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Estado de Minas

Mães brasileiras não têm o que comemorar


postado em 12/05/2019 05:06

Hoje é Dia das Mães, e parabenizo a todas as mães do Brasil e do mundo. Só que as mães brasileiras, que gostam do futebol, não têm o que comemorar. Vivemos o pior momento da nossa história no esporte bretão, com jogos sofríveis, técnicos enganadores e milionários, ex-jogadores em atividade ganhando fortunas como se estivessem na Europa. Por falar no Velho Mundo, que maravilha o futebol inglês. Os inventores do esporte farão a final da Champions League, com Liverpool e Tottenham, e a final da Europa League, com Arsenal e Chelsea. Por que será que os times da terra da Rainha estão reinando no mundo?

Primeiro, pela organização. Segundo, pela qualidade dos técnicos que lá trabalham. Terceiro, pelo talento dos jogadores e o comprometimento profissional. Não vi nenhum jogador das equipes finalistas mandando mensagens agressivas aos derrotados ou fazendo memes. O respeito profissional é fundamental entre companheiros de trabalho, que são adversários, não inimigos. A Premier League é a melhor do mundo. E olha que nem todas as equipes têm dinheiro para investir em grandes astros, mas a divisão de cotas, igualitária, permite a uma equipe mais fraca ter boa receita.

Vejam o Tottenham, finalista da Champions. Gastou R$ 5 bilhões para a construção do novo estádio, inaugurado recentemente. O técnico argentino Maurício Pochettino não teve dinheiro para contratar – exceto por Lucas Moura, contratado em janeiro de 2018 por R$ 83 milhões. Mesmo assim, Pochettino, que é técnico de verdade e não enganador como a maioria dos técnicos brasileiros, deu padrão de jogo, definiu um esquema e contou com a colaboração de jogadores profissionais. O resultado está aí. Um time mediano que chega, pela primeira vez, à final da Champions. Se perder a taça – o que é bem provável, pois o Liverpool tem mais time e um técnico tão bom quanto Pochettino –, seu torcedor vai comemorar do mesmo jeito. Um reconhecimento ao trabalho. Como a decisão é em jogo único, em Madri, em 1º de junho, não é impossível ao Tottenham vencer. Acho improvável!

O futebol inglês ficou fora da Champions por alguns anos. O mau comportamento de seus torcedores proporcionou tal punição. Os hooligans foram dizimados, os clubes se fortaleceram e criaram um novo modelo na Premier League. Vale lembrar que o time teoricamente mais rico, pelo dinheiro dos príncipes catarianos, o Manchester City, de Guardiola, poderá ser apenas campeão inglês. O United, que dizem ser o time mais rico do mundo, com dono americano, não chegou a lugar algum. Foi o estrago feito pelo português José Mourinho, marrento e ultrapassado como a maioria dos técnicos brasileiros. Admiro os técnicos argentinos por serem estudiosos, trabalhadores e honestos. Por isso, dão certo em qualquer lugar do mundo. Numa das últimas edições de Copa América, tivemos quatro seleções finalistas treinadas por argentinos. Sinal de que são realmente bons na matéria.

Já os brasileiros não conseguem trabalhar fora do Brasil, exceto no mundo árabe. Nem os japoneses os querem mais, pois sabem que não têm nada a acrescentar. Por aqui, ganham fortunas, enganam torcedores e ficam ricos. Tem uns aí que jamais ganharam um Brasileiro ou uma Libertadores, mas têm uns três prêmios de Mega Sena na conta, fruto da irresponsabilidade de dirigentes que pagam o que podem e o que não podem para esses enganadores. Edu Gaspar, que vai ser diretor esportivo do Arsenal a partir de julho, deve querer levar Tite para o Velho Mundo. Duvido que ele dê certo no futebol inglês. Primeiro, porque não fala a língua. Segundo, porque não tem o que acrescentar ao futebol da terra da Rainha. É um técnico bem comum, que nos enganou nas eliminatórias, jogando contra equipes fracas, mas que mostrou sua verdadeira face naquele jogo contra a Bélgica.

Lamento, queridas mamães, pois gostaria muito de estar enaltecendo o nosso futebol. Mas não sei mentir, nem tampouco iludir, principalmente num dia tão especial. Sei que é duro ouvir verdades, mas o nosso futebol está retratado dessa forma porque o que estou escrevendo as senhoras têm visto ao longo dos anos. Que saudades de Telê Santana, Carlos Alberto Silva, Osvaldo Brandão, Cláudio Coutinho e tantos outros treinadores que visavam ao futebol-arte, que exigiam profissionalismo de seus comandados. Hoje há um bando de mercenários, que só querem usurpar o dinheiro do clube sem dar contribuição ao futebol. Claro que há exceções. Porém, não conseguiremos juntá-las em uma mão, o que é preocupante e desanimador. Parabéns às mamães inglesas. Terão um fim de temporada brilhante. Os inventores do esporte bretão estão com a bola cheia.


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