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Estado de Minas DIVISÃO INTERNA

Pressão por Doria? Tucanos mineiros se irritam com tesoureiro do PSDB

César Gontijo, tesoureiro tucano em âmbito nacional, foi acusado por deputado de tentar cooptar prefeitos por apoio ao governador de SP nas prévias internas


26/08/2021 16:47 - atualizado 26/08/2021 17:26

Secretário-geral do PSDB em MG, deputado Gustavo Valadares subiu o tom contra tesoureiro nacional da legenda
Secretário-geral do PSDB em MG, deputado Gustavo Valadares subiu o tom contra tesoureiro nacional da legenda (foto: Edésio Ferreira/EM/D. A Press)
A passagem de César Gontijo, tesoureiro do diretório nacional do PSDB, por Belo Horizonte, irritou tucanos mineiros. Segundo o deputado estadual Gustavo Valadares, líder do governo de Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa, Gontijo esteve na cidade a fim de "pressionar" prefeitos eleitos pelo partido em busca de apoio ao governador de São Paulo, João Doria, nas prévias que vão definir o candidato do partido à presidência da República. A agenda do tesoureiro em BH foi confirmada por Paulo Abi-Ackel, que comanda o partido em Minas Gerais.

  Conforme apurou o Estado de Minas , o descontentamento expressado por Valadares tem sido relatado por outros integrantes do alto escalão do PSDB mineiro - inclusive deputados estaduais e federais. De acordo com Valadares, Gontijo esteve em BH sem a autorização da Executiva nacional tucana. O parlamentar afirmou que a ideia do tesoureiro era obter apoio de prefeitos que utilizaram recursos do fundo eleitoral na eleição de 2020.

"Uma tentativa vergonhosa de usar os recursos públicos e cobrar a fatura. Aqui em Minas não aceitamos isso! Vá embora, César Gontijo, e leve contigo a sua petulância", exclamou o deputado estadual, pelo Twitter.

Procurado pela reportagem, César Gontijo disse que não vai responder o que chamou de "insinuações levianas e grosseiras" de Valadares.

"Lamentável que o medo pela perda do poder tenha provocado tamanho destempero do deputado. Não me consta que Minas tenha dono, assim como São Paulo e nenhum outro estado do Brasil, como infelizmente pensa o Deputado Gustavo Valadares", rebateu.

 

Paulo Abi-Ackel, que é deputado federal, foi outro a questionar a postura de Gontijo. "Valadares está certo ao questionar atitude que não é ética. Prévias livres e democráticas: é o que queremos! Os mineiros não aceitam pressão".

Disputa interna 'esquenta' PSDB


A escolha do representante tucano na eleição presidencial é referendada por uma eleição interna. João Doria já sinalizou que vai participar da disputa, mas há quem defenda a nomeação de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Gustavo Valadares, que é secretário-geral do partido em Minas Gerais, é um dos partidários do gaúcho. No início do mês, o deputado postou uma foto ao lado de Leite, a quem definiu como alguém capaz de proporcionar "equilíbrio, tolerância, correção, boa gestão e tantas coisas boas que nós brasileiros merecemos".

Aécio e tucanato mineiro trocam farpas com Doria


Na segunda-feira (23/8), João Doria esteve no "Roda Viva", da "TV Cultura". Durante o programa, o governador paulista chamou de "covarde" o deputado federal Aécio Neves (MG), seu correligionário. O parlamentar foi classificado por ele como "pária" na legenda.

As afirmações geraram a irritação de Aécio,  que rebateu classificando Doria como "desqualificado" . Abi- Ackel também repudiou as falas de Doria.

"A postura do governador paulista é prejudicial para o convívio democrático, sobretudo em tempos de radicalização política tão contestada pelo PSDB, que dessa postura busca se diferenciar", falou ele.

Em julho, os atritos entre tucanos paulistas e mineiros já haviam rendido outro capítulo. O presidente em SP, Marco Vinholi,  acusou Aécio de "estar a serviço de tudo, menos do PSDB" . Aécio já afirmou, por reiteradas vezes, que o nome para se contrapor à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) deve ser único, mesmo que não saia do PSDB.

À época, Abi-Ackel, defensor da busca por uma terceira via que aglutine forças de centro, respondeu dizendo que o PSDB precisa estar disposto a, eventualmente, apoiar uma candidatura que saia de outra agremiação.

 

Na semana passada, o PSDB mineiro ganhou o reforço de  Paulo Brant , vice-governador.

 


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