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Estado de Minas CONGRESSO

Rodrigo Pacheco tem apoio de amplo viés ideológico para comandar o Senado

Parlamentar mineiros já conta, em tese, com os 41 votos, que vão do PT ao PSC, para se eleger presidente da Casa


16/01/2021 04:00 - atualizado 16/01/2021 07:42

Líder do DEM no Senado, Rodrigo Pacheco é favorito na disputa pela Mesa Diretora (foto: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO 6/9/20)
Líder do DEM no Senado, Rodrigo Pacheco é favorito na disputa pela Mesa Diretora (foto: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO 6/9/20)

Além de amplo, o cordão em torno da candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência do Senado é pra lá de diverso em termos ideológicos. Juntos, os nove partidos que declararam apoio a ele, garantem, em tese, 41 dos 81 votos. O grupo vai do Republicanos, do fluminense Eduardo Bolsonaro, ao Partido dos Trabalhadores (PT), que tem seis representantes na Casa. Até mesmo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), declarou apoio ao mineiro. Para se viabilizar como participante da disputa, Pacheco lançou mão do diálogo. Em busca do apoio do PSD, segunda maior bancada da Casa — 11 integrantes —, conversou com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, para “virar a página” das recentes trocas de farpas.

A votação para a Mesa Diretora do Senado, em 2 de fevereiro, é secreta, mas se os parlamentares seguirem à risca as orientações de suas legendas, Pacheco tem o número necessário de votos para se eleger. Para se aliar ao mineiro, o PT estabeleceu uma série de compromissos, encabeçados pela defesa do Estado democrático de direito. O partido sustenta, ainda, a necessidade de dar independência ao Poder Legislativo.

Os outros eixos encaminhados pelo PT a Pacheco são a busca por alternativas para sanar a crise econômica imposta pelo coronavírus, a luta contra as discriminações, o combate à fome, a defesa de programas amplos de imunização contra a COVID-19 e a manutenção do auxílio emergencial. Meio ambiente e desenvolvimento sustentável também são bandeiras que o partido ressalta como importantes no documento que oficializa o apoio ao mineiro.

Simone Tebet (MDB-MS) lançou sua candidatura nesta semana e costura apoios (foto: MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO - 13/12/19)
Simone Tebet (MDB-MS) lançou sua candidatura nesta semana e costura apoios (foto: MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO - 13/12/19)


“Esses pontos decorrem dos compromissos políticos inafastáveis que as bancadas eleitas do Partido dos Trabalhadores têm com o conjunto da população brasileira, compromissos pelos quais o partido é reconhecido pelo eleitor, e na postura ante os quais o eleitor deposita no partido sua confiança”, diz a nota petista, cujo apoio foi confirmado na última segunda-feira. O PDT é outra agremiação posicionada à esquerda no espectro político a compor o grupo.

O apoio do PT a Rodrigo Pacheco veio dias depois de Bolsonaro demonstrar, publicamente, simpatia à candidatura do mineiro. No início da semana, em conversa com apoiadores, o presidente falou sobre estar ao mesmo “lado” dos petistas. "O PT resolveu apoiar quem eu tenho simpatia no Senado. Eu nunca conversei com deputado do PT, PCdoB e Psol, nem eles procuraram falar comigo. Já sei qual a proposta deles."

Além de PSD, DEM, PT, PDT e Republicanos, Rodrigo Pacheco recebeu o aval de PL, Pros, PP e PSC. Para obter a aprovação de colegas de outras legendas, o demista participou de reuniões de bancada — foi assim, por exemplo, que conseguiu convencer petistas e pessedistas.

A busca pelo aval do PSD, aliás, foi marcada por intensa articulação. Ao lado de senadores do partido, como Carlos Viana e Antonio Anastasia, Pacheco visitou Kalil em seu apartamento. A conversa, ocorrida no último dia 5, teve algumas condicionantes: o demista se comprometeu, por exemplo, a não tentar ser governador do estado em 2022. À época, a “bandeira branca” foi vista como promissora para as pautas comuns a todo o estado. “Kalil, como liderança importante do PSD, caminha conosco nesse sentido. Ele entende que não é hora de olhar para o passado, as rivalidades. Pacheco e Kalil foram candidatos na primeira eleição do prefeito. Hoje, deixamos isso em uma página virada em busca de trazer para Minas Gerais a união de que o estado precisa”, garantiu Viana.

Bloco de Tebet com Pacheco


Embora tenha o apoio de agremiações como Cidadania e Podemos, a adversária de Rodrigo Pacheco, Simone Tebet (MDB-MS), largou atrás por ter se colocado como candidata cerca de uma semana após o mineiro. No Senado, os emedebistas compõem bloco parlamentar chamado Unidos pelo Brasil, em coalizão com PP e Republicanos. Mesmo assim, os dois partidos fecharam acordos com Pacheco. Apesar da curiosidade, um interlocutor presente nos bastidores do Congresso Nacional, no entanto, crê que a divergência sobre a eleição da Mesa Diretora não vai impedir a continuidade do bloco. Os grupos são formados, por exemplo, para pleitear vagas em comissões temáticas. Parte do PSDB também deve apoiar a sul-matogrossense, que está em busca do apoio do PSL — Major Olímpio (SP), um dos nomes fortes do partido, chegou a se lançar candidato “independente”, mas sua participação no pleito é incerta.





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