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Estado de Minas

Ivermectina: Bolsonaro volta a defender remédio para parasitas contra COVID

Presidente afirmou que baixa mortalidade pela doença em países africanos se deve ao uso em massa do medicamento; infectologistas reforçam ineficácia da droga


05/01/2021 09:40 - atualizado 05/01/2021 11:04

Bolsonaro exaltou supostos benefícios da invermectina e da anitta contra COVID-19. Vermífugos de ação antiviral são comprovadamente ineficazes no tratamento da doença.(foto: ICTQ/Creative Commons)
Bolsonaro exaltou supostos benefícios da invermectina e da anitta contra COVID-19. Vermífugos de ação antiviral são comprovadamente ineficazes no tratamento da doença. (foto: ICTQ/Creative Commons)
A despeito das recomendações de infectologistas e da Organização Mundial de Saúde (OMS), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou exaltar, nesta terça-feira (5/1), o uso precoce de medicamentos no combate à COVID-19. 

Um deles é a ivermectina, antiparasitário muito utilizado no controle de piolho. Em sua conta no Twitter, o chefe do Executivo atribuiu a baixa taxa de óbitos pelo novo coronavírus em países da África à distribuição em massa da droga. 

A lista divulgada pelo presidente inclui nove nações africanas que recebem o fármaco, uma vez que participam do Programa Africano para Controle de Oncocercose, doença conhecida como “cegueira do rio”. A iniciativa é mantida pela OMS. 



Segundo a tabela, que traz dados de 4 de janeiro deste ano, o Quênia é o país do projeto com maior taxa de mortalidade pelo vírus - 32,1 óbitos por milhão de habitantes. O índice é significativamente mais baixo que o brasileiro. Em 1° de janeiro, o Brasil, 21° no ranking mundial de mortes pela doença, contabilizava 923 vítimas por milhão de habitantes. 

A Sociedade Brasileira de Infectologia, no entanto, reforçou, nessa segunda-feira (4/1), a ineficácia de qualquer tratamento farmacológico no combate ao Sars-Cov-2 (vírus da pandemia), à base de ivermectina e ao menos mais dez terapias, tais como cloroquina, azitromicina, vitaminas e anticoagulantes. 

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, em comunicado divulgado em 9 de novembro, que as substâncias em questão são indicadas apenas para o tratamento dos males e sintomas especificados na bula. 

No tweet desta terça (5/12), o presidente também mencionou supostos benefícios contra a COVID-19 da nitazoxanida, popularmente conhecido como Anitta. De acordo com Bolsonaro, o vermífugo, que também possui ação antiviral, é eficiente na redução da carga viral de pacientes infectados pelo coronavírus



Para comprovar sua tese, o político cita um estudo sobre o remédio publicado na European Respiratory Journal em 24 de dezembro de 2020, financiado pelo governo federal. 

A pesquisa tratou 194 infectados com o medicamento por cinco dias. A conclusão foi de que, entre eles, a carga viral foi reduzida em 55%. Entre os 198 voluntários que receberam o placebo, porém, a queda foi de 45%. Os cientistas não observaram ação do produto contra os sintomas da doença, tampouco concluíram que a terapia seja eficaz em casos leves de COVID-19. 


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