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DA ARQUIBANCADA

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postado em 17/04/2019 05:05

Correram para o Ginásio do Horto

A obsessão por destruir o Cruzeiro não começou com Alexandre Kalil e o seu 6 a 1. Ela vem de longa data. Talvez dos tempos em que o velho estadinho do Barro Preto quase foi incendiado, em 1942. Ou da frustração por assistirem ao Mineirão se tornar o palco azul de Tostão, Dirceu Lopes e Alex. Desconfio também ter surgido da inveja provocada pelas academias montadas pelos geniais Felício Brandi e Carmine Furletti. Quiçá, o conjunto da obra, que, em tão pouco tempo, fez do Cruzeiro/Palestra o único gigante de Minas frente aos clubes da elite historicamente beneficiados por políticos, árbitros e federações.


A irresponsável e patética tentativa de transforma o jogo-treino do próximo sábado numa guerra faz lembrar um capítulo importante dessa história, escrito em 1981. Naquele ano, por decisão democrática da maioria dos clubes mineiros, as rendas dos jogos da Country Cup seriam dos mandantes. Mas no dia 28 de junho, no primeiro embate do certame entre os líderes, o Atlético de Lourdes tentou prejudicar o “dono da casa” Cruzeiro. Lançou a campo o time reserva só para a arrecadação ser menor nas bilheterias.


A velha pirraça não ficou sem troco. Três meses depois, Felício determinou a escalação dos reservas do elenco estrelado no segundo clássico (até a década de 1980, Cruzeiro x Atlético de Lourdes era considerado um “clássico”. Acredite, não é gozação de cruzeirense, houve uma época longínqua em que eles eram nossos rivais). Mesmo assim, vencemos com o memorável gol de Jacinto.


Para tentar colocar fim ao capricho iniciado pela Turma do Sapatênis, o então presidente da Ademg Afonso Celso Raso  lançou o “Desafio das Torcidas”. O Cruzeiro x Atlético de Lourdes seguinte diria quem era a maior torcida do Mineirão. Mandou confeccionar os nossos ingressos com faixas azuis e os deles, com listras negras.


O alvoroço se instaurou nas bilheterias. Os de sapatênis se fartavam de ingressos listrados em zebra. No lado do Time do Povo, os trabalhadores da capital e do interior se aglomeravam aos milhares para adquirir os de cor azul. As catracas do Mineirão rodavam freneticamente na tarde de 8 de novembro de 1981. Era impossível descobrir uma vantagem antecipadamente.


Em campo, o combalido time celeste do início daquela década arrancava um empate em gol originado numa jogada sensacional de Nelinho, que mesmo com a canela rasgada pelas travas de Éder, cruzou na cabeça de Edmar.


Quando o bilheteiro anunciou os 112.919 pagantes, veio o suspense: qual lado havia ganho o Desafio das Torcidas?. Mesmo sendo o “ano de ouro” dos De Lourdes, a obviedade veio à tona: a torcida cruzeirense era mesmo a maior e dona do Gigante da Pampulha.


Fato mais formidável se revelou horas depois. A diferença a favor dos celestes estava exatamente onde os trabalhadores e os menos abastados escolhiam para frequentar o estádio. O Cruzeiro venceu o desafio por ter 3.254 torcedores a mais na geral, enquanto, o adversário elitista escolheu as cativas e a tribuna.


Se no próximo sábado não teremos a Toca da Raposa 3, mesmo que fosse alugada para o eterno visitante, a culpa não é do Cruzeiro. A fuga para o Ginásio do Horto e seu conhecido combo (torcida de alto-falante + camarotes superfaturados pagos com dinheiro público + luz apagada + clima de apoio velado da “aldeia” ao chororô estrategicamente arquitetado na véspera) é um reflexo daquele 1981.


Para a história multicampeã e de grandes conquistas do Cruzeiro, perder ou ganhar essa Country Cup nada significará frente à sequência dura e longa que está porvir nas competições nacionais e internacionais.


Vamos terminar logo essa sequência de jogos-treinos, pois o ano começa de verdade para o clube da geral, do Mineirão e do povo de Minas Gerais depois da semana santa. Que não caiamos na pirraça do menino mimado que, no choro, acabou correndo para o ginásio do seu coelhinho da Páscoa.


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