Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Retrospectivas introspectivas

Coração de torcedor costuma começar qualquer temporada preenchido por uma esperança desmedida


postado em 28/12/2018 05:05


>> tirolivre.mg@diariosassociados.com.br

Últimos dias do ano, últimas linhas de Tiro Livre em 2018. Impossível não olhar para trás e pensar no caminho percorrido nesses 361 dias. Nas expectativas que tínhamos em 1º de janeiro e como chegamos à porta de 2019. Os erros e os acertos. Os objetivos alcançados, os planos adiados e as frustrações pelo que não deu certo. O coração aquecido pelas boas lembranças, que fazem brotar um sorriso pelo canto da boca, e os acontecimentos que a gente prefere varrer para debaixo do tapete e esquecer – até mesmo fingir que não existiram para ajudar a driblar a tristeza. E uma conclusão: por mais que a gente trace nossos projetos, o curso da vida acaba se definindo por ele mesmo, decretando atalhos, mudanças de rumo, chegadas e partidas. E no futebol também é assim.

Coração de torcedor costuma começar qualquer temporada preenchido por uma esperança desmedida. Imaginando apenas o melhor. Sonhando com os gols do artilheiro, as defesas milagrosas do camisa 1, as conquistas expressivas. Contando com a colaboração do Sobrenatural de Almeida nos momentos de aperto. Apostando que o vento soprará a favor nos lances decisivos.

Imagine o cruzeirense, que recepcionou Fred em janeiro. Um retorno acalentado por tanto tempo. A alegria no olhar do jogador, ao voltar a vestir a camisa celeste sintetizava bem essa sintonia. A expectativa dos gols que, para os celestes, sedimentariam o caminho para um troféu, e o mais desejado era o da Copa Libertadores. Mas quiseram os deuses do futebol que pouco mais de dois meses após a (re) apresentação do atacante, ele se machucasse, e justamente em um jogo do torneio continental.

A partir dali, o Cruzeiro não teve mais Fred. No meio da jornada, trouxe Barcos, numa tentativa de atenuar o prejuízo. Cá para nós, a emenda não saiu melhor que o soneto. O argentino esteve longe de compensar a ausência do velho ídolo, sobretudo no mais importante dos quesitos: os gols (foram apenas três em 24 partidas). Sem Fred, a Raposa caiu diante do Boca Juniors, no capítulo final de sua participação na Libertadores’2018. Mas naqueles roteiros que os deuses do futebol adoram escrever em toda temporada, também foi sem Fred que a equipe celeste subiu degrau por degrau até a sexta taça da Copa do Brasil.

Na Cidade do Galo, o ano começou com uma grande renovação no grupo, a chegada do experiente atacante Ricardo Oliveira e a promessa da diretoria de que o técnico Oswaldo de Oliveira levaria o Atlético de volta ao topo. A torcida comprou a ideia e acreditou. No fim das contas, nem um, nem outro.

O treinador não durou três meses, nem tampouco seu sucessor, Thiago Larghi, teve vida longa: permaneceu pouco mais de quatro meses no cargo, dando lugar a Levir Culpi. Não por acaso, o alvinegro ficou pelo caminho em todas as competições que disputou – inclusive naquela que desdenhou, a Copa Sul-Americana, chamada de Segunda Divisão da Libertadores pelo presidente Sérgio Sette Câmara. Quem brilhou foi um antes temperamental Róger Guedes (negociado na mesma velocidade com que desandou a marcar gols) e a vaga na Libertadores’2019 acabou sendo o prêmio de consolação.

O script do América também esteve longe do planejamento traçado no início da temporada. A meta principal era a permanência na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, e todos sabiam quão importante seria a presença do técnico Enderson Moreira para o êxito. Seduzido por uma proposta do Bahia, Enderson abandonou o barco durante a parada para a Copa do Mundo. O substituto imediato foi Ricardo Drubscky, depois veio Adilson Batista, depois de longo período encostado, e aí não ficou difícil prever o que ocorreria até dezembro.

A diretoria americana tentou apelar para o milagreiro Givanildo Oliveira, mas aí já era tarde demais. O rebaixamento veio sendo desenhado ao longo do segundo semestre sutilmente. Cada vitória conquistada sem atuação convincente acendia o alerta. O fantasma foi ganhando forma, e só não viu quem não quis, ou quem se deixou iludir.

Tudo isso deixa, pelo menos, um aprendizado: a volatilidade da vida. Os dias vão passando, a gente vai vivendo distraidamente e quando vê, mal deu o abraço de feliz ano novo e já chegou o réveillon novamente. É hora de refazer os planos. De reconstruir os sonhos. De torcer para que dê tudo certo. Apesar dos pesares. Que assim seja.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade