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COVID: Bolsonaro ganha força nas redes com polarização acerca da vacina

Segundo plataforma Vox Radar, aumento das menções positivas e negativas sobre a imunização em massa ajuda presidente a mobilizar sua militância


28/12/2020 18:42 - atualizado 28/12/2020 20:03

Bolsonaro tem sido direto ao afirmar que não tomará vacina, o que ajuda a crescer a discussão nas redes(foto: Fiocruz/Divulgação)
Bolsonaro tem sido direto ao afirmar que não tomará vacina, o que ajuda a crescer a discussão nas redes (foto: Fiocruz/Divulgação)

Desde que cientistas do mundo inteiro avançaram no processo de produção da imunização contra o coronavírus, o tema vacina vem mobilizando intenso debate nas redes sociais, com polarização entre as menções positivas e negativas em torno do assunto. No Brasil, a discussão do tema se acentuou com o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro, que vem ganhando força à medida que o assunto é colocado em análise. Com exclusividade ao Estado de Minas, a plataforma Vox Radar analisou durante dois meses a quantidade de citações, que cresceram justamente quando houve aumento da discussão política envolvendo Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal e o governador de São Paulo, João Doria.
 
A Vox Radar disponibilizou um gráfico que apresenta momentos de saltos do tema vacina no Twitter. Em todas, há um aspecto peculiar: o envolvimento de Bolsonaro em torno do debate, o que motivou o crescimento das menções positivas e negativas. O primeiro salto ocorreu em 10 de novembro, em meio à suspensão dos testes da Coronavac no Instituto Butantan depois da morte de um voluntário nos testes. Nesse contexto, o presidente da República reafirmou o discurso de não tornar a vacina obrigatória, o que ajudou a acentuar a discussão do assunto. Segundo o levantamento, as menções à vacina apresentaram nesse pico cerca de 60% das referências negativas. 
 
Gráfico divulgado pela Vox Radar mostra três tendência de alta na discussão sobre a vacina(foto: Divulgação/Vox Radar)
Gráfico divulgado pela Vox Radar mostra três tendência de alta na discussão sobre a vacina (foto: Divulgação/Vox Radar)
Em seguida, houve novo crescimento na primeira semana de dezembro, com o início da vacinação no Reino Unido. Bolsonaro respondeu confirmando que o governo iria disponibilizar o imunizante de forma gratuita e – numa indireta a João Doria – disse que ela não deveria ser usada em projetos pessoais de poder. Foi registrado no período a maior diferença percentual entre referencias positivas e negativas sobre o tema, com quase 55% de menções positivas.

“Os picos sempre acompanharam os fatos principais. A tendência foi de polarização muito forte em torno do tema, com menções negativas e positivas, já que as curvas caminharam muito juntas. Isso mostra que você tem um efeito de mão dupla”, explica o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e doutor em economia, Leonardo Luz, colaborador da Vox Radar. 

Com a aproximação do julgamento no STF sobre a obrigatoriedade da vacinação, ocorreu novo aumento das interações, iniciada no dia 14, com momento crítico no dia 17, data do encerramento do julgamento. Neste dia, 52,5% das menções ao tema foram negativas, a maior diferença percentual desde o dia 10 de novembro. 

As tags líderes de interações sobre o termo até o dia 20 são “EuNãoVouTomarVacina” e “dia22vaisergigante”, levantadas por perfis bolsonaristas. A primeira atingiu o topo dos trend topics do Twitter Brasil e, ainda que se tenha desidratado após o dia 18, manteve-se como a hashtag mais detectada sobre o termo “vacina” até o dia 23, totalizando 2.664 menções nesse dia. A segunda, referente às manifestações de rua organizadas para terça-feira, 22, contra a obrigatoriedade da inoculação, atingiu 2.314 menções. As tags, contudo, foram impulsionadas também por referências críticas, indicando sentimento de contrariedade ao conteúdo.

Entre os dias 21 e 22 de dezembro, o total de interações e citações relativas à vacina atingiu 52.337 tuítes espontâneos, 27.940 retuítes e 24.069 respostas a postagens sobre o tema. As postagens foram realizadas por 41.633 usuários, com uma média de 1,26 tuítes por usuário. Dos tuítes espontâneos, 29,96% revelaram sentimentos positivos e 31,12% negativos. Em relação à distribuição dos likes, houve uma pequena mudança no padrão: dos 244.612 likes, 35,55% foram positivos e 28,96% negativos.

Leonardo Luz entende que o debate em torno da vacina ajudou os seguidores de Bolsonaro a se mobilizarem novamente depois de algum tempo dispersos, o que ajuda o presidente a ganhar força: “Há uma militância desagregada que precisa de algum tema que reforça suas identidades enquanto grupo. A questão da vacina foi fantástico para o Bolsonaro, porque ele encontrou exatamente uma pauta que ressoa como habilidade incrível nessa militância ideológica pautada naquelas temáticas individuais e nos direitos fundamentais. Ele conseguiu aglutinar sua militância em torno dessa temática que leva à polarização. É uma temática em moda. As estratégias têm dado certo”.
 
Segundo ele, a polêmica entre Bolsonaro e João Doria, que se acentuou desde o mês passado, criou uma nova polarização, pois ambos defendem pontos de vistas diferentes: “Se o Bolsonaro, por um lado, tenta polemizar a respeito do questionamento a obrigatoriedade da vacina, o Doria tenta criar marca dele em torno da vacinação. Ele também vai polemizar, o que aumenta a polarização. Acaba sendo algo natural, pois um responde ao outro”.


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