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Estado de Minas ENTREVISTA

Vereadora mais votada de BH, Duda Salabert propõe 'batalha de ideias'

Eleita com 37.613 votos, a professora filiada ao PDT tem como bandeiras educação, meio-ambiente e diversidade


22/12/2020 04:00 - atualizado 21/12/2020 23:48

"Meu próprio corpo é uma forma de alargar esse espaço (da Câmara Municipal), já que ele carrega uma identidade que foi historicamente negada" (foto: Lucas Ávila/Astronauta Comunicação - 16/11/2)
 
Vereadora mais bem votada da história de Belo Horizonte, com a marca de 37.613 votos, a professora Duda Salabert (PDT), defenderá três bandeiras em seu mandato: a educação, a preservação do meio ambiente e a diversidade. Nesta entrevista que é parte da série realizada pelo Estado de Minas com os eleitos para a Câmara Municipal de BH, Duda revela a proposta de criar um aplicativo para que voluntários, em todo Brasil plantem árvores e possam acompanhar o crescimento delas – uma de suas promessas de campanha era plantar uma árvore para cada voto recebido. A vereadora tentará conciliar o trabalho no Parlamento e a docência, mas não sabe, diante de ameaças que recebeu recentemente, se terá o emprego mantido no Bernoulli.

Depois de ter sido ameaçada de morte, Duda Salabert buscou ajuda e se articulou em redes municipal, federal e internacional para garantir sua segurança. No entanto, ela não esconde que teme o risco. “Não me sinto nem um pouco segura [em assumir o mandato diante de ameaças de morte]. Faço parte de um grupo cuja expectativa de vida não supera os 35 anos.”

Qual é a principal bandeira do seu mandato?
Nosso mandato tem como pilar três grandes bandeiras. Em primeiro lugar está a questão educacional. Sou professora há mais de 20 anos e entendo que as principais transformações que ocorrem na sociedade se dão por meio da educação. A segunda grande bandeira é o meio ambiente. Vivemos uma grande crise ambiental, à beira de um colapso climático, e Minas Gerais foi palco de dois grandes “ecossídios” que geram consequência na capital também. A terceira é a questão da diversidade. São as três pautas que eu levantei na campanha que se mantêm firmes na execução do mandato.

A Câmara passou de 4 para 11 mulheres, como avalia esse crescimento?
Entendo que vários fatores estão ligados a esse crescimento, entre eles s expansão e organização dos movimentos feministas que têm conseguido, cada vez mais, relevo no debate público. Estamos também sob a égide do governo Bolsonaro, um governo de ataque às mulheres e às pautas feministas. Isso acaba mobilizando mulheres para ocupar esse espaço e fazer política pela ótica delas. E um terceiro fator que é a sociedade ter entendido que a representatividade é algo importante.

E sua candidatura é resultado dessa reflexão sobre representatividade?
A minha candidatura resulta de vários fatores. Não dá para colocar a minha candidatura exclusivamente na caixa de representatividade, já que também sou professora e ambientalista. Trago debates importantes para a cidade, assim como a importância de fazer um plano de crescimento verde, como também a distribuição de absorventes nas escolas municipais. Então, são temas e propostas que fazem com que eu extrapole a questão, meramente, da representatividade.

O que representa sua candidatura à presidência da Câmara Municipal?
É o desejo de alargar a democracia naquele espaço. Vamos entender que, nos últimos anos, ocorreram episódios que rebaixaram o conteúdo democrático da Câmara, como por exemplo, a votação e o debate do projeto Escola Sem Partido, um projeto inconstitucional, como também o esvaziamento e fechamento das galerias, algo grave para a democracia. Minha candidatura traz essa necessidade e o desejo de alargar o processo democrático naquele espaço e meu próprio corpo já é uma forma de alargar esse espaço, alargar a democracia, já que ele carrega uma identidade que foi historicamente negada naquele espaço. Minha candidatura tem algo a mais também para colocar no centro da política de Belo Horizonte uma professora e ambientalista.
 
Como pretende enfrentar o conservadorismo da Câmara Municipal?
Por meio do diálogo. Sou professora de literatura e entendo que as palavras transformam as pessoas, transformam a vida e a sociedade. Então, não há nenhum problema que a pessoa seja conservadora. A base do conservadorismo é o respeito às leis e às instituições. Então, o meu debate será de ideias e que se busque o respeito às leis e as instituições. Agora, sou favorável a uma batalha de ideias e não à briga entre pessoas. O problema é que alguns políticos eleitos que são conservadores não têm nada. Se apropriam dessa palavra para reproduzir discurso de ódio, intolerância e violência pessoal. Esse tipo de política não me interessa.

A senhora disse que para cada voto haveria o plantio de uma árvore. Como está a proposta?
Plantamos mais de 50 árvores desde o fim das eleições, e a gente vai lançar, em janeiro, um programa nacional para o plantio de árvores. Vou lançar uma plataforma que vai trabalhar com geoprocessamento, para que voluntários, no Brasil inteiro, possam plantar as árvores e acompanhar o crescimento com geoprocessamento e imagens de satélite. Vamos transformar o plantio de árvore em política pública por meio do plano de crescimento verde, tendo como meta, até 2050, Belo Horizonte ser a capital mais arborizada da América Latina.

A senhora pretende conciliar o trabalho como parlamentar e a docência?
Sim. Eu sou professora. Posso estar na política, mas sou professora e continuarei dando aula, até porque minha participação em sala de aula tem um papel político tão ou mais importante que minha presença no legislativo.  Não sei se o Bernoulli  (Colégio Bernoulli) vai me demitir ou não. Espero continuar e pretendo dar aula no Bernoulli, mas não sei se o colégio vai querer, uma vez que, na ameaça que sofri, disseram que iriam transformar a escola em um mar de sangue, então não sei. Cabe ao colégio decidir.



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