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Apesar de tudo, um feliz Natal aos que são do bem

O consumismo tomou conta da população. Na minha época, as mulheres se casavam por amor. Hoje, casam-se por dinheiro


postado em 24/12/2018 05:03


Sim, hoje à noite estaremos comemorando o Natal, ceando com nossas famílias e os poucos e verdadeiros amigos que fazemos na vida. Nós, jornalistas, não temos datas especiais, pois a notícia não tem hora nem data. Nunca me importei de trabalhar nessas datas especiais. No começo de carreira, solteiro, eu sempre trabalhava no Natal, réveillon, carnaval, Semana Santa e por aí afora. Na TV Globo, eu privilegiava os casados e cobria as folgas dele. Nada mais justo. Depois que a gente se casa e tem filhos, passa essa missão para os mais jovens. Porém, como colunista, aqui estou nessa véspera de Natal, para falar daquilo que mais gosto: futebol. Vocês, que me acompanham aqui neste espaço, no meu Blog, no Superesportes ou na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, maior audiência do rádio brasileiro, sabem que ando meio amargurado com o esporte bretão, praticado hoje por pernas de pau. Porém, são os chamados tempos modernos, com os quais não me conformo. Vejo tanta mediocridade entre técnicos e jogadores, que realmente é de lascar. Já pensei em parar várias vezes. Entretanto, isso é uma cachaça. Sou apaixonado pelo futebol. Não o de hoje, mas aquele que os grandes gênios da bola, que tive a honra de ver jogar, me ensinaram.

E, com certeza, em respeito aos que gostam do meu trabalho, continuo sendo crítico com o que vejo, me abstendo de entrar nessa panelinha dos jornalistas que babam o ovo e puxam o saco de técnicos e jogadores medíocres. Os programas de TV são um horror. Gente despreparada, que mal sabe falar o bom português, comentando como se tivesse propriedade para tal. Qualquer um tem um blog e escreve as bobagens que bem entende. Sou de outra geração. Armando Nogueira, Daniel Gomes, Arnaldo Vianna, João Saldanha, Paulo Stein e tantos outros com os quais tive a honra de aprender e trabalhar. Tive o privilégio de participar de mesa redonda com João Saldanha, um dos gênios da comunicação no país, na extinta Rede Manchete, em 1986. Tempos de ouro que não voltam mais.

No passado, as escolinhas, divisões de base, produziam craques aos montes. Hoje, a fonte secou. Por causa de gente despreparada, que nunca deu um chute na bola, mas que entrou no futebol para usurpar os clubes. Os tempos modernos são bem diferentes. No passado tínhamos Garrincha, Nilton Santos, Zico, Rivellino, Reinaldo, Cerezo, Éder, Dirceu Lopes, Palhinha, Joãozinho. Hoje temos essas aberrações que vemos aos domingos. Antigamente tínhamos Vinicius de Morais, Toquinho, Carlinhos Lira. Hoje temos Anitta, Jojô Todynho, Pablo Vittar. Assim como no futebol, na música regredimos de forma assustadora. Se esses são os novos tempos, quero voltar ao passado. Um Brasil com muitos craques em todas as áreas, com segurança, saúde e educação. Tínhamos orgulho de cantar o hino nacional, coisa que não existe mais. Éramos inocentes, vivíamos numa época em que o professor era valorizado e o nosso segundo pai. Os médicos eram idolatrados, e os policiais, respeitados como autoridades da ordem e da lei. Hoje, todos somos ridicularizados, vivemos num país violento, corrupto, sem saúde, educação, segurança. Alunos batendo em professores, bandidos fechando comércio e ruas, matando por nada e por tudo. O lixo do funk substitui a poesia. Realmente, um mundo diferente do que imaginou minha geração, que viveu os tempos de ouro. Natal para mim era pôr o sapatinho na janela, esperar Papai Noel chegar e trazer aquele carrinho do Batman, que minha mãe esqueceu no bonde, que circulava em São Cristóvão, onde fui criado e educado. Meu irmão, mais novo que eu, dividiu o presente dele comigo. Era o Forte Apache, lembram-se? Pois é, o Brasil mudou, e para pior. Os valores morais estão esquecidos. O consumismo tomou conta da população. Na minha época, as mulheres se casavam por amor. Hoje, casam-se por dinheiro. Apesar de tudo isso, um feliz Natal e uma noite de muitas bênçãos somente aos que são do bem.

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