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Estado de Minas

''Licença'' para mudar limite de gastos


23/10/2021 04:00

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender uma ''licença'' para gastar além do teto de gastos. Ao lado do presidente Bolsonaro e em meio a boatos de que deixará o cargo, ele disse que é natural que a política queira furar o teto e gastar mais, mas que a função do ministério é de garantir a responsabilidade fiscal. ''Ninguém quer tirar 10 no fiscal e deixar os brasileiros mais pobres passarem fome'', justificou, dizendo que, como ministro, é obrigado a lutar pelo teto de gastos, mas que chegou a um limite, já que os recursos só permitiriam pagar R$ 300 no novo benefício, mas que o presidente Bolsonaro exigiu pelo menos R$ 400.

''Como não há uma fonte permanente, como os R$ 300 teriam, porque o projeto do Imposto de Renda não andou no Senado, o governo não podia ficar parado. [...] Como a solução tecnicamente correta não funcionou e a inflação dos mais pobres piorou, vamos ter que gastar um pouco mais'', afirmou também o ministro.

Guedes afirmou que os secretários que deixaram a pasta eram responsáveis pelas tratativas técnicas para bancar o benefício transitório do Auxílio Brasil. Disse que Funchal e Jeferson trabalharam com as equipes da Câmara e do Senado e que soube da saída de ambos apenas 24 horas antes. ''Eles negociaram, negociaram e avisaram 24 horas antes que iam sair. Perguntei o porquê e eles disseram que era porque furaríamos o teto. Eu disse que furamos o teto no ano passado'', contou. O ministro disse que argumentou que os brasileiros estão passando fome e que considerou como sendo ''natural'' a saída de Bruno Funchal e Jeferson Bitencourt.

SEM DEMISSÃO 


Paulo Guedesnegou que tenha pedido para deixar o governo ao presidente Bolsonaro após a debandada dos secretários ''Eu não pedi demissão. Em nenhum momento pedi demissão, em nenhum momento o presidente insinuou qualquer coisa semelhante'', disse ele, após conversar com o presidente a portas fechadas.

Ele também disse que durante o período em que estava na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), fora do país, houve movimentação política por parte de ''fura tetos'', que inclui ministros do governo. Em um ato falho, ele citou o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, como substituto do secretário Bruno Funchal, mas se corrigiu na sequência e apontou o verdadeiro substituto: o ex-ministro do Planejamento do governo Temer, Esteves Colnago.

''Quando me referi ao André Esteves é porque eu soube que enquanto estava lá fora [do país] houve uma movimentação política aqui, normalmente não digo que sejam ministros, existe uma legião de fura tetos. O teto é desconfortável'', disse.  Ele também criticou falas de ex-ministros da Fazenda que têm dito que a permanência dele no cargo é prejudicial ao país, e disse que continua acreditando no governo, nas reformas e na democracia. ''Eu vim acreditando no presidente, que tem boas intenções no Congresso, que é reformista. Eu estou esperando que todo mundo mantenha as posições originais, acho que o presidente me apoia, acho que a mídia apoia as reformas corretas. Eu acredito na democracia brasileira, ponto. Agora, me chamam de extremista por servir um presidente democraticamente eleito”, afirmou.


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