A dismorfia corporal atinge, principalmente, os adolescentes, mas está em todas as idades, é um problema sério, que precisa ser diagnosticado e tratado antes que gere consequências e traumas piores
Victoria_Watercolor/Pixabay-
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Defeitos que não existem ou supervalorizados
Só que muitas vezes esses “defeitos” visualizados nem sempre estão, de fato, ali, ou são supervalorizados. A pessoa então passa a se olhar obsessivamente no espelho, ou então foge dele. E tenta escapar da vida social, do convívio com as pessoas, acreditando que está feia e desencaixada do padrão.Leia também: Mídias sociais impactam a saúde mental e provocam distorção da autoimagem.
Quando isso acontece é bem provável que esteja ocorrendo um quadro de Dismorfia Corporal, ou Transtorno Dismórfico Corporal, quando a pessoa tem uma preocupação excessiva com o corpo e passa a ver sua imagem de forma distorcida. Acredita-se que hoje em dia o problema atinja cerca de 4 milhões de pessoas só aqui no Brasil, e até 2% da população mundial.
A médica conta que já recebeu em seu consultório muitos pacientes com dismorfia. E o que eles querem é corrigir, por meio de cirurgias, um problema que nem existe e está apenas em sua mente. “A abordagem, nesses casos, não é simples. O próprio paciente não tem noção do seu problema e necessita um olhar cuidadoso, alguém que o ouça e acolha adequadamente. Como cirurgiã plástica, tento mostrar de forma técnica que não há problema, de fato, com o corpo. Ou então que pode estar havendo uma supervalorização de um pequeno problema".
A cirurgiã, inclusive, já se negou a fazer cirurgias em pessoas com esse quadro de distorção de imagem: "É preciso ter bom senso para indicar um procedimento cirúrgico e também para declinar um pedido. E já ocorreu de o paciente ficar chateado, afinal, ele procura uma cirurgiã para operar e não esperam, nunca, receber um não. Mas, como disse, é preciso ter responsabilidade".
Surge na adolescência e afeta mais as mulheres
De acordo com a cirurgiã, pessoas com dismorfia corporal estão insatisfeitas com o próprio corpo de maneira exagerada. Podem supervalorizar pequenos defeitos transformando isso na causa de todas as suas insatisfações. “As reclamações mais comuns são relacionadas à face, em especial ao nariz, e às mamas”, detalha.
Leia também: Veja a relação entre cirurgias plásticas e saúde mental.
O diagnóstico de uma pessoa com transtorno dismórfico corporal nem sempre é imediato. Mas ao longo das consultas com o médico ele pode se revelar em queixas repetidas direcionadas à determinada área do corpo, insatisfação permanente com aquela região, ainda que não haja um problema anatômico, estrutural ou funcional importante.
“O paciente nitidamente ansioso e relacionando seus problemas, e demais insatisfações, àquela tal “imperfeição”, ou que tenta atingir determinado padrão de beleza estipulado como ideal, pode estar sofrendo de dismorfia. Além disso, quem apresenta esse quadro, também relata evitar convívio social (como ir à praia ou piscina, por exemplo), tem dificuldade de concentração e olha-se no espelho com frequência, ou chega a evitar por completo ver sua imagem refletida ali”, explica a médica, sobre os indícios que indicam o problema.
Apesar de ser ainda pouco abordada, a dismorfia corporal, principalmente entre os adolescentes, mas em todas as idades, é um problema sério, que precisa ser diagnosticado e tratado antes que gere consequências e traumas ainda piores, inclusive cirurgias arriscadas e sem necessidade alguma. Por isso, é preciso sempre estar atento aos familiares e amigos à nossa volta e procurar tratamento adequado assim que os primeiros sintomas forem notados.
"Meu conselho é: cuide do seu corpo, sem esquecer da sua mente. Corpo e mente saudáveis devem caminhar juntos. Evite comparações com outras pessoas e procure ajuda especializada com psicólogo e psiquiatra”, orienta a cirurgiã Thamy Motoki.

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