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Estado de Minas INDEPENDÊNCIA

Lula já usou 7/9 para se defender do mensalão e agora deve pedir união

Presidente da República fará, na noite de 6 de setembro, o quinto pronunciamento dele em cadeia de rádio e televisão pelo do Dia da Independência


04/09/2023 12:28 - atualizado 04/09/2023 12:49
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Lula em visita a obra no RN
Lula em visita a obra no RN (foto: Ricardo Stuckert / PR)
Os pronunciamentos do presidente Lula (PT) por ocasião do 7 de Setembro oferecem uma fotografia de momentos específicos dos seus mandatos anteriores em que o chefe do Executivo usou da oportunidade para rebater denúncias de corrupção, celebrar avanços econômicos, alertar contra o risco da inflação e exaltar o "Brasil do futuro" com a descoberta do pré-sal.

O atual contexto político também será o pano de fundo do pronunciamento deste ano, o primeiro Dia da Independência do seu terceiro mandato.

Após os atos golpistas de 8 de Janeiro e em meio à polarização política, Lula vai usar a sua fala para pregar união e para defender a democracia no Brasil. O texto deste ano ainda não está fechado.

Lula fará, na noite de 6 de setembro, o seu quinto pronunciamento presidencial em cadeia de rádio e televisão por ocasião do Dia da Independência. O petista só não fez pronunciamento semelhante nos dois primeiros anos de seu mandato inicial, em 2003 e 2004, e também nos anos em que havia vedação pela Justiça Eleitoral, em 2006 e 2010.

A primeira vez em que falou na cadeia de rádio e TV nacional foi em 2005, três meses após a entrevista do então deputado Roberto Jefferson à Folha de S.Paulo que estourou o escândalo do mensalão.

Após ressaltar os avanços da economia e o que chamou de "superação da dívida social", Lula destinou boa parte da sua fala para tratar das denúncias de corrupção, prometendo combater os malfeitos "doa a quem doer".

"A crise política também será vencida, pelo Congresso, pelo governo e pelo povo brasileiro. Será vencida com a apuração cabal de todas as denúncias e com a punição rigorosa dos culpados. Nem eu e nem vocês admitiremos qualquer contemporização, nenhum acordo subalterno. Doa a quem doer, sejam amigos ou adversários", afirmou o presidente.

 

O presidente continuou afirmando que era necessário investigação por parte das CPIs, da Polícia Federal e outros órgãos. Ao mesmo tempo que prometia ser implacável, acusava o uso político das denúncias. Disse que não poderia permitir que a crise política fosse "manipulada por interesses menores" e que se "alastre artificialmente".

"É preciso separar o joio do trigo para que possamos punir quem deve ser punido, inocentar quem deve ser inocentado, corrigir o que deve ser corrigido e seguir em frente, construindo um país mais transparente, com nossa democracia fortalecida".

Reeleito presidente no fim de 2006, Lula adotou nos pronunciamentos de 7 de Setembro dos três anos seguintes um tom de "nova era", quando a fase de ajustes econômicos dos anos anteriores surtiram efeitos para organizar a economia.

"Vivemos um ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado. Sustentado economicamente, porque a inflação está sob controle, a situação fiscal equilibrada e as contas externas vivem um momento espetacular", afirmou o presidente às vésperas do Dia da Independência de 2007.

O presidente, no entanto, ainda mantinha um tom cauteloso, afirmando que era "tempo de vigilância e alerta permanente". Acrescentou que não se devia baixar a guarda na luta contra a inflação. E que esses cuidados eram necessários para o Brasil ter força para enfrentar os "abalos externos e os problemas internos".

Naquele ano, teve início a crise dos chamados subprimes nos Estados Unidos, que teve seu pico em 2008.

 

Por outro lado, Lula exaltou o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a geração de mais de um milhão de empregos e o fim do "arrocho salarial e exclusão social", com o poder de compra do salário mínimo dobrando.

Concluiu dizendo que havia "motivos de sobra para ter fé no Brasil".

Essa esperança virou nos dois anos seguintes uma euforia generalizada com a perspectiva de um Brasil potência, diante da descoberta do pré-sal. Os pronunciamentos de 2008 e 2009 foram muito semelhantes e tiveram como elemento central a descoberta das jazidas e as riquezas que viriam delas.

"É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro de o Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência", afirmou o presidente no pronunciamento de 2009.

"Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal. Seu conteúdo são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas do nosso mar. Sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos, há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros", completou.

No ano anterior, o presidente havia dito que o pré-sal seria uma ponte aberta entre riqueza natural e a erradicação da pobreza. Disse que os recursos seriam usados para esse fim e também para a educação. E também projetou a construção de uma "poderosa e sofisticada" indústria petrolífera, o renascimento da indústria naval e o acelerado desenvolvimento da indústria petroquímica.

Seriam construídas cinco refinarias, dezenas de plataformas e centenas de navios. Lula então celebrou o "melhor momento econômico e social da história" do Brasil. Mas disse que seu governo teria responsabilidade e saberia trabalhar para não deixar os recursos do pré-sal escorrerem pelas mãos.

"Não vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos ou torrando dinheiro em bobagens", disse na ocasião o presidente, que veria o seu e os próximos governos gastando milhões para construir estádios para a Copa, para sediar as Olimpíadas e em projetos faraônicos que nunca saíram do papel, como o trem bala para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro.

Lula ainda afirmou que a Petrobras estaria à frente de todo o processo, seria a "cara deste novo Brasil". E disse que o pré-sal era o nosso "passaporte para o futuro".

Quase 15 anos se passaram e o Brasil não virou a potência esperada. A última década foi marcada por crises políticas e econômicas. Agora, eleito para o seu terceiro mandato, o petista tenta imprimir uma marca de retomada da democracia e de união no país, após anos bolsonaristas.

 


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