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Estado de Minas GOVERNO DE MINAS

Eleições: ida de Viana para o PL movimenta peças na campanha em Minas

Filiação do senador Carlos Viana e anúncio de apoio formal ao presidente Bolsonaro (PL) pressiona posição atual de Zema na campanha pelo governo de Minas


04/04/2022 04:00 - atualizado 03/04/2022 22:07

montagem com fotos de Romeu Zema e Alexandre Kalil lado a lado
Zema tem sido cobrado de apoio formal a Bolsonaro. Kalil aguarda definição do PT sobre nome próprio (foto: Leandro Couri e Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Entre as idas e vindas que caracterizaram a véspera do prazo legal para que candidatos mudassem de partido, um movimento tende a impactar de forma particular a campanha ao governo de Minas, alterando o curso da polarização que se desenhava entre o ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD) e o governador Romeu Zema (PSD). O senador Carlos Viana (ex-PSD, ex-MDB) filiou-se ao PL, anunciando o apoio formal do presidente Jair Bolsonaro (PL) à sua candidatura.

A reboque, confirmou o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, ex-ministro do Turismo, também recém-filiado ao PL, candidato da chapa ao Senado. Paralelamente, Bolsonaro pressiona o PP de Ciro Nogueira,– legenda que pretendia se coligar ao governador Romeu Zema (Novo) – para que alie à chapa majoritária de Carlos Viana.

O recado do presidente ao governador foi dado. Embora tenha surfado em 2018 na onda bolsonarista, sua primeira eleição e, ao longo do governo, Zema tenha mantido grande proximidade política com Bolsonaro, mais recentemente ele ensaia um afastamento.


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Cauteloso diante do alto índice de rejeição de Bolsonaro – e considerando o fato de parte do seu eleitorado votar em Lula para a Presidência da República – Zema vinha evitando comprometer-se com uma aliança formal com o presidente. Chegou a receber no mês passado a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acompanhado de Marcelo Álvaro Antônio, que tentaram convencê-lo à uma coligação com o PL, em que o deputado federal mineiro seria o candidato ao Senado.

Advertência de Bolsonaro

Na ocasião, Flávio Bolsonaro advertiu Zema de que se ele não formalizasse coligação com o PL em Minas, o presidente apoiaria um outro candidato à sucessão estadual, o que poderia levar a disputa ao governo mineiro a um segundo turno.

A movimentação de Zema, que tem sido em torno de ampliar a presença de políticos e seus partidos em uma nova chapa à reeleição, tem sido feita em direção ao União Brasil. Até aqui, vinha construindo cenários, um dos quais, com o deputado federal Bilac Pinto (União Brasil), para a posição de vice na chapa, e o deputado federal Marcelo Aro (PP), para a candidatura ao Senado.

No cenário de uma polarização com Alexandre Kalil, a aposta de Zema tem sido a de que os dois principais candidatos manteriam um vínculo ambíguo em relação à disputa nacional.

Palanque à mineira

Sem coligação formal da chapa de Kalil com Lula; na outra ponta, Zema poderia manter a estratégia de se afastar de uma coligação com o PL de Bolsonaro, mantendo a flexibilidade para receber tanto o voto “Luzema” quanto o voto “Bolsozema”. Um palanque light, à mineira, bem ao estilo dos Lulécios e Dilmasia.

A família Bolsonaro não gostou da estratégia. Mas Zema sabe que, em Minas, está mais bem avaliado do que Bolsonaro, que enfrenta graves problemas de desempenho. E agiu rapidamente. Após acertar com Carlos Viana a migração dele do MDB para o PL, o senador mineiro selou o compromisso, em foto ao lado de Bolsonaro e de Álvaro Antônio, divulgada em suas redes sociais.

Votos ideológicos

O novo fato político tem repercussão importante na dinâmica da sucessão mineira: o apoio inequívoco de Bolsonaro a Viana tende a lhe transferir o voto ideológico do bolsonarismo raiz - que em 2020, conferiu ao deputado estadual Bruno Engler, ex-PRTB, atual PL, 10% dos votos válidos na eleição à Prefeitura de Belo Horizonte.
Por um lado, tal energético absorvido pela candidatura de Carlos Viana vai impor um segundo turno na disputa mineira. Mas diferentemente da polarização entre Kalil e Zema que se desenhava antes, o cenário que se apresenta não garante, entre os três principais candidatos, quem estará lá.

Viana tem potencial para agregar mais apoio do que teve Bruno Engler em 2020, a começar pelo fato de estar vinculado organicamente aos movimentos eleitorais evangélicos e, de ter no PL, deputados estaduais do quilate de Sargento Rodrigues (ex-PTB), - aliado a outros parlamentares de igual perfil - que trabalham para carrear o apoio das forças de segurança pública - policiais militares e civis - irritados com o governo Zema.

Aliança forma com o PT

Se por um lado, os índices de aprovação de Romeu Zema lhe prometem um “colchão” diante da perda desse voto bolsonarista ideológico; por outro a candidatura de Alexandre Kalil, que evitou se comprometer em aliança formal com o PT de Lula, passa a ficar, ironicamente, dependente de uma decisão dos petistas de não lançarem candidatura própria ao governo de Minas. Se o PT lançar candidato ao governo de Minas, poderá retirar de Kalil o voto da centro-esquerda, que até aqui ele tem recebido sem esforço, por gravidade.


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