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Estado de Minas

O drama de Mara

Com a mãe internada desde dezembro após atropelamento, meio de rede do Minas tem vivido entre as quadras e o hospital. Ela foi um dos destaques no recente título da Copa Brasil


postado em 16/02/2019 05:08

"Fico com ela o tempo todo que posso. Quando me deram a notícia de que fariam uma cirurgia, fiquei mais esperançosa. Gostaria que ela recuperasse pelo menos os movimentos das mãos e braços" (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press - 10/10/17)


Quem vê a meio de rede Mara sorrindo em meio aos treinos ou jogos de vôlei do Minas pouco faz ideia do drama que ela tem vivido. Desde o início de dezembro, vem dividindo as atenções com o time e com o acompanhamento da mãe, Leodita Carlota, de 51 anos. Atropelada em Ravena, distrito de Sabará, onde mora, Leodita está temporariamente tetraplégica. Há esperança de que recupere pelo menos o movimento dos braços. Na quinta-feira, passou por cirurgia bem-sucedida em que foram colocados pinos na coluna cervical. Ontem, estava de volta a seu leito, no Hospital do Pronto Socorro (HPS), em Belo Horizonte.

O acidente, inicialmente mantido em segredo pela família, ocorreu durante a disputa do Mundial, com a jogadora em viagem à China – o Minas ficou com o vice-campeonato –, no último mês de 2018. “Eu estava em Shaoxing com o time. O pensamento era todo no Mundial. Focadas no título. Quase ganhamos. Mas quando aconteceu a final, ela já tinha sofrido o acidente, só que ninguém me contou. Para mim, estava tudo certo. A gente iria voltar no dia seguinte, e logo eu veria minha mãezinha novamente.”

Mas na chegada ao Brasil, Mara, de 27 anos, levou uma “pancada”, como ela se refere à notícia. “Liguei para o meu irmão e ele estava estranho. Perguntei o que tinha acontecido. Mas ele respondia ‘nada’, que não devia me preocupar. Mas me preocupar com o quê? Insisti. Dizia ‘me conta o que aconteceu, pode falar’. Ele resolveu dizer. Minha mãe tinha sido atropelada e a situação era séria. Poderia ficar tetraplégica. Meu mundo desabou.”

Mara correu para o Pronto-Socorro. “Tinha de vê-la. Cheguei lá desesperada. Consegui subir para a enfermaria. Eu a encontrei numa cama. Estava inerte, mas falou comigo. Tentou me consolar. Eu chorava, muito. Ela dizia que tudo iria passar, iria se resolver.”

A vida de Mara se transformou. Contou ao treinador, o italiano Stefano Lavarini, e às companheiras. “Todos se solidarizaram. O Minas também. Sou grata a isso. Mandaram os médicos do clube ao hospital. Eles ajudaram e me passam sempre notícias. Fiquei mais tranquila, mas não tão tranquila assim, pois ir ao Pronto-Socorro passou a ser minha rotina.”

Mara acorda, vai treinar, almoça e segue para o HPS. Aproveita cada minuto das três horas de visita, entre as 14h e as 17h. Retorna ao Minas para o treino da tarde e volta para a visita da noite, das 20h às 21h. “Fico com ela o tempo todo que posso. Quando me deram a notícia de que fariam uma cirurgia, fiquei mais esperançosa. Gostaria que ela recuperasse pelo menos os movimentos das mãos e braços.”


Abalada, mas na luta pelo troféu

O Minas foi campeão da Copa Brasil de Clubes de Vôlei Feminino há duas semanas, em Gramado, no Rio Grande do Sul. E Mara foi um dos destaques, em especial na final, na vitória por 3 a 1 sobre o Praia. Lá, ela teve que se desdobrar, pois a terceira jogadora da posição no time, Maiany, ficou em Belo Horizonte por ter sofrido um problema renal.

“Olha, tinha de jogar o jogo inteiro. Mas não era problema. O time e as meninas precisavam de mim. Quando estou na quadra, é o momento em que estou mais relaxada, pois tenho de pensar no jogo. Tinha de jogar e joguei. Não sei se fui bem, mas dei o meu melhor. Fomos campeãs”, relembra.

No retorno a BH, depois de três dias, a vida é novamente casa, Minas, hospital, Minas, hospital e casa. “Eu vinha treinar, ia para o hospital, retornava para treinar e, no fim do treino, voltava para ficar com ela. É uma hora só, mas estou com ela. E pra dizer a verdade, não sei o que seria de mim se não fosse o vôlei. Na quadra, me concentro no que tenho de fazer, o que não acontece durante todo o dia, pois só penso na minha mãe.”

A dor de Mara é compartilhada pelas companheiras de time, solidárias nesta fase dura. “Ela sempre foi muito alegre e brincalhona. Mas de vez em quando se afasta e fica sozinha. Eu procuro me aproximar e tentar alegrá-la. Logo ela volta a ser a Mara. O que está vivendo é dolorido e nós todas sentimos a sua dor”, conta a ponteira Gabi.

Na tarde de quinta-feira, Mara treinava de novo com afinco. Quem a vê sempre sorridente não pode imaginar seu drama. E quando o treino termina, ela se apressa: “Tenho de correr para o Pronto-Socorro. Minha mãe está sendo operada agora. Vão colocar pinos na coluna dela. Se Deus quiser, tudo vai correr bem e ela vai ter pelo menos o movimento dos braços novamente. Pedi a todo mundo para rezar. É o que se pode fazer agora.”

Dona Leodita passou pela bem-sucedida cirurgia de seis horas. Ontem à tarde, estava de volta ao leito. Ao seu lado, a filha. “Olha, foi tudo bem. Ela está aqui, alegre, sorridente, conversando. Agora é esperar para sabermos o resultado. Se tudo tiver dado certo, fará fisioterapia. Acredito que isso irá acontecer.”


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