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Estado de Minas

Sinal amarelo na Toca

As últimas atuações do Cruzeiro mostraram que há pontos a corrigir. O lado positivo dessa história é que o próprio Mano Menezes reconhece isso


postado em 10/05/2019 05:07



Uma das lições que aprendi com um dos meus mestres no jornalismo, Arnaldo Viana, é que jornalista não deixa pergunta no ar. A missão do jornalista é, por princípio, buscar respostas. Essa lembrança me veio à mente quando comecei a questionar se o sinal de alerta já estava aceso no Cruzeiro, diante dos comentários feitos por torcedores, cronistas esportivos e até pelo técnico Mano Menezes e por alguns jogadores celestes após a derrota por 2 a 1 para o Emelec, no Mineirão – que deixou a Raposa com o segundo lugar geral na Copa Libertadores. À Raposa, bastava o empate em casa, tudo parecia muito favorável, mas a equipe vacilou e deixou cair no colo do Palmeiras (que fez a parte dele e venceu o San Lorenzo, no Allianz Parque) a liderança entre os 32 participantes da fase de grupos do torneio continental. Cá com os meus botões, pensei: “Quando é que o sinal amarelo se acende no futebol?”.

Busquei então elementos para tentar elucidar a questão. E ficou claro que, mais do que os resultados, as últimas atuações do Cruzeiro devem ter rendido pelo menos uma ruguinha a mais em Mano Menezes. No mínimo, elas mostraram que há pontos a corrigir. O lado positivo dessa história é que o próprio treinador reconhece isso.

Digo positivo porque em circunstâncias semelhantes não são poucos os personagens do futebol que renegam a realidade, até como forma de proteção. Como se admitir fraquezas fosse um defeito, ou diminuísse o time. Ora, se os adversários já enxergaram brechas no esquema de jogo celeste, e passaram a explorá-las, como ficou evidente nas rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro (inclusive nas vitórias suadas sobre Ceará e Goiás, no Mineirão), seria incoerente o próprio técnico fingir que está tudo muito bem, obrigado.

Há alguns dias, Mano já havia freado análises mais entusiasmadas que pintaram por aí ao dizer que o Cruzeiro vinha fazendo uma temporada eficiente, porém distante do caráter avassalador imprimido em alguns comentários. Em outras palavras: a Raposa construiu, com méritos, a campanha até então invicta na Libertadores e também fez valer sua superioridade na conquista do título mineiro. Mas não quer dizer que tenha sido tudo às mil maravilhas, sem sustos no caminho. Nas duas partidas contra o Atlético mesmo, pelas finais do Estadual, esperava-se um domínio muito maior da equipe cruzeirense, até pelas condições em que o Galo chegou aos confrontos, e não foi o que se viu.

Depois da partida contra o Emelec, Mano adotou o mesmo discurso bem realista e, por assim dizer, comedido. “Não somos um time imbatível”, destacou, ao falar do fim da invencibilidade do time e da defesa celestes na Libertadores. “O fato de ter tomado dois gols (do Emelec) não é o fim do mundo. Não é bom, claro que não é bom, mas não somos uma defesa imbatível,  Tivemos outros jogos em que quase sofremos gols, e o Fábio fez grandes defesas. Isso é o menos importante de tudo isso. A expectativa quem cria é fora”.

O armador Thiago Neves também não pôs panos quentes nas últimas exibições da Raposa. “O time está jogando mal, precisa melhorar muita coisa. O jogo está sendo muito abaixo do que poderia ser, pela qualidade do grupo. A equipe vem fazendo muita força para tentar jogar o que sabe. Precisamos melhorar, isso está nítido”, afirmou.

Sim, o sinal amarelo foi ligado. Não (apenas) por causa da derrota para o time equatoriano. Não (apenas) pelo fato de a Raposa ter deixado escapar a chance de ir para as oitavas de final da Libertadores com a melhor campanha e, consequentemente, a vantagem de decidir em casa até a semifinal. Não (apenas) pelos riscos corridos diante do Ceará – graças a mais uma exibição maestral do goleiro Fábio, a vitória não escapou. Não (apenas) pela inconstância demonstrada nos jogos da final do Mineiro contra o Atlético. É pelo conjunto da obra, por tudo o que levou a esse cenário.

O Cruzeiro tem um grupo forte e um treinador vencedor. Tem elementos para garantir a regularidade na temporada e buscar o objetivo que mais cobiça: voltar ao topo da América. Para tanto, não pode ignorar os sinais. E Mano parece bem consciente disso.


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