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Estado de Minas

Atlético pode dar um tiro no pé ao sair do Horto

"Quero muito estar enganado, mas temo mesmo por uma eliminação precoce do Galo ao deixar de lado sua casa para jogar no 'desconhecido' Mineirão"


postado em 03/03/2019 05:09



Os torcedores e internautas me perguntam se eu prefiro o Galo jogando no Independência ou no Mineirão. Sem pestanejar, digo que prefiro no Horto, onde o Galo, em três anos, sob o comando do eterno presidente e mais vencedor da história do clube Alexandre Kalil conquistou mais títulos que em toda a sua trajetória centenária. É fato – e contra fatos não há argumentos. Foi naquele caldeirão, com capacidade aumentada para 23 mil torcedores, que o Galo virou jogos impossíveis, desbancou times argentinos e chegou à final da Copa Libertadores, em 2013. Foi ali também que, em 2014, meteu 2 a 0 no Cruzeiro no primeiro jogo decisivo da Copa do Brasil e no Mineirão apenas consolidou o título com mais uma vitória, 1 a 0, gol de Tardelli. Naquele caldeirão, os torcedores fungam no cangote dos jogadores e transformam a vida dos adversários em um verdadeiro inferno. Não à toa, foi criada a frase: “Caiu no Horto, tá morto”, numa alusão aos times que sucumbiram diante do Galo.
Kalil brigou até o último minuto, em 2013, para que a final da Libertadores fosse ali. A Conmebol não deixou. No Mineirão, foi aquele drama, com o título conseguido nas penalidades. Fosse no Horto, Ronaldinho Gaúcho, Jô, Tardelli e cia. teriam enfiado uns 3 a 0 no Olimpia. Lembro-me também da decisão da Copa do Brasil, em 2014, quando o ex-presidente do Cruzeiro Gilvan de Pinho Tavares, um dos mais vencedores do clube, e o então técnico Marcelo Oliveira deram entrevistas dizendo que queriam os dois jogos no Mineirão. O presidente atleticano imediatamente respondeu: “Adversário do meu time não determina onde vamos fazer o jogo em que somos mandantes. A primeira partida da decisão será no Horto, e não tem conversa”. E foi naquele caldeirão que o Galo meteu 2 a 0 no Cruzeiro e praticamente pôs as duas mãos na taça. No Mineirão, nova vitória, mas, na verdade, o título foi ganho no Horto.
Os torcedores dirão que o Mineirão comporta três vezes mais torcedores do que no Independência. É verdade. Mas o torcedor quer taças ou dinheiro? No Horto, os jogadores conhecem cada pedaço do gramado, o vestiário, o bebedouro, a forma como devem se posicionar em campo. No Mineirão, não sabem nem em que lado fica o vestiário, serão “estranhos no ninho”. Temo muito pelo Galo na fase de grupos da Libertadores saindo de seu hábitat. Não há como negar que o Independência se tornou um amuleto para o alvinegro. Ali, perdeu pouquíssimos jogos e virou partidas inimagináveis. Não há jogo fácil na Libertadores e, ao mandar seus jogos no Mineirão, o Atlético corre sérios riscos de não passar da fase de grupos. Vale lembrar que os estádios construídos ou reformados para a Copa do Mundo pertencem a consórcios que arrancam o couro dos clubes, cobrando taxas absurdas. No Horto, quase tudo o que gira em torno do espetáculo vai para os cofres do alvinegro.
Não adianta o Atlético imaginar que vai faturar muito mais no Mineirão, porque isso não vai ocorrer. Os jogadores já não reconhecem o estádio como deles. A casa é o Horto, onde se sentem à vontade, onde jogam com mais garra. O Galo amedrontou os times mais poderosos do Brasil e da Argentina, se impôs como um grande campeão, levantou taças e ganhou dinheiro. Não me venham dizer que o título da Libertadores ocorreu no Mineirão, pois, na verdade, o Galo o ganhou em cada jogo no Independência. E, só para refrescar a memória dos torcedores, aquele timaço tinha Ronaldinho Gaúcho e cia. A história era outra. Quero muito estar enganado, mas temo mesmo por uma eliminação precoce do Galo ao deixar de lado sua casa para jogar no “desconhecido” Mineirão. Sim, para os jogadores atleticanos, aquela casa hoje é estranha.
Quarta-feira, o Galo vai estrear na fase de grupos, diante do Cerro Porteño. Um jogo dificílimo, em que o adversário terá a chance de jogar num campo grande e não naquele terreiro onde o Galo comanda. E garanto que o Mineirão não receberá mais de 50 mil pagantes. O Galo pode pagar um preço caro por abrir mão de seu território. Numa época em que o futebol das equipes está tão nivelado – e por baixo –, abrir mão de qualquer vantagem pode significar o fim de um sonho, o do bicampeonato da Libertadores. Como me disse o eterno presidente Alexandre Kalil: “O Horto foi o lugar onde fui mais feliz na minha vida no futebol”. Ele e mais de 8 milhões de atleticanos espalhados pelo Planeta Bola.

Zico

Hoje é aniversário de Zico, meu amigo e o maior jogador da história do Flamengo, um dos maiores que vi jogar no mundo do futebol. Que Deus o abençoe, com muita saúde sempre. Zico é exemplo de uma geração de caráter, que amava o clube, que respeitava os torcedores.


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