Quem já sofreu com dores de cabeça muito fortes sabe como isso é capaz de afetar as tarefas do dia a dia e a qualidade de vida.
Imagine essa dor concentrada especificamente na parte de trás da cabeça?
Em alguns casos, especificamente, esse incômodo tem nome e é conhecido com neuralgia occipital, e acontece quando os nervos que percorrem o couro cabeludo estão sendo apertados ou foram machucados por algum motivo, gerando fortes dores, queimação, choques ou pontadas na parte de trás da cabeça e das orelhas, na parte superior do pescoço ou até mesmo atrás dos olhos.
Segundo Felipe Mendes, neurocirurgião, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, apesar de não existirem estudos epidemiológicos satisfatórios para ajudar a determinar a frequência dessa doença na população nem informar quais pessoas são mais predispostas a desenvolvê-la, esse incômodo não é uma queixa incomum no consultório e costuma trazer bastante sofrimento em quem convive com essa condição.
"Ela pode ter causas variadas, que vão desde lesões traumáticas acompanhadas ou não de fraturas, tensão muscular excessiva, compressão dos nervos occipitais ou de raízes nervosas por alterações degenerativas da coluna cervical como a hérnia de disco cervical e até condições inflamatórias como alguns tipos de arterites (inflamação dos vasos sanguíneos) ou compressão por alguns tipos de tumores que afetam essa região."
O incômodo, além de agudo, pode durar poucos segundos e, em alguns casos, horas. Nem sempre é possível identificar a sua causa exata.
"Por isso é fundamental avaliar os sintomas relatados pelo paciente e realizar um exame físico minucioso para chegar ao diagnóstico preciso, pois essa doença pode, às vezes, ser difícil de se diferenciar de outros tipos de dores de cabeça. Uma história clinica detalhada e, em casos específicos, a solicitação de alguns exames de imagem, como a ressonância magnética, são importantes para descartar outras condições secundárias que possam estar causando a dor."
Em seu consultório, o neurocirurgião conta que o tratamento é realizado de acordo com o grau de dor do paciente e a frequência dos sintomas, sendo indicado analgésicos para controle das crises de dor e utilização de medicamentos neuromodulares de uso contínuo para reduzir a sua intensidade e frequência.
Felipe Mendes, neurocirurgião: 'É fundamental avaliar os sintomas relatados pelo paciente e realizar um exame físico minucioso para chegar ao diagnóstico preciso'
Ana Slika/Divulgação
"Em casos de dores refratárias, podem ser realizados bloqueios ou infiltrações anestésicas nas regiões próximas aos nervos ou um procedimento chamado ablação por radiofrequência - uma agulha que emite calor em sua ponta, realizando a destruição parcial de algumas fibras que transmitem dor nesses nervos. Existem também algumas técnicas para realizar liberação ou até mesmo o corte dos nervos afetados. Em casos selecionados, quando nada parece trazer alívio, existe a possibilidade de realizar um procedimento para implantar um neuroestimulador medular, uma espécie de chip que fica sob a medula, bloqueando os impulsos de dor para o cérebro."
Cada tratamento é único e deve ser adaptado de acordo com as condições e necessidades do paciente.
Como a condição pode ter um impacto significativo e negativo do paciente, Felipe pondera sobre como é fundamental falar mais sobre o assunto para que mais pessoas estejam cientes dos sintomas e busquem por ajuda médica especializada.
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