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Estado de Minas COVID-19

Unidades militares sobrecarregadas


05/03/2021 04:00

A exemplo dos demais hospitais das Forças Armadas, o de Brasília não informa quais as taxas de ocupação(foto: GABRIEL PINHEIRO/ESP. D.A.PRESS)
A exemplo dos demais hospitais das Forças Armadas, o de Brasília não informa quais as taxas de ocupação (foto: GABRIEL PINHEIRO/ESP. D.A.PRESS)

 
Porto Alegre, Florianópolis, Brasília e Campo Grande estão com o sistema de saúde no limite, com ocupação de mais de 90% dos leitos públicos e particulares destinados a pacientes com COVID-19. As quatro capitais têm hospitais militares controlados pelo Exército, Marinha e Aeronáutica. No entanto, o Ministério da Defesa não informa a capacidade e a demanda atual de unidades de terapia intensiva (UTIs) nas unidades sob responsabilidade das Forças Armadas. Questionado pelo Estado de Minas, o ministério enviou nota na qual afirma que as unidades estão “bastante sobrecarregadas”, mas não informou as vagas disponíveis, sob a alegação de que o número “não é constante, mas se adapta à demanda”. A pasta também divulgou que qualquer número ou porcentagem relacionada à disponibilidade de leitos “poderá construir um cenário incerto, que não condiz com a realidade, que muda a todo instante”. Secretarias municipais e estaduais, além de hospitais públicos e particulares, divulgam taxas de ocupação.

Conforme a pasta, hospitais recebem militares da ativa contaminados pela COVID-19, além de inativos e seus dependentes e pensionistas. A pasta estima que 1,8 milhão de usuários que contribuem para os fundos de saúde das Forças Armadas de forma compulsória sejam atendidos pelas instituições. O país, no entanto, vive uma situação de guerra, com gargalos no sistema de saúde, que registra até mesmo filas de pacientes por um leito de UTI.

No Distrito Federal, a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 95%. Na semana passada, a rede pública da unidade federativa chegou a ficar com apenas uma unidade disponível para pacientes adultos, no Hospital Geral de Base. Brasília abriga três hospitais militares: Hospital das Forças Armadas, Hospital Militar de Área e o Hospital Naval. O Hospital das Forças Armadas (HFA), por exemplo, contratou uma empresa para operar e ampliar o número de leitos para até 50. O contrato, que teve início em 18 de maio do ano passado, era para ter expirado em 13 de novembro de 2020, mas foi renovado até 14 de maio. No entanto, um aditivo foi assinado reduzindo a quantidade de operacionalização para 30 leitos – número que o HFA contava antes da pandemia –, sendo 20 para pagamento integral e 10 sob demanda. O valor do contrato é de R$ 39.988.800.

O Hospital das Forças Armadas está a oito quilômetros do Hospital Regional da Asa Norte, onde tem 20 leitos no total, mas 19 estão ocupados. Situação semelhante ao do Hospital de Base, que tem a mesma quantidade de vagas totais e preenchidas. A unidade de saúde está a sete quilômetros do HFA.

OCUPAÇÃO

De acordo com a última atualização da Prefeitura de Porto Alegre, na terça-feira, a capital do Rio Grande do Sul ultrapassou os 100% de ocupação de leitos de UTI. O superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento – o maior da rede privada da cidade –, Luiz Antônio Nasi, disse que a unidade superou os limites de capacidade até mesmo para acomodar as pessoas que morreram e que o hospital contratou um contêiner para colocar as vítimas. Em Porto Alegre, há o Hospital Militar de Área, a Policlínica Militar, além do Hospital da Aeronáutica, em Canoas, na região metropolitana. Assim como as instituições de saúde de Brasília, não foi informado à reportagem se as unidades têm leitos e as respectivas capacidades.

Com 96,73% dos leitos de UTI ocupados, Florianópolis é mais uma metrópole a sofrer pressão na saúde. Vagas para adultos já estão saturadas, enquanto há 65% de unidades pediátricas ocupadas. Já UTIs neonatais registram uma taxa de 94,12% de demanda. A capital de Santa Catarina tem o Hospital de Guarnição, porém, não foi informada sua taxa de ocupação. 

O Ministério da Defesa informou ao EM que cerca de 34 mil militares atuam no combate à COVID-19 no Brasil e que por estarem na linha de frente, o índice de contaminação deles tem sido muito superior à média da população. A pasta afirmou que 41.094 militares da ativa foram contaminados, 36.396 se recuperaram, 4.633 estão sendo acompanhados e 65 faleceram. “Diante disso, os hospitais militares têm estado bastante sobrecarregados.” 



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