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Estado de Minas COPA DO BRASIL

No adeus celeste, torcida revoltada

Clima entre torcedores cruzeirenses era de indignação, sem poupar técnico, jogadores e a diretoria após derrota para o Inter. Robinho diz que Mano saiu para blindar os atletas


postado em 08/08/2019 04:00

Num vacilo da defesa celeste, Edenílson aproveitou rebote em cobrança de falta de Guerrero para fazer o 1 a 0 dos gaúchos(foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)
Num vacilo da defesa celeste, Edenílson aproveitou rebote em cobrança de falta de Guerrero para fazer o 1 a 0 dos gaúchos (foto: RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)


Bicampeão da Copa do Brasil (2017 e 2018), bicampeão mineiro, a despedida do técnico Mano Menezes depois de três anos e um mês à frente do Cruzeiro foi melancólica. Sob vaias, ele deixou o Mineirão depois da derrota por 1 a 0 para o Inter fazendo o sinal de “aguardem, aguardem” para a torcida.

O clima entre os torcedores, porém, era de revolta mesmo antes do começo da partida, incomodados com o jejum de vitórias, a falta de gols, a desclassificação na Libertadores e a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Para piorar, agora o risco de cair na Copa do Brasil.

“É uma situação difícil para mim, torcedor, ver o time assim. Nunca, pelo que me lembro, vi o time perder sem criar chance de gol. Agora, não ataca, não vai pra cima. Não consegue. Isso é muito triste. Essa não é a tradição do Cruzeiro. Sou grato por tudo o que o Mano fez, nos deu, mas acho que não dá mais”, dizia o administrador de empresas Luiz Felipe Vilela, de 28 anos, ainda antes de consumada a saída do treinador.

Ao lado dele, o gerente comercial Douglas Santos, de 28 anos, outro indignado com a situação celeste. “O Robinho já havia dito numa entrevista, há muito tempo, que não dava mais para jogar assim. Que o time tinha de atacar e tinha de ter atacante. Não é possível ficar assim”, cobrava, apontando para o perfil excessivamente defensivo da equipe.

O artista plástico Carlos Ferrer, que completa hoje 63 anos, vê outro tipo de problema. “Tem jogador que não tem condição de jogo. Não deveria estar em campo. Cito o Thiago Neves, que não aparece para o jogo, que não finaliza. O time é mal treinado. Quer saber, parece um bando de maluco dentro de campo, que não tem objetivo. A torcida não merece isso.”

Alguns estavam mais pessimistas, como Carlos Antônio Expedito, de 48 anos, que esbraveja não só pela Libertadores e Copa do Brasil, mas também pelo Brasileiro. “Olha, com esse time corre risco de cair para a Segunda Divisão. E se isso acontecer, nunca mais volto ao estádio. Não sou torcedor de time pequeno.”

Próximo dele, Carlos Augusto Gomes, de 52 anos, médico, tentava acalmar o amigo. “Não é assim. Não podemos abandonar o time. Temos de continuar juntos. O que temos de fazer é lutar contra essa diretoria corrupta. Temos é de nos manifestar para tirar essa diretoria, que tinha de ser toda destituída. O que acontece dentro do campo é reflexo do que existe hoje nos bastidores”, criticou, lembrando os inquéritos que investigam corrupção e lavagem de dinheiro no clube.

Se havia ira entre os torcedores, a comissão técnica e os jogadores estavam desolados. Mano Menezes se apressou para deixar o campo. Foi o primeiro a descer para o vestiário, onde definiria os detalhes de sua saída com a diretoria. Atrás dele, Dedé, Fred, Leo, Dodô, Sassá, Robinho, cabisbaixos, com cara de raiva, mas em silêncio.

REAÇÃO O armador Thiago Neves, sem saber que Mano deixaria o clube, saiu em defesa do treinador. “Quando eu estive em situação ruim, ele esteve do meu lado. Agora, estou do lado dele. Estou com ele”. E manteve a confiança num resultado positivo em Porto Alegre. “Não adianta o torcedor xingar o treinador, ele é o que tem menos culpa. Cabe a nós, jogadores, resolver. A vantagem do Inter pode ser revertida lá. Temos condições de fazer isso”.

Emocionado, Robinho lamentou a queda do técnico e admitiu que ele assumiu o ônus para blindar os atletas. “O Mano é inteligente demais. Está saindo para proteger os jogadores. Está dando tempo para outro profissional chegar e trabalhar. Eu não gostaria que ele saísse. Se pudesse, pediria para ficar, mas não depende só de nós, jogadores”. (com Paulo Galvão)


Raposa em baixa

1
vitória em 18 partidas

8*
jogos seguidos sem vencer

8
empates

9
derrotas

8
partidas sem marcar

* Incluindo Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores

ATUAÇÕES


CRUZEIRO

FÁBIO (Nota 7)
Com três grandes defesas no segundo tempo, impediu um vexame maior

OREJUELA (Nota 5)
Se movimentou bem, aparecendo sempre no ataque, mas sem efetividade

DEDÉ (Nota 6)
Com pouco trabalho na marcação, tentou ir à frente ajudar o ataque

LEO (Nota 5)
Mais comedido que o companheiro, mas igualmente participativo

DODÔ (Nota 5)
Ficou com a vaga de Egídio para dar mais dinâmica à lateral esquerda, mas não conseguiu

HENRIQUE (Nota 6)
Participou ativamente da armação das jogadas, que não foram aproveitadas mais à frente

ARIEL CABRAL (Nota 5)
Com o Inter recuado, pôde ir à frente para tentar ajudar a armação, mas se confundiu com os companheiros. O jovem MAURÍCIO (Nota 4) o substituiu numa verdadeira fogueira

ROBINHO (Nota 6)
O mais lúcido na armação das jogadas, o que não quis dizer muita coisa. Saiu para a entrada de um esforçado MARQUINHOS GABRIEL (Nota 5)

THIAGO NEVES (Nota 3)
Novamente pareceu sem ritmo, tendo dificuldades em lances em que antes resolveria facilmente

PEDRO ROCHA (Nota 6)
Errou mais do que o normal, demorando para definir os lances, mas não deixou de lutar

SASSÁ (Nota 5)
Teve duas boas chances no primeiro tempo, mostrando oportunismo, mas finalizou mal. Substituído por FRED (Nota 4), que pouco apareceu

MANO MENEZES (Nota 5)
Tentou um fato novo escalando Dodô e Sassá, mas não obteve sucesso, até porque jogadores como Pedro Rocha e Thiago Neves, que poderiam auxiliá-los, não estiveram bem. No fim, colocou o jovem Maurício

INTERNACIONAL
Aos 35 anos, o atacante PAOLO GUERRERO (Nota 7) comandou o triunfo do Colorado armando jogadas e se posicionando bem. Ainda participou do lance do gol, cobrando a falta. Destaque também para EDENÍLSON (NOTA 7)

ARBITRAGEM
O árbitro LUIZ FLÁVIO DE OLIVEIRA (Nota 9), de São Paulo, acertou praticamente todas as marcações, mostrando muita segurança. Também foi bem na parte disciplinar, até porque os jogadores de ambas as equipes colaboraram. Os assistentes também foram bem



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