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Estado de Minas

Decepção da China Azul

Torcida fez bonita festa no Mineirão, mas saiu frustrada com a eliminação e com a forma de jogar do time. Muitos torcedores chegaram atrasados e houve tumulto em alguns portões


postado em 31/07/2019 04:09



Uma terça-feira que começou com empolgação, esperança por parte do torcedor cruzeirense foi se transformando, com o cair da noite, em tensão, depois desespero, drama e, enfim, a decepção pela derrota nos pênaltis e a eliminação da Copa Libertadores.

O tão sofrido torcedor do Cruzeiro, que nos últimos dois meses vive o drama de uma administração cercada por denúncias, investigadas pela Polícia Civil, e vê o time patinando no Brasileiro, rondando a zona de rebaixamento, tinha a esperança de que na Libertadores tudo seria diferente.

Mas não foi bem assim e a palavra revolta explica bem o sentimento do torcedor. Dona Derly Diniz, de 75 anos, saiu de casa com a certeza de que teria uma alegria na noite de ontem. Foi ao estádio com os filhos, mas a atuação da equipe mineira a deixou quase sem palavras. “Meu coração está lá dentro de campo. Não é possível que não consiga vencer.”

O tempo vai passando. Chega o segundo tempo e nada do time fazer gol. “Não é possível. Mas tenho a esperança de que vai dar certo. Ainda vai marcar. E se for para o pênalti, o Fábio vai pegar”, dizia ela, esperançosa.

Era um dia diferente para alguns torcedores. No caso do administrador de empresas Dione Lamas, de 50, e seu filho, Theo, de 9, que vivem em Juiz de Fora, o Mineirão foi parada obrigatória antes de voltar pra casa. “Estávamos de férias em Brasília, na casa de parentes. O Theo me pediu para pararmos em Belo Horizonte e que viéssemos ao Mineirão. Foi o que fizemos. A esperança, ver uma vitória. É a primeira vez do meu filho no Mineirão”, explicou Dione.

Empolgação também não faltou estudante de odontologia, em Recife, Diego Gonçalves, de 21, que veio para BH por causa da namorada, Isabel Chaves Araújo, de 20, e pelo jogo. Nem mesmo uma forte torção no tornozelo direito o desanimou. “Vim de muletas mesmo. Não iria perder esse jogo por nada. Ainda mais que passo o ano longe do Cruzeiro. Torci o pé, mas sem problema, estou aqui no estádio, com minha namorada.”

Mas, no fim da partida, o sentimento de dor, de sofrimento, para ser esquecido. “Não pode jogar assim, atrás o tempo todo”, disse Diego. Theo saiu frustrado. “Eu queria poder contar que vim ao Mineirão e o Cruzeiro venceu.” E dona Derly não disse mais nenhuma palavra depois da confirmação da desclassificação.

E talvez as palavras do desabafo de Hudson Marra sintetizem bem o sentimento do cruzeirense. “Vamos aplaudir. A Série B, assim, nos espera. Três volantes jogando em casa, precisando ganhar o jogo. É demais. Um dia a casa cai.”

Do lado argentino, um dia totalmente diferente. Chegaram tranquilamente ao Mineirão, se dirigiram para o local determinado, à esquerda da tribuna de imprensa. No entanto, o que se via em todos, seja no bar ou na arquibancada, era só alegria.

Cânticos de estímulo ao time, Vamo, vamo, vamo, vamo, vamo, vamo, vamo, vamo, River, River, River...” ou “River va salir campeón, va salir campeón...” E no final do jogo, depois da cobrança de pênaltis, uma grande festa. Cantaram na arquibancada até uma hora depois, festejando. Só então, puderam deixar o estádio, escoltados pela Polícia Militar.

TUMULTO Quando o jogo começou, 15 mil torcedores ainda não haviam entrado no Mineirão. Pior, muita gente nem sequer tinha conseguido chegar às imediações do estádio. As avenidas de acesso ao Mineirão Carlos Luz (Catalão) e Antônio Carlos, estavam engarrafadas. Já haviam transcorrido 15 minutos de jogo e em alguns portões, filas, em outros, tumulto pelo acúmulo de pessoas que queriam entrar.


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