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Estado de Minas CONGRESSO NACIONAL

Pacheco sobre ataques de bolsonaristas ao STF: 'Acirramento desnecessário'

Aos Diários Associados, presidente do Senado Federal comentou falas de parlamentares contra a Suprema Corte


06/02/2021 10:00 - atualizado 08/02/2021 15:55

Rodrigo Pacheco foi eleito presidente do Senado Federal nesta semana(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Rodrigo Pacheco foi eleito presidente do Senado Federal nesta semana (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Adepto do diálogo e defensor da independência dos três poderes, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), crê que o desejo, nutrido por alguns parlamentares bolsonaristas, de intervir no Supremo Tribunal Federal (STF), é inoportuno e acirra os ânimos de forma desnecessária. Em entrevista exclusiva aos Diários Associados, ele afirmou que rixas do tipo podem prejudicar o convívio entre Legislativo e Judiciário.

“A oposição de ideias é válida e faz parte da democracia. O enfrentamento por si só, sem ideias consistentes, é só um acirramento absolutamente desnecessário que vai contra tudo o que prego: a pacificação das instituições”, disse.

Vice-líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) até julho do ano passado, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) utilizou o Twitter, nessa quinta-feira (4), para afirmar que Pacheco não teria coragem de pautar o impeachment de algum ministro da Suprema Corte.

“Não tenham esperança que o senador Rodrigo Pacheco acolherá qualquer pedido de impeachment contra qualquer membro do STF. A desculpa será a harmonia entre os poderes. Mas na verdade é falta de coragem mesmo”, postou ele, conhecido por ir às redes sociais para atacar magistrados.

O também fluminense Daniel Silveira (PSL), por seu turno, garantiu que Palácio do Planalto e congressistas se articulam em prol de mecanismos para diminuir os poderes do STF.

Apesar das falas dos governistas radicais e do debate que movimenta internautas, Rodrigo Pacheco assegura não se guiar por extremismos. “Não serei defensor, necessariamente, de um grupo ‘A’ ou ‘B’ de deputados. Como presidente do Congresso, vou atender todos os 513 deputados nas boas ideias que tenham. Assim como os outros 80 senadores nos bons propósitos que tenham. Não há adesão ideológica ao grupo ‘A’ ou ‘B’. Penso sempre no bem do Brasil”. 

Trabalho por pacificação


Durante a sabatina, com perguntas de jornalistas do Estado de Minas e do Correio Braziliense, o presidente do Congresso Nacional voltou a falar, assim como fez no discurso após vencer o pleito do Senado, sobre a necessidade de pacificar o país. Para Pacheco, a busca pela convivência harmônica passa, justamente, por garantir autonomia entre as esferas do poder público.

“O ambiente de pacificação deve ser buscado dentro da compreensão de que os poderes são autônomos, livres, e têm que conviver harmoniosamente. Não há muito segredo nisso: é obedecer a Constituição, fazer com que as instituições cumpram seus papéis sem interferir no papel das outras e que respeitemos as posições de cada qual”, assinalou.

A entrevista


Rodrigo Pacheco atendeu a equipe dos Diários Associados nessa sexta-feira (05/02), após uma série de encontros com lideranças políticas de Minas Gerais. Entre este sábado e domingo, o Estado de Minas publica trechos da conversa. A íntegra da entrevista poderá ser lida amanhã, nas páginas do jornal e na internet.

Ele foi eleito presidente do Senado Federal — e, por consequência, do Congresso —, na última segunda (1), com 57 votos. Simone Tebet (MDB-MS), a outra concorrente, obteve 21.

Colaborou Luiza Rocha


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