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Estado de Minas COVID-19

Autotestes de COVID-19 podem mascarar real situação sanitária

Poder público indica que, em caso de autoteste positivo, a pessoa deve procurar um médico na rede pública ou privada


21/06/2022 19:54 - atualizado 21/06/2022 20:01

Mãos de uma pessoa segurando o autoteste
Autoteste de COVID pode ser comprado em farmácias de todo o país (foto: AFP)
Ao acessar o painel COVID-19 da Prefeitura de Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, tem-se a informação de que na 22ª semana epidemiológica (entre os dias 31/05 a 05/06) foram confirmados 883 casos do novo coronavírus. Desses, apenas 21 confirmações foram em decorrências de testes RT-PCR na rede pública de saúde. A PJF também oferece nas Unidades Básicas de Saúde os testes de antígeno (coleta de sangue). Esses dados, porém, não entram na taxa de positividade da doença, segundo a Secretaria de Saúde.

Além dos testes disponibilizados pela rede pública, algumas pessoas buscam por testes oferecidos em laboratórios e farmácias privadas. Só que, além do antígeno e do RT-PCR, há a venda de autotestes de covid-19. 

Em fevereiro de 2022, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do primeiro autoteste de COVID-19 no Brasil. Na sequência da aprovação, outros testes foram liberados e passaram a ser comercializados nas farmácias em todo o Brasil. 

No autoteste, a própria pessoa pode fazer a análise se está contaminada com a COVID-19. Basta ler a bula e regular o teste para que o resultado seja o mais próximo da realidade. 

O uso excessivo de autoteste, porém, pode prejudicar a análise da real situação sanitária. Isso porque muitas pessoas podem testar positivo para a doença e não procurar um médico. 

“Os autotestes podem ser benéficos do ponto de vista da facilidade do usuário que pode coletar seu próprio teste, mas independente do resultado não pode ser considerado como definição de diagnóstico. A orientação é que os usuários, independentemente do resultado, busquem por uma unidade de saúde para avaliação e notificação”, explica Louise Cândido Souza, gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Prefeitura de Juiz de Fora.

O infectologista Marcos Moura segue na mesma linha. Para o médico, os autotestes são benéficos, mas precisam ser bem utilizados pela população. “O objetivo dele é a pessoa se questionar e saber o diagnóstico de maneira mais privada. Ele não vai substituir nunca os testes tradicionais. Até algumas unidades de saúde utilizam os autotestes para outras doenças, por exemplo”, explicou Moura. 

Autoteste para grupos específicos

O infectologista Marcos Moura explicou que o autoteste é recomendado para pessoas que têm muitas comorbidades e problemas de locomoção. Dessa forma não precisaria expor o paciente com sintomas de covid-19 a outras pessoas. 

“Alguns casos, de pessoas com comorbidades, seria extremamente útil o autoteste. Funciona de forma muito benigna. Os familiares levam o autoteste para casa, fazem o teste no paciente, sem a necessidade de levar até uma unidade de saúde”, explicou o médico.

Depois de realizado o autoteste é necessário que leve o resultado, caso seja positivo, ou dê negativo e os sintomas persistam, até um médico. 

“A pessoa que pode comprar pode fazer o autoteste e conversar diretamente com o médico, ou buscar um atendimento de urgência baseado no resultado”, emendou Moura. 

Segundo Louise Cândido Souza essa procura a um médico é extremamente importante para entender a situação sanitária em uma região, como a cidade de Juiz de Fora. Isso se dá porque os médicos, mesmo os da rede privada, assim como os laboratórios, têm que informar ao Poder Público resultados positivos. 

“A utilização da rede privada não impacta na hora de entender o cenário real uma vez que todos os serviços de saúde, sejam eles públicos e/ou privados, são obrigados a informar os casos suspeitos e/ou confirmados de Covid-19 à Vigilância Epidemiológica através dos sistemas de informação oficiais”, finalizou a Gerente do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da PJF.
 


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