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Estado de Minas

O Mineirão vai ferver

Sob temperatura na casa dos 30° C, Cruzeiro e Atlético fazem o primeiro clássico da temporada. Raposa tenta ampliar vantagem sobre o rival. Galo vai em busca da reação


postado em 27/01/2019 05:08

 

 



Clássico entre Cruzeiro e Atlético costuma ser quente. O de hoje, às 11h,  no Mineirão, promete pegar fogo. O adiamento da partida da terceira rodada do Campeonato Mineiro chegou a ser defendido pelo presidente atleticano, Sérgio Sette Câmara, e discutido ontem à noite pela Federação Mineira de Futebol por causa dos impactos com a Tragédia de Brumadinho, onde rompimento de barragem da Vale causou pelo menos 40 mortes e deixou cerca de 300 desaparecidos.

A hipótese proposta pelo rival foi criticada pelo Cruzeiro, já que há previsão de público superior a 40 mil torcedores. A diretoria celeste afirmou que nova data seria “impossível” e se antecipou: “Vai ter jogo”. Para a comunidade atingida serão organizadas coletas de donativos em três pontos do estádio. Os jogadores do Atlético entrarão com tarja de luto.  Os cruzeirenses também prestarão homenagens às vítimas.

Quando forem a campo, as equipes vão encarar temperatura na casa do 30° C. Assim, os jogadores deverão sofrer para apresentar o melhor futebol, especialmente por ser início de temporada, ainda sem condicionamento físico ideal.

O horário matutino, que será adotado pela terceira vez nos últimos três anos, conseguiu unir os rivais em críticas. O técnico atleticano Levir Culpi chegou a classificar como “jaguara” (mau-caráter) os responsáveis pela decisão, no caso a FMF e a emissora detentora dos direitos de transmissão.

Já o cruzeirense Mano Menezes critica, mas espera que as equipes superem tudo e ofereçam bom espetáculo. “Administrar” é exatamente o que as duas comissões técnicas procuraram fazer nos últimos dias, com cuidados especiais.

Os riscos são grandes e vão desde insolação até desmaios, passando por maior chance de cãibras e desidratação. “Prejudica o espetáculo. É ruim para o público, que não vê os atletas tomando as melhores decisões, executando o trabalho com precisão. O jogo vai acabar quase às 13h, 12h se não houvesse horário de verão. Imagina o desgaste”, afirma Eduardo Silva, responsável pela preparação física celeste.

Ele que aponta o “conflito” do organismo provocado pelo empenho físico em contraste com a alta temperatura, que aponta como um dos inimigos dos atletas nos jogos pela manhã. “O que a gente procura fazer é minimizar os efeitos. Usamos a hidratação, a alimentação e uma série de outros pontos para que os atletas tenham o mínimo de condição de atuar.”

Desde o início da semana, a comissão técnica do Atlético também vem preparando os atletas. Mudou os hábitos de rotina simples, como os horários de acordar, de café da manhã e do almoço. A maioria dos treinos passou para o período matutino.

“É necessário que o atleta acorde mais cedo na semana do jogo do que ele faz normalmente. Pela manhã, ele não tem o hábito de tomar um café reforçado, mas precisamos de estratégia nutricional para que ele se alimente melhor. No intervalo, eles deverão ter vontade de almoçar e vão ter de controlar a fome. Por isso precisamos estar com alguns alimentos preparados. O nutricionista é parte principal neste processo”, explica o fisiologista alvinegro Roberto Chiari.

Ele ressalta que é necessário averiguar sempre a temperatura corporal dos jogadores: “É preciso ter estratégias para resfriar o corpo do atleta e ter hidratação permanente. Temos de ofertar a hidratação através de água, isotônico, água de coco ou suco”.

JOGO CADENCIADO

Especialistas apontam que jogos às 11h tendem a diminuir a intensidade física dos atletas, deixando a partida menos corrida e mais burocrática. Segundo o professor de fisiologia do exercício da UFMG Samuel Penna, a chance de o ritmo cair no segundo tempo é grande. “Em ambientes quentes, o jogo fica mais cadenciado. Do ponto de vista do desempenho, os atletas vão jogar numa intensidade mais baixa e a tendência é cadenciarem mais. Eles vão se cansar mais rapidamente. No segundo tempo, vão perder a capacidade de fazer os esforços de alta intensidade, como o contra-ataque”.

De acordo com ele, a alta incidência solar é outro fator que pode interferir na performance durante os 90 minutos. “Independentemente da temperatura, a radiação é um fator que prejudica o desempenho dos atletas. E nesse horário, é o maior índice de incidência dos raios solares, ainda mais no verão. Por mais que o corpo dos atletas seja mais condicionado do que de pessoas normais, a radiação solar dificulta o ritmo de jogo”.



palavra de especialista

José Pedro Jorge Filho, cardiologista

Risco de arritmias

“A gente tem levar em consideração que o calor é vasodilatador e o exercício também. Portanto, são dois vasodilatadores caminhando juntos. Numa situação extrema de calor, pode cair a pressão, principalmente se o atleta não estiver hidratado apropriadamente. Nesse sentido, os vasos ficam muito mais dilatados do que a capacidade do sangue circulante, o que se torna um grande problema. A melhor saída é a hidratação constante. Pela cor da urina, podemos avaliar se o corpo do atleta está bem hidratado. Ela deve estar com cor de água ou amarelo-palha. Se estiver mais escura, ele deve ser hidratado. E em atividades físicas, além de perder água, o jogador pode perder eletrodos, como potássio, magnésio, que pode levar a ter arritmias cardíacas. Por isso, além de água, o atleta profissional de alta performance deve ingerir bebidas isotônicas.”


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