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Estado de Minas

Nosso futebol agoniza


postado em 07/04/2019 05:08

Os estádios estão cheios nos grandes jogos, mas o nosso futebol agoniza e espera uma solução. Os técnicos, em sua grande maioria, estão ultrapassados, com esquemas de jogos arcaicos, bem distante do que o torcedor deseja. Dirigentes, irresponsáveis, contratando ex-jogadores em atividade, pagando salários de Europa, e os clubes sem revelar ninguém. Laterais-direitos e esquerdos são raridade. As divisões de base não conseguem lapidar. Centroavante e camisa 10, esqueçam. Não se fabrica mais, como no passado. O torcedor que tem idade entre 10 e 30 anos não viu e não verá mais os craques em campo, pois não temos nenhum por aqui. O único está em Paris e parece querer mais ser celebridade do que jogador. Basta assistir a um jogo do futebol do Velho Mundo, seja em que campeonato for, e, em seguida, ver um jogo aqui do Brasil, que a gente percebe a diferença no padrão de jogo, na qualidade do espetáculo, na composição tática de uma equipe. E o pior é que os treinadores brasileiros se acham os “inventores do futebol”. Chegam a usar palavras que não existem no dicionário, como o “oportunizar”, antes usado por Celso Roth, hoje integrado ao vocabulário “Titez”.


E assim os clubes vão quebrando, por pagar salários absurdos a treinadores e jogadores, e o nosso futebol na lama. Apontem-me uma equipe que pratique o futebol bonito, de primeira linha. Talvez o Grêmio, por ser Renato, que é gaúcho, mas vive no Rio há décadas, um cara que gosta de jogar pra frente. Como foi um craque dos gramados, privilegia o gol, a arte, o drible, o toque, coisa que os técnicos gaúchos abominam. Peguem como exemplo o Cruzeiro, que tem belíssimo grupo, mas com futebol pragmático e defensivo. Mano Menezes está há três anos no comando do time, tem o grupo na mão, mas não me venham dizer que joga bonito. Jamais! Ele é adepto do futebol defensivo, em que 1 a 0 é goleada. O torcedor, aquele mais fanático, não quer saber. Quer me dizer que o Cruzeiro tem 100% de aproveitamento na Libertadores e que é o único time invicto no Brasil. Porém, quem é da minha geração, ao ler esta coluna, vai entender muito bem o que digo. Sou da geração de Telê e Carlos Alberto Silva, em que era mais importante dar espetáculo e mostrar a essência do nosso futebol. E olha que eles ganhavam jogos e mais jogos. Porém, quando perdiam, o faziam jogando bola.


Hoje, temos isso que aí está. O São Paulo, por exemplo, desesperado, contratou Alexandre Pato, que há anos não é mais jogador de futebol. Ganhou fortunas por onde passou, sem jamais ter contribuído de fato com o futebol. Na cidade do Porto, onde estive recentemente com a Seleção Brasileira, ouvi de uma pessoa muito ligada a Pato o seguinte relato: “O Pato não quer bola há muito tempo. E ele não consegue mais jogar em alto nível pelos problemas físicos que tem”. A fonte eu não revelo, mas dois companheiros ouviram junto comigo: Wellington Campos, que trabalha na Rádio Tupi, comigo, e Leonardo Baran. Ou seja, Pato vai custar uma boa fortuna ao São Paulo, por mês, para ficar perto da namorada, a filha de Sílvio Santos. E o torcedor, iludido, achando que o clube contratou aquele Pato do começo de carreira, que brilhou na Seleção Sub-17. São essas irresponsabilidades que quebram os clubes. E me admira ver que Cuca, um técnico experiente, inteligente e campeão, concordar com tal contratação. Por isso, repito: estamos na lama!.


Tenho visto torcedores do Atlético criticarem o presidente, Sérgio Sette Câmara, por não contratar esse tipo de jogador. Primeiro, ele não é irresponsável. Segundo, não há dinheiro. E por fim, quer deixar um Atlético mais enxuto e mais equilibrado financeiramente. Se vai ganhar um título ou não, é uma incógnita, mas não quer e não pode gastar o que não tem com contratações como a de Alexandre Pato. Os clubes precisam investir pesado nas divisões de base. É a única solução para voltarmos a produzir craques. O problema é que os dirigentes colocam gente incapacitada para gerir tais divisões e isso compromete todo o trabalho no time profissional. É preciso remunerar melhor o profissional da base do que o técnico do time de cima. Pagar R$ 500 mil, até R$ 1 milhão a um técnico do nosso futebol é um crime. O torcedor vai a campo, mas deveria ir ao Procon, pois a cada rodada do futebol brasileiro é enganado, com produto de péssima qualidade. Eu estou cansado de tanto pregar no deserto. Ninguém valoriza as divisões de base, sendo que elas sempre foram as responsáveis pelo que de melhor tivemos no nosso futebol. Chega de pagar tantos milhões a técnicos enganadores. Os torcedores também são culpados, assim como nós, da imprensa. Não temos paciência na formação de jovens treinadores, pois queremos resultados imediatos. E isso não existe. Precisamos ter mais paciência e dar tempo a jovens como Thiago Larghi, Zé Ricardo, Alberto Valentim, Ney Franco e outros menos votados. O conserto do nosso futebol vai passar por essa geração. Estamos no fundo do poço, principalmente, tecnicamente. Ou acordamos agora ou vamos perceber que o fundo do poço é mais profundo do que imaginamos. Depois, não digam que não avisei!


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