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Estado de Minas CRISE

Congresso do Centrão comanda comédia de bonecos ventríloquos da economia

Derrubaram a regra do teto de gastos e o ministro Paulo Guedes faz de conta que não


23/10/2021 04:00 - atualizado 22/10/2021 22:56

Bolsa de Valores de São Paulo
Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve outro dia nervoso, depois da turbulência de quinta-feira (foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP)

Brasília - "Não existe, da nossa parte, o congelamento de preços. Sabemos que estamos na iminência de mais um reajuste do combustível. E quando vai para o diesel, sabemos que influencia diretamente na inflação. Caminhoneiros que transportam carga pelo Brasil merecem ter uma atenção da nossa parte. Foi decidido então um auxílio que custará menos de R$ 4 bilhões por ano, também previsto no orçamento". A declaração foi dada pelo presidente Jair Bollsonaro, ao comentar a paralisação de tanqueiros, durante entrevista ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O presidente disse também que a alta que chega ao diesel 'influencia' diretamente na inflação. "O caminhoneiro merece ter uma atenção da nossa parte. Ficou decidido, então, um auxílio aos mesmos, que ficará menos de R$ 4 bilhões por ano, também previsto no Orçamento. Sabemos que, aumentando o preço do petróleo lá fora e o dólar aqui dentro, o reajuste em poucos dias ou semanas, tem que ser cumprido na ponta da linha pela Petrobras", afirmou.

Lado a lado, Bolsonaro e Guedes comentaram a greve dos tanqueiros, o novo Auxílio Brasil, a pandemia de COVID-19 e o teto de gastos. Durante sua fala, o ministro prometeu que o país voltará a crescer ano que vem. “O Brasil é um país bem-visto lá fora. As pessoas vêem o que a gente está fazendo aqui. O Brasil vai crescer bem mais no ano que vem”, afirmou.

O mercado financeiro teve outro dia nervoso ontem, depois da debandada no Ministério da Economia e da intenção do governo de mudar o teto de gastos para bancar o novo programa social. O Ibovespa registrou a quarta alta consecutiva e fechou o pregão aos 101.917,73 pontos (%2b1,36%). Foi o maior valor de fechamento para o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) desde 1º de setembro (102.167,65 pontos). No mês, o Ibovespa tem valorização de 7,73%. Em 2020, entretanto, o indicador acumula perdas de 11,87%.

Já o dólar fechou o dia em queda, cotado a R$ 5,594 na venda (-0,36%). Desde 1º de outubro, a moeda norte-americana variou pouco (-0,39%), mas, no ano, já registra valorização de quase 40% frente ao real. O valor da moeda americana divulgado diariamente pela imprensa refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Análise da notícia - O bolso fala mais alto


Rifado por adversários dentro do próprio governo, o ministro Paulo Guedes tropeçou mas se levantou e deu o troco, apontando uma legião de fura-tetos – os tetos ''desconfortáveis'', e, de fato, eles são incômodas pedras no caminho em que o próprio chefe do ministro busca recursos para reverter descontentes. Aos caminhoneiros, o presidente prometeu auxílio de R$ 400, para em seguida admitir que virá novo aumento do preço dos combustíveis, e diante das famílias de classe média e alta usa a tática de culpar os outros pela inflação alta. O problema é que na economia, a cobrança, o apoio ou a derrota são determinados pelos bolsos dos eleitores, que falam mais alto. O Brasil visto por trás de mais uma crise política que interfere na economia é o país da contínua prática da omissão e da predominância dos interesses políticos.

Furando ou não o teto de gastos, o governo está de mãos amarradas para conseguir deter os preços, que insistem em desobedecer o curso esperado nos gabinetes de Brasília, e a repetição de um filme já visto há três anos e meio. À época, os caminhoneiros fecharam as rodovias por 11 dias, paralisação que custou cerca de R$ 15,9 bilhões em efeitos como perda de alimentos, prejuízo com a queda da produção industrial e a arrecadação de impostos. O Planalto sabe também, como reconheceu ontem o presidente, que não se contém inflação com decreto de congelamento e tabelamento. O fracasso do Plano Cruzado deixou isso muito bem claro na gestão desastrada da política econômica de José Sarney nos anos 80. Houve até confisco de boi em pasto e a inflação quase triplicou para 235% em 1985. (Marta Vieira)  
 


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