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Estado de Minas

Conselho vai abrir sindicância

Zezé Perrella afirma que todas as denúncias precisam ser apuradas internamente, diz ter faltado coragem aos conselheiros fiscais que renunciaram e se arrepende depois


postado em 29/05/2019 04:07

"Se eles renunciaram, pra mim faltou coragem. Tinham outro caminho" Zezé Perrella, presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, sobre os conselheiros fiscais que se afastaram. Horas depois da declaração, ele se retratou, dizendo que falou isso de forma intempestiva (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 29/9/17)


As denúncias de irregularidades envolvendo a diretoria do Cruzeiro continuam gerando consequências no clube. Ontem, os suplentes do Conselho Fiscal do clube, Valter Batista e Daniel Faria, renunciaram aos cargos, seguindo o que haviam feito no início do mês os integrantes efetivos Geraldo Luiz Brinat, Ubirajara Pires Glória e Celso Luiz Chimbida. Como o órgão de fiscalização está sem membros, o presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella convocou reunião extraordinária para recompô-lo em 13 de junho.

Mas não sem criticar os que abandonaram o barco alegando falta de transparência da administração Wagner Pires de Sá. “Os membros do Conselho Fiscal renunciaram quando não deveriam. Eles têm o poder de convocar auditoria, mas não o fizeram, preferiram sair. Poderiam ter tido acesso a tudo que quisessem, mas optaram pela renúncia”, afirmou Perrella, que comandou o clube celeste entre 1995 e 2002 e entre 2009 e 2011. 

Em entrevista ao site Superesportes também ontem à tarde, Perrella disse ter faltado “coragem” aos conselheiros que renunciaram. Diante da repercussão da declaração, o dirigente procurou a reportagem três horas depois da publicação para se retratar: “Tenho o maior respeito por todos os conselheiros que renunciaram ao Conselho Fiscal. Renúncia é sempre decisão de foro íntimo. Sobre coragem, reconheço que não deveria ter colocado dessa forma. Falei de forma intempestiva”.

Ele demonstra especial cuidado ao comentar as denúncias feitas pela TV Globo em reportagem exibida no Fantástico, domingo. A diretoria do Cruzeiro é acusada de crimes como falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. “Não quero tratar disso publicamente, é um problema interno e o Cruzeiro já foi exposto demais”, diz o presidente do Conselho Deliberativo, reafirmando o desejo de que tudo seja apurado de forma rigorosa. “O importante é que vamos instaurar sindicância para apurar tudo. Quem tiver responsabilidade vai arcar com ela. Só não quero pré-julgamento, condenar antes de ser tudo apurado.”

Em entrevista à emissora carioca, Ubirajara acusou a diretoria celeste de não entregar “nenhum recibo, nenhum contrato” ao Conselho Fiscal para justificar a renúncia. Os integrantes teriam se sentido de mãos atadas para saber como as finanças estão sendo tratadas pela atual administração – a dívida do clube já ultrapassa R$ 500 milhões.

Na segunda-feira, durante entrevista coletiva na Toca da Raposa II, o vice-presidente executivo de futebol, Itair Machado, deu outra versão para os fatos. Segundo ele, os dados foram enviados. Se não satisfizeram os integrantes do órgão fiscalizador, é porque há partes confidenciais. “Não podíamos abrir contratos, mostrar, por exemplo, quanto atleta ganha”, disse, alegando “razões de segurança”.

Há ainda acusações de que a diretoria tem contratado conselheiros como funcionários para garantir a aprovação de propostas de seu interesse, inclusive o balanço anual e a tomada de empréstimo de R$ 300 milhões no exterior. Para evitar esse tipo de prática, Zezé Perrella quer obrigar quem assumir cargo no clube – “como pessoa física ou jurídica” – a abrir mão da posição no Conselho Deliberativo.

INVESTIGAÇÕES A Polícia Civil continua investigando as ações da administração celeste, tanto anteriores quanto a atual. Há ainda a possibilidade de o clube ser punido por CBF e Fifa, inclusive com rebaixamento no Campeonato Brasileiro, por ter oferecido parte de direitos federativos de atletas, inclusive um de 12 anos e que nem pode ter contrato de trabalho, como garantia de pagamento de empréstimo de R$ 2 milhões feito por empresário.


QUATRO PERGUNTAS PARA...
Zezé PerrelLa, presidente do Conselho Deliberativo celeste

1) Como presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, como você viu as denúncias apresentadas pelo Fantástico, da TV Globo, envolvendo a cúpula da diretoria executiva?
Eu não vou expor. Qualquer declaração causaria tumulto, eu sei da minha importância dentro do Cruzeiro. Neste momento, a minha função é de presidente do Conselho, não faço parte da direção executiva. O Conselho Fiscal é autônomo, não é eleito comigo. É uma chapa separada. Cabe a ele fiscalizar as contas do Cruzeiro. O Estatuto nem me permite fazer isso. Cabe ao Conselho Fiscal apurar. Se eles renunciaram, pra mim faltou coragem deles. Eles tinham outro caminho. O estatuto prevê que o Conselho Fiscal pode contratar uma auditoria.  Estou fazendo uma comissão de sindicância, composta por três membros, que vai ter acesso a toda documentação do clube. Na parte de salário de jogador, tem confidencialidade.

2) Como encara a diretoria ter colocado uma criança de 11 anos como garantia de um empréstimo financeiro? Você já tinha visto isso no futebol?
Não estou defendendo ninguém. Eles (dirigentes) entenderam que todos os jogadores são ativo do clube. Eu não tenho acesso aos documentos. Isso é papel do Conselho Fiscal. Eles deram (parte dos “direitos”) como garantia de pagamento. Se amanhã algum deles for vendido, esse senhor (Cristiano Richard, que emprestou o dinheiro) poderia revindicar os R$2 milhões. Seria só uma garantia. Se tivesse repassado os direitos por aquele valor, seria um negócio muito preocupante. Eu posso dar um bem meu de R$50 milhões para garantir uma dívida de R$ 200. Foi isso que fizeram. Eu jamais daria isso como garantia. Mas acho que as explicações foram razoáveis. Não estou aqui para passar a mão na cabecinha de ninguém.

3) Você vê possibilidade de interrupção do mandato do Wagner Pires de Sá?
No momento, não. Não vou em momento nenhum pré julgar, até porque já fizeram muito isso comigo. Independentemente de denúncia, essa comissão de sindicância vai ter acesso a toda documentação. Essas irregularidades vão ser investigadas, se de fato existirem. Não só pelo Conselho Fiscal, a gente também, através dessa sindicância. Não sou situação nem oposição do Cruzeiro.

4) Essas denúncias afetam a imagem do clube? 
O estrago que um negócio desse faz, de credibilidade, em nível de arrumar empréstimo... foi terrível. Não estou dizendo que foi desnecessário, mas esse tipo de exposição não é boa para ninguém. Qual empresa gosta de ser exposta assim? Mas não estou discutindo o teor da reportagem, a imprensa está aí para denunciar mesmo. (Tiago Mattar)
 
 


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