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25 anos sem Senna

Foi em 1º de maio de 1994 que o mundo perdeu um dos maiores pilotos da história e o Brasil ficou órfão de um ídolo. Sua determinação ficou de exemplo para as novas gerações


postado em 30/04/2019 05:08

Senna comemora a vitória no GP do Brasil, em Interlagos(foto: JÚLIO PEREIRA/AFP - 28/3/93)
Senna comemora a vitória no GP do Brasil, em Interlagos (foto: JÚLIO PEREIRA/AFP - 28/3/93)



Seu capacete amarelo com uma faixa azul e outra verde fez história nas pistas e sua genialidade marcou uma geração que aprendeu com o tricampeão da Fórmula 1 Ayrton Senna, para muitos o maior mito esportivo do Brasil, a agitar com orgulho a bandeira do país.

Quando o piloto, com apenas 34 anos, se chocou em 1º de maio de 1994 contra o muro da curva Tamburello, no circuito italiano de Imola, não emudeceu apenas uma nação. O acidente comoveu milhões de pessoas que assistiram na televisão, ao vivo, à triste despedida do carismático e polêmico ícone.

Vinte e cinco anos depois, sua imagem segue associada a marcas comerciais e campanhas sociais: ele é o último grande ídolo brasileiro, para alguns inclusive maior do que o mítico rei Pelé.

“Vivíamos os anos 1980, com hiperinflação, ditadura militar, não fazia muito sentido sentir orgulho do Brasil, mas o Senna saiu pelo mundo levando a bandeira como um símbolo que encheu de orgulho tantos brasileiros”, diz Alexander Grünwald, jornalista especializado em automobilismo.

Segundo Grünwald, o legado de Senna foi “transformar o esporte”. Seu diferencial, além de ser um piloto excepcional, foi o de atender a outros aspectos, como a preparação física e mental, entender o veículo e a tecnologia e cuidar de sua imagem.

Uma pesquisa realizada em 2014, no 20º aniversário de sua morte, mostrou que 47% dos moradores de São Paulo, sua cidade natal, consideravam Senna o maior nome do esporte nacional. Pelé aparecia em segundo lugar, com 23%.

“O Pelé viveu uma época em que as pessoas ouviam os jogos de futebol pelo rádio ou liam no jornal. Elas não viveram esse período com a mesma intensidade e emoção. Já com o Senna, os domingos eram com a família na frente da televisão”, explica Grünwald.

Amanhã, será celebrado um “Senna Day” no autódromo de Interlagos, em São Paulo, com atividades esportivas e culturais.

 

 

Determinação e dedicação O paulistano conquistou três vezes o título da F-1 (1988, 1990 e 1991) com a McLaren, equipe na qual brilhou de 1988 a 1993, vencendo um Grande Prêmio de cada três (35 em 96 participações). Os primeiros anos na escuderia foram marcados por sua famosa rivalidade com o francês Alain Prost, companheiro de equipe, que depois de tantas brigas travadas em público ajudaria a carregar o caixão de Senna, visivelmente emocionado.

“Esta rivalidade foi incrível mas estava também ligada a toda a cena e, infelizmente, a morte de Ayrton a deixou congelada. Na realidade, eu só corri dois anos com ele na mesma equipe, e só quatro ou cinco anos no total (com os dois lutando pelo título). Fiz muitas coisas, ganhei muitas corridas e campeonatos sem ele, mas nossa história está completamente ligada. Não há um momento em que, se você fala de Prost, não mencione Senna e vice-versa. Não só minha carreira, mas também minha vida está ligada a ele. Vivo com isso há cerca de 30 anos”, revela Prost.

Esse antagonismo é talvez o ponto mais controverso de sua biografia, abordado em livros e documentários. “Claro que não era perfeito (...) teve rivalidades dentro da pista, mas seus aspectos positivos superaram os negativos”, defende o jornalista Fred Sabino, especializado em Fórmula 1.

 

Quando as pessoas próximas ao piloto falam de sua trajetória, determinação e dedicação são as palavras mais repetidas. São também os valores exaltados pelo Instituto Ayrton Senna, que sua irmã Viviane fundou em 1994 para oferecer oportunidades a crianças em situação de pobreza.

Em vídeos, Senna aparece carismático e sorridente. Em forma e atraente, em alguns momentos parecia genuinamente exaltado, feliz até as lágrimas ou duro devido à tensão. Outras imagens exibem um jovem da classe alta brasileira que desfrutava dos prazeres da vida de campeão de um dos esportes mais caros do mundo.

Teve romances com Xuxa e com Adriane Galisteu, que era então uma jovem modelo com quem compartilhou seus últimos meses de vida.

Um marco Antes de Senna, Emerson Fittipaldi (campeão em 1972 e 1974) e Nelson Piquet (tricampeão em 1981, 1983 e 1987) colocaram o Brasil no mapa do automobilismo mundial. Mas a linha foi cortada.

“Senna foi o terceiro piloto em uma linhagem de campeões (...). Mas no automobilismo existe essa coisa cíclica. Os nomes que vieram depois acabaram sofrendo um pouco com as reclamações de um fanatismo que estava acostumado às vitórias”, comenta Sabino.

“Senna era o Brasil que funcionava, o grande ídolo, um super-herói (...) Acabou morrendo na pista, o que também ajudou na consolidação do mito”, conclui.

A esperança brasileira na Fórmula 1 está depositada em dois jovens pilotos: o mineiro Sérgio Sette Câmara e Pietro Fittipaldi. Sette Câmara tem 20 anos, disputa a Fórmula 2 e é piloto de testes da equipe McLaren. Pietro, de 22, é neto do campeão Emerson Fittipaldi e participou dos testes da F1 nesta pré-temporada, em Barcelona.


ASSIM ERA SENNA
“O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras – acho que estou entre elas – aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação”

“O dia que chegar [a morte], chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que ela vai chegar”

“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio-termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz”


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