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Estado de Minas Disputa política

Partidos aguardam anúncio de novo presidente do Banco do Brasil

Estão no páreo para substituir André Brandão, desafeto do presidente Jair Bolsonaro, Gustavo Montezano, do BNDES, e Antônio Barreto, do ministério da Cidadania


01/03/2021 04:00 - atualizado 01/03/2021 07:17

Por trás da troca na instituição, governo teme repercussão de reestruturação e enxugamento que o presidente da República já desaprovou (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 14/4/20)
Por trás da troca na instituição, governo teme repercussão de reestruturação e enxugamento que o presidente da República já desaprovou (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 14/4/20)
Brasília – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode definir ainda hoje quem vai comandar o Banco do Brasil (BB), já que André Brandão colocou o cargo de presidente da institutição financeira à disposição na semana passada. Parlamentares esperam que, com isso, Bolsonaro também suspenda o plano de reestruturação do BB. Entretanto, internamente, a ordem é dar início ao fechamento de agências neste mês.

Entre os nomes cotados para assumir a presidência do BB, na saída de Brandão, estão Paulo Henrique Costa, atual presidente do Banco de Brasília (BRB); Antônio Barreto, secretário-executivo do Ministério da Cidadania, que é considerado um dos melhores técnicos da Esplanada por assessores palacianos; Gustavo Montezano, presidente do Banco Naconal de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e amigo dos filhos de Bolsonaro; e Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente Corporativo do BB, que já chegou a ser cotado para assumir a presidência quando Rubem Novaes pediu demissão, por ser jovem, mas bem preparado, como queria a equipe econômica.

O plano de reestruturação do BB prevê o fechamento de 361 unidades de atendimento, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento, além do desligamento de 5,5 mil funcionários. Foi o estopim para a crise entre Bolsonaro e Brandão. Porém, de acordo com o Banco do Brasil, está mantido e em execução: o banco entrou em contato com os clientes das agências que serão desativadas e, por isso, promete começar a fechar esses pontos de atendimento nos próximos dias.

A lista e a data de fechamento das agências, no entanto, são guardadas a sete chaves pelo banco. “Falta transparência”, reclamam os bancários, que decidiram mapear por conta própria o impacto do projeto no Distrito Federal (DF). Segundo o Sindicato dos Bancários de Brasília, sete agências devem ser fechadas e outras cinco serão reduzidas a postos de atendimento no DF até o próximo dia 16.

Parlamentares contrários ao fechamento também pediram os dados ao BB, mas ainda não obtiveram retorno. Por isso, a deputada Erika Kokay (PT-DF) apresentou requerimento de informações, na semana passada, cobrando esclarecimentos ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Para ser enviado ao ministro, contudo, o pedido ainda precisa ser aprovado pela Mesa e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A percepção é de que o BB não quer divulgar a relação das agências que serão desativadas para não causar mais rebuliço sobre o assunto e, assim, garantir a reestruturação. A decisão de Brandão de deixar o comando do banco fez muitos parlamentares questionarem se, agora, Bolsonaro não vai suspender a medida. Afinal, o presidente da República decidiu demitir o presidente do BB depois de ouvir críticas dos parlamentares sobre a repercussão negativa do fechamento de agências em suas bases eleitorais.

A questão que está na mesa no Planalto, agora, por sua vez, é o nome do sucessor de Brandão. Como apurou o Blog do Vicente, do Correio Braziliense, dos Diários Associados, Bolsonaro pode tomar uma decisão ainda hoje sobre o assunto. Integrantes do Planalto explicaram ao blog que o presidente da República nunca gostou muito de Brandão. Por isso  ao se antecipar a uma possível demissão o executivo pode sair logo. “Já vai tarde”, disseram assessores de Bolsonaro ao Blog do Vicente.

A interlocutores, Brandão explicou estar cansado de Brasília. Ele se incomodou por ter sido atacado por Bolsonaro depois de tomar uma das medidas de redução de custos acertadas com a equipe econômica. Também não quer ficar sendo fritado ou ser surpreendido com uma demissão como a de Roberto Castello Branco, da Petrobras. Por isso, julgou que seria melhor se antecipar para evitar turbulências no BB e também para preservar a imagem de um executivo técnico, que o fez construir uma carreira consolidada no mercado financeiro.

Mapeamento 


Diante da resistência da direção do BB a liberar a lista de agências que serão afetadas pela reestruturação, o Sindicato dos Bancários de Brasília foi a campo para mapear o impacto local da medida. O sindicato constatou que 12 agências estão na mira da reestruturação no Distrito Federal (DF), sobretudo no Plano Piloto.

O levantamento indica que sete agências serão fechadas e outras cinco serão rebaixadas a postos de atendimento, estruturas mais enxutas, voltadas ao suporte dos clientes e que, por isso, têm menos funcionários e nem sempre oferecem operações mais complexas, como a contratação de determinadas linhas de crédito. Três escritórios digitais também deverão ser desativados pela instituição  no Distrito Federal. A expectativa é de que isso ocorra dentro de 15 dias.

Mapa da mina


O governo federal conta, hoje, com 188 empresas estatais, que empregam quase meio milhão de pessoas e movimentaram R$ 2,3 trilhões em 2019 – último dado anual disponível no Boletim das Empresas Estatais Federais. Dessas empresas, 142 têm controle indireto da União, como as subsidiárias da Eletrobras e da Petrobras. As outras 46 são controladas diretamente pelo governo e deixam claro, pelo quadro de funcionários, que o controle político das estatais ainda é uma realidade no país, apesar do discurso liberal de redução do Estado e abertura da economia do ministro da Economia, Paulo Guedes. É que 15 das 46 estatais de controle direto são controladas por militares e outras três foram entregues a nomes do Centrão, que já demonstrou interesse em ocupar mais cargos no governo.



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