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Estado de Minas DIA DO TRABALHADOR

Bolsonaro critica sindicatos em dia de atos pró-governo

Presidente comemora troca das bandeiras vermelhas pelas verde-e-amarela no 1º de maio, que foi marcado por manifestações de apoiadores em 10 estados e no DF


02/05/2021 04:00 - atualizado 01/05/2021 22:03

Centenas de pessoas se reuniram ontem no Centro de Belo Horizonte com a palavra de ordem
Centenas de pessoas se reuniram ontem no Centro de Belo Horizonte com a palavra de ordem "eu autorizo", pedindo intervenção militar no Legislativo e no Judiciário (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

 
No Dia do Trabalhador, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou as centrais sindicais e seus antecessores no comando do país. Segundo o presidente a comemoração pela data mudou de “cor” no país. O governante destacou, na manhã de ontem que, agora, o Brasil tem “bandeiras verde-e-amarela” no lugar de vermelhas e tremuladas por “homens e mulheres que trabalham de verdade”. “Este momento também é muito importante, afinal de contas, quando no passado, nesta data, 1º de Maio, o que nós mais víamos no Brasil eram camisas e bandeiras vermelhas tremulando, como se aqui fosse um país socialista. Esta questão, hoje, mudou, e bastante”, começou Bolsonaro seu discurso, durante participação on-line na abertura oficial da 86ª ExpoZebu, de Uberaba, cidade do Triângulo Mineiro.

Ele participou da abertura da tradicional exposição por meio da internet ao lado da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. “Hoje, estamos tendo o prazer e a satisfação de ver bandeiras verde e amarela por todo o nosso país. Homens e mulheres que trabalham de verdade, que sabem que o bem maior que nós podemos ter em nossa pátria é a nossa liberdade. E a união dessas pessoas de bem que nós garantiremos, então, esse nosso sagrado direito”, completou o presidente.

O sábado foi marcado por manifestações em defesa do governo Bolsonaro em Belo Horizonte e em pelo menos 10 estados e no Distrito Federal. E num dia de protestos a favor de seu governo, o presidente sobrevoou a região central de Brasília. Em um helicóptero escoltado pela Força Aérea Brasileira (FAB), o chefe do Executivo viu de cima uma carreata no Eixo Monumental e a reunião de apoiadores no gramado em frente ao Congresso Nacional. Os atos ocorreram após Bolsonaro dizer que estava esperando um sinal do povo, sem deixar claro o motivo, mas citando eventual uso das Forças Armadas contra as medidas restritivas aplicadas por governadores e prefeitos para conter a pandemia de COVID-19.

Em BH, centenas de apoiadores do presidente se reuniram no Centro numa manifestação pelo Dia do Trabalhador. O protesto começou por volta das 10h com marchas militares e ao som de axé. Moradores de prédios da Avenida Afonso Pena, contrários ao movimento, bateram panela e jogaram ovos nos manifestantes. Muitos carregavam faixas e cartazes pedindo intervenção militar. Com o pretexto do Dia do Trabalhador, os manifestantes gritavam “Bolsonaro, eu autorizo”, em referência a uma fala do presidente, que, em 14 de abril, disse que esperava “um sinal do povo” para agir.

Entre os grupos de extrema direita, a fala do presidente foi interpretada como um pedido de autorização para endurecer a relação com os demais Poderes. Em vídeo publicado pelo canal “Cafezinho com Pimenta” no youtube, os manifestantes na Esplanada carregavam faixas com as frases: “Intervenção militar com Bolsonaro no poder” e “Presidente Bolsonaro acione as Forças Armadas”. Os manifestantes caminharam da Praça Tiradentes em direção à Praça Sete e, em seguida, ocuparam a pista da Afonso Pena.

A maior manifestação favorável ao governo ocorreu na Avenida Paulista. Manifestantes se concentraram ao longo da tarde vestindo verde e amarelo, portando bandeiras do Brasil e entoando gritos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A deputada Carla Zambelli, uma das maiores aliadas do chefe do Executivo, acompanhou a movimentação em cima de um trio elétrico. Um integrante do Movimento Brasil Livre que filmava a manifestação foi expulso pelos integrantes, e precisou sair do local sob escolta da Polícia Militar.

Em Brasília, uma carreata saiu às ruas da cidade pela manhã. A Esplanada chegou a ser fechada pela polícia, mas foi aberta logo em seguida, para evitar aglomeração de pessoas a pé. Um grupo menor também se manifestou contra o presidente na capital federal, carregando faixas com pedidos de impeachment. Manifestações de apoiadores do presidente ocorreram pelo menos em 10 estados e no DF. Muitos criticavam os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e governadores, principalmente o de São Paulo, João Dória.

No Rio, uma manifestação de apoiadores do governo federal interrompeu o trânsito na orla de Copacabana, Zona Sul. Simpatizantes do governo Bolsonaro se aglomeraram na Avenida Atlântica, à beira da praia, uma das principais vias do bairro, carregando bandeiras do Brasil e faixas de protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Os manifestantes executaram o hino nacional e gritavam palavras em apoio a Bolsonaro.

Em quase todas as localidades havia cartazes com a frase “eu autorizo”, em referência a atos antidemocráticos. O mesmo se repetiu nas redes sociais, com mais de 200 mil mensagens em apoio a investidas autoritárias. Muitos dos perfis que postaram mensagens deste teor tem comportamento robotizado, evidenciando o uso de programas de computador para potencializar a difusão das mensagens. O Congresso Nacional também foi alvo das críticas dos manifestantes.

Manifestações que pedem um golpe militar no país são inconstitucionais e são alvo do Inquérito dos Atos Antidemocráticos aberto no ano passado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

ENQUANTO ISSO...

...Preso por jogar ovo em manifestantes

Um homem de 32 anos foi preso na tarde de ontem, acusado de atirar ovos contra os manifestantes pró-Bolsonaro, quando a carreata passava pela Avenida Afonso Pena, no Centro de BH. Por volta de 12h40, a polícia – acompanhada de manifestantes – foi até a portaria do número 1.781 da avenida. Alegando que se tratava de um flagrante, pois havia supostas imagens que mostravam um morador jogando ovos da janela, os policias subiram até o apartamento. Um homem saiu algemado e foi levado para a delegacia. Uma moradora do prédio contou que o vídeo que teria sido usado como prova para a prisão em flagrante não foi mostrado. “Foi muito injusto, a situação é revoltante. Na rua, várias pessoas aglomeradas, sem máscara e pedindo interveção militar, e eles invadem o nosso apartamento?”, relatou a moradora. Sete policiais subiram até o apartamento para levar o homem. Manifestantes à favor do Bolsonaro aplaudiram a ação. Ele foi levado para a Central de Flagrantes (Ceflan), que fica da Rua Conselheiro Rocha, no Bairro Floresta, na Região Leste de BH. Às 15h45, ele ainda estava preso na delegacia.

Aceno aos produtores

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou a participação on-line na abertura da 86ª Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu), a maior feira especializada em gado do país, realizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, para exaltar as ações do seu governo em favor do setor agropecuário. Ao lado da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Tereza Cristina, o presidente afirmou que o governo conseguiu enfraquecer o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Tivemos a perspicácia de minar os recursos para o MST, acabamos com repasses de ONGs para eles. Eles perderam força e deixaram de levar o terror ao campo”, apontou.

O presidente elogiou os produtores rurais que continuaram produzindo durante a crise e listou uma série de medidas tomadas pelo seu governo para o setor. “O homem do campo é um forte e não parou na pandemia, continuou na vanguarda da economia”, afirmou. Bolsonaro prometeu rever a emenda constitucional nº 81 que, segundo ele, colocaria em risco a propriedade privada. A emenda, aprovada em 2014, possibilita a expropriação de terras onde for encontrado trabalho escravo ou a plantação de drogas. “Devemos rever a emenda 81, que tornou vulnerável a questão da propriedade privada. Essa emenda ainda não foi regulamentada e com certeza não será no nosso governo”, completou.

Bolsonaro ainda aproveitou a oportunidade para celebrar o porte de arma do trabalhador rural, que pode andar armado em toda área de sua propriedade, e a redução das multas do Ibama, alegando que trouxe 'mais paz ao proprietário rural'. “Preferimos aconselhamento e observações, e somente em último caso a 'multagem', o que trouxe mais tranquilidade para o produtor rural”, acrescentou.


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