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Pelo fair play financeiro e pelos clubes-empresa

Ou mudamos nosso sistema, ou clubes que têm patrocinadores apaixonados e bilionários, caso do Palmeiras, vão se perpetuar nas conquistas de taças


postado em 12/12/2018 05:06



O presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, clama pelo fair play financeiro. Ele sabe que o Palmeiras, por exemplo, com o patrocínio da empresa que explora aposentados, contrata quem bem entender e quiser, tornando a concorrência desleal no Brasil. Enquanto Corinthians e Flamengo recebem uma fortuna em cotas de TV, Atlético e Cruzeiro ficam com a migalha, que representa 1/3 do que recebem cariocas e paulistas. Dessa forma, os títulos vão continuar sendo disputados e ganhos por equipes do eixo Rio-SP. Exceção feita ao Cruzeiro, que desde que o Brasileirão passou a ser disputado no sistema de pontos corridos, ganhou três vezes – em 2003, 2013 e 2014. É preciso copiar a Europa, onde o fair play financeiro existe, é posto em prática, embora, ultimamente, haja uma briga forte com o PSG, que talvez tenha que abrir mão de Neymar ou Mbappé justamente por isso. É sabido que lá, o príncipe catariano é quem dá as cartas e a grana. E dinheiro não é problema. Se ele quiser, contrata Messi, Cristiano Ronaldo e quem mais desejar. Esbarra, entretanto, justamente na medida criada pela Uefa para controlar as negociações e não tornar uma equipe quase que imbatível.

Concordo com Sette Câmara e vou além: é preciso transformar os clubes em empresas, para que sejam geridas por CEOs competentes, que deem resultados tanto na parte esportiva quanto na financeira. Esse modelo de dirigentes amadores, torcedores apaixonados dos clubes e que dedicam 24 horas por dia a eles, não dá mais. Ninguém trabalha de graça. Algum interesse deve existir, ainda que seja se tornar conhecido. Os clubes precisam ter donos. Falei sobre a iniciativa dos irmãos Salles, da indústria cinematográfica, que querem comprar o futebol do Botafogo e geri-lo. O clube alvinegro tem uma dívida de R$ 700 milhões. Eles vão quitar essa dívida, investir um bom dinheiro no futebol e buscar taças e, é claro, lucro. Sim, ninguém vai pôr dinheiro em troca de nada.

Essa é a única solução para o nosso futebol. Não dá mais para clubes ficarem mendigando dinheiro de cotas de TV, adiantando vários anos, e colocando o clube numa bola de neve, num buraco sem fundo. Uma dívida como a do Botafogo chegará a R$ 1 bilhão em pouco tempo. Cruzeiro, Atlético, Vasco, Fluminense, Corinthians e por aí afora, todos têm dívidas grandes. O meu Flamengo devia quase R$ 1 bilhão, mas a gestão financeira do ex-presidente, Bandeira de Melo, reduziu essa dívida em R$ 500 milhões. Ainda assim, é pouco, pois os clubes precisam ser superavitários e não viver no buraco, na lama, no negativo. Por isso, no século 21, o amadorismo não pode mais prevalecer. É hora de profissionalizar as gestões, transformando os clubes em empresa.

Se na Inglaterra dá certo, por que não daria aqui? Recentemente, em Londres, convidado pelo goleiro Gomes, almocei com os jogadores, técnico e o presidente do Watford. O dono é o mesmo que comanda a Udinese, da Itália, e busca lucro. Só com a venda de Richarlison para o Everton, faturou um bom dinheiro. E o Watford está fazendo uma boa campanha no Inglês. Isso se chama organização e competência. O dono do clube não vai jogar dinheiro no lixo. Há um orçamento anual e o técnico tem que trabalhar em cima dele. Não existe esse negócio de o time estar caindo e contratar, no desespero. Nada disso. Organização e planejamento são as palavras de ordem. Aqui é essa bagunça. Jogadores chegando e saindo a todo momento. Um clube é campeão e dá prejuízo. Isso é inadmissível. Vamos nos modernizar, transformando os clubes em empresas, que deem lucro aos donos e títulos aos torcedores. Torcedor não quer saber de lucro, de finanças, quer saber é de taças. Mas os clubes, sim, têm que pensar em lucro, em se manter estabilizados financeiramente. Não dá mais para ver potências do nosso futebol de pires na mão. Chega de tanta incompetência. Ou mudamos nosso sistema, ou clubes que têm patrocinadores apaixonados e bilionários, caso do Palmeiras, vão se perpetuar nas conquistas de taças, sem chances para os demais.

Aula tática
O futebol dos hermanos não ganha nada desde 1993, em termos de seleção. Porém, a decisão da Libertadores, domingo, em Madri, mostrou dois excelentes times e dois técnicos competentes ao extremo. Marcelo Gallardo, campeão com o River, e Schelotto, vice-campeão com o Boca, deram uma aula tática. O Boca foi melhor no primeiro tempo, quando poderia ter feito mais gols. O River cresceu na fase final e na prorrogação e acabou campeão. Espero que os técnicos brasileiros, que ganham fortunas sem dar resultado, tenham assistido ao jogo e tirado proveito do que os dois treinadores fizeram. Fosse eu um presidente de clube brasileiro e iria no nosso vizinho, buscar um deles. É sabido que a situação financeira da Argentina é pior que a nossa e os salários por lá são bem reduzidos em relação ao mundo da fantasia que se vive no Brasil. Schelotto não vai ficar no Boca. Gallardo está cotado para a Seleção Argentina, mas a AFA não tem dinheiro para pagar o salário que ele pede.

Ganso
Ex-jogador em atividade, Paulo Henrique Ganso implora por uma volta ao Brasil e já há clubes interessados. Ganso é excepcional no quesito talento, controle de bola e visão de jogo. Porém, não serve para o futebol moderno, que exige participação intensa numa partida, coisa que ele não faz e nunca fez. Depois de passagem apagada pela Espanha, está na Segunda Divisão da França e seu futebol também não foi aprovado por lá. O Flamengo, por exemplo, acena com a possibilidade de contratá-lo e, se isso ocorrer, ele não virá por menos de R$ 1 milhão mensais. Será uma irresponsabilidade se isso acontecer, pois a contrapartida de Ganso é praticamente zero. É uma pena que um jogador de tanta qualidade técnica seja apenas isso.

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