Edilson foi ao Instagram para se despedir dos torcedores. Em longa mensagem, ele admitiu ter ficado surpreso com a decisão tomada pelo novo presidente, Sérgio Santos Rodrigues. Apesar disso, garantiu que foi tratado com ‘elegância’ e ‘respeito’ pelos novos gestores da Raposa. “Não posso dizer que não fiquei surpreso com a decisão da diretoria do Cruzeiro. Desde o início do ano tenho feito todos os esforços para colaborar com o momento do clube e cheguei a reduzir meus vencimentos de maneira significativa. Também não foi a maneira que imaginei sair daqui. Um lugar que me recebeu muito bem e onde fui vitorioso conquistando uma Copa do Brasil e dois Estaduais”, escreveu.

“Fica meu lamento pelo projeto não ter sido concluído da maneira imaginada. Mas com muito orgulho de ter jogado no Cruzeiro Esporte Clube. A nova diretoria do Cruzeiro foi transparente e me tratou de maneira objetiva, elegante e respeitosa. Deixo claro também que desejo toda a sorte do mundo às essas pessoas que hoje comandam uma das maiores agremiações do país”, complementou.


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