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Estado de Minas

Kelen Cristina: E o contrato dos jogadores de futebol, vale ou não vale?

Quando um jogador se sente insatisfeito, por qualquer que seja o motivo dele, e põe na cabeça que quer sair, ele acaba saindo mesmo


postado em 25/01/2019 05:07

Uma das coisas que a vida volta e meia nos joga na cara é que não temos controle sobre nada. Nadinha. Até fazemos planos, mas daí a tudo seguir o roteiro projetado são outros quinhentos. No meio do caminho aparece um atalho, o destino prepara uma rasteira – e por vezes surpresas agradáveis –, e olha as certezas se desconstruindo, os recomeços batendo à porta e um novo script se definindo. A gente nunca sabe o que vai acontecer depois que terminarmos de ler esta coluna, ou amanhã, ou daqui a um mês, ou até daqui a um ano... Agora imagina quando um jogador assina contrato com um clube e se compromete a vestir aquela camisa por aquele determinado período, geralmente longo. Bom, isso nós também estamos cansados de saber que não funciona exatamente assim.

Nesta temporada, especialmente, tivemos/temos exemplos bem claros disso em Atlético, Cruzeiro e América. Atletas que se sentem seduzidos por propostas de outros times e, mesmo com vínculo em vigor, decidem que chegou a hora de experimentar novos ares. Começou com De Arrascaeta, que trocou a Toca da Raposa pela Gávea e até já estreou com a camisa do Flamengo. Agora, repetem o enredo Elias, no Galo, e Messias, no Coelho. Coincidentemente, ambos estão com a mira voltada para o Beira-Rio, cobiçados pelo Internacional.

Diz o ditado popular que o combinado não sai caro. E, a partir do momento em que um atleta, seus representantes e dirigentes de clube se sentam para assinar um documento, imagina-se que tudo aquilo que está escrito será cumprido. Contudo, quem está no futebol sabe que não é sempre assim. Quando um jogador se sente insatisfeito, por qualquer que seja o motivo dele, e põe na cabeça que quer sair, ele acaba saindo mesmo. Friamente falando, é assim que a banda toca, e nessas horas não adianta tratar o assunto com a passionalidade de um torcedor. Quem está no futebol precisa ter outro olhar, criterioso, calculista até.

Mais do que entrar no mérito de quem tem razão (pois cada um tem seus argumentos para escolher o que é o melhor para si), é preciso analisar como esse tipo de situação deve ser administrada por quem gerencia os clubes. E, para início de conversa, é preciso ter em mente que cada cabeça – com o perdão do trocadilho – é, realmente, uma sentença. É muito pessoal a decisão de ficar ou sair. Eu, por exemplo, considero um retrocesso um jogador jovem e promissor, com convocações para a Seleção Brasileira (ou de outros países, no caso dos gringos) em vista, se transferir, por livre e espontânea vontade, para um time árabe, chinês ou coreano simplesmente por propósitos financeiros. Imagino que um jogador com esse perfil tem condição de alcançar a tal independência financeira, alicerçada por uma carreira consistente em grandes centros, se tiver mais paciência em galgar os degraus. Mas essa é a minha visão, a visão de alguém que está de fora. Um julgamento que, no fim das contas, nem cabe a mim, e sim a quem sentirá na pele o ônus e o bônus de sua escolha.

O mais importante nesta hora, a todos os envolvidos diretamente, é o profissionalismo. O caso do uruguaio De Arrascaeta expôs bem essa questão. No auge da carreira, ele recebeu uma oferta para ganhar três vezes mais do que recebia no Cruzeiro, e se sentiu balançado. Nada mais natural. Expôs o desejo de ir para o Flamengo, mas estava ciente de que dependia de acerto entre os times para concretizar sua vontade. Essa era a tese. A prática foi diferente. E, ao abandonar a Raposa em meio à negociação, pisou na bola.

Messias parece trilhar caminho semelhante agora, no América. Zagueiro de potencial, que certamente despertaria o interesse de equipes da Série A depois de boas temporadas com a camisa alviverde, ele se retirou das duas primeiras partidas do Coelho neste ano. Aos 24 anos, tem todo o direito de se entusiasmar com uma transferência para o Inter, e toda a vitrine que conseguirá no Sul, mas até que a transação se concretize, ainda tem obrigações a cumprir com a equipe com a qual tem contrato.

Com o volante atleticano Elias a situação parecia bem adminstrada até o pai dele e empresário, Eliseu Trindade, entrar no circuito e, em entrevista para uma rádio gaúcha no início desta semana, dizer que não “há clima” para seu filho continuar na Cidade do Galo após a recusa, do alvinegro, em antecipar sua renovação de contrato e/ou negociá-lo com o Inter. Elias não só esteve na estreia do Atlético no ano, contra o Boa, como marcou gol. Aparentemente, estava tudo bem. Ontem, no CT, aparentemente, estava tudo bem também. O mesmo tem feito o atacante Luan, que falou abertamente sobre a proposta para jogar no Corinthians. Não vejo o menor problema nisso.

Enquanto estiverem fazendo a parte deles como atletas, Elias e Luan estarão amparados por seu comportamento. Quem deve tratar, burocraticamente falando, de saída ou permanência é o empresário. Ao jogador, cabe treinar e jogar até que tudo se defina.


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